terça-feira, 1 de março de 2011

Aspectos Perinatais do Aleitamento Materno Orientações durante o Pré-Natal






Maria Delizete Bentivegna Spallicci. Assistente da Clínica Obstétrica do H.U.U.S.P.
Paulo Basto de Albuquerque. Diretor da Clínica Obstétrica do H.U.U.S.P.
Hugo Issler. Professor Livre- Docente do I.C.R.F.M.U.S.P.
José Lauro de Araújo Ramos. Professor Emérito de Pediatria da F.M.U.S.P.
Marcelo Zugaib. Professor. Titular da Clínica Obstétrica da F.M.U.S.P.



I - Introdução:
Incentivar a mãe a amamentar é compreender que normas e disciplinas rígidas não condizem com um relacionamento a dois e que aprender a amamentar é natural e estimula o entendimento entre mãe e filho. A mobilização social tendo consciência que amamentar é um direito pode auxiliar na proteção, promoção e apoio do aleitamento materno 13, 17.
Benefícios do aleitamento materno: As mães devem ser informadas durante a gravidez das vantagens do aleitamento e das desvantagens, em vários aspectos, do uso de substitutos do leite materno, principalmente nos 6os meses de vida do lactente, além de receber noções sobre lactação, estímulos para produção do leite materno, superar dificuldades e procurar soluções para problemas na amamentação 1, 5, 6, 9, 14, 16. Do ponto de vista psicológico e afetivo, vários autores referem o ato da amamentação como uma prática para promover um vínculo entre mãe e filho 2, 3, 14, 17. Esse vínculo tem início na concepção, cresce durante a gestação e se fortalece com a amamentação, principalmente quando se inicia precocemente dando origem ao bem-estar, segurança e afetividade do bebê 4, 6, 12, 16 . No decorrer da gravidez, a gestante apresenta uma preocupação crescente com seu papel de mãe e com sua adaptação individual e familiar frente ao recém-nascido e em como isso interferirá em sua vida pessoal e familiar, tanto no que diz respeito ao desempenho do se papel de mãe, como de mulher e esposa 12, 16 . A posição adotada pela gestante em relação a amamentação é determinada pela percepção dela em relação aos atributos do leite materno e sentimentos ligados a prática de amamentar. 16
O obstétra e o aleitamento materno: Vários autores concordam que os profissionais de saúde freqüentemente são responsáveis pelo insucesso do aleitamento materno e desmame precoce por não orientarem adequadamente durante o pré-natal e o puerpério a mãe e os familiares1, 3, 7, 11. A mãe e a família conscientes da importância do aleitamento materno para a saúde física e psicológica do bebê, somado ao estímulo e promoção desta prática, sentem-se incentivados a estarem mais próximos e participantes ativos dos cuidados ao bebê, o que sem dúvida, trará benefícios ao binômio mãe–filho. Se tanto a mãe quanto o pai souberem compartilhar esse período o relacionamento do casal poderá se estreitar, já que a responsabilidade, os direitos e os deveres são mútuos. A amamentação assim como a gestação exige uma adaptação de toda a família. Compreender, auxiliar e cuidar da mãe adequadamente, segundo suas necessidades físicas e emocionais, estabelecerá uma harmonia com o bebê de maneira tranqüila e construtiva 1, 6, 9, 13, 15, 16.
II - Aspectos específicos das possibilidades de atuação
Para aumentar os índices de amamentação e prevenir o desmame precoce entre a população infantil, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançaram em 1990 um conjunto de metas chamado "Declaração de Innocenti" 18, resgatando o direito da mulher de aprender e praticar a amamentação com sucesso, através da iniciativa da formação do "Hospital Amigo da Criança"6, 7, 9, 10 com finalidade de apoiar, proteger e promover o aleitamento materno, mobilizando profissionais de saúde e funcionários de hospitais e maternidades para realizar mudanças em rotinas e condutas visando prevenir o desmame precoce Esse conjunto de medidas foi denominado de "Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno". Quadro 1


QUADRO 1 : Dez passos para o sucesso do aleitamento materno
PassoProcedimento
1Ter uma norma escrita sobre aleitamento materno, a qual deve ser rotineiramente transmitida a toda equipe de saúde
2Treinar toda a equipe de cuidados de saúde, capacitando-a para implementar esta norma
3Informar às gestantes sobre as vantagens e o manejo do aleitamento
4Ajudar as mães a iniciar a amamentação na primeira meia hora após o parto
5Mostrar às mães como manter a lactação, mesmo se vierem a ser separadas de seus filhos
6Não dar aos recém-nascidos nenhum outro alimento ou bebida além do leite materno, a não ser que seja indicado pelo médico
7Praticar o alojamento conjunto, permitindo que mães e bebês permaneçam juntos 24 horas por dia
8Encorajar o aleitamento sob livre demanda
9Não dar bicos ou chupetas a crianças amamentadas ao seio
10Encorajar a formação de grupos de apoio à amamentação para onde as mães devem ser encaminhadas.


A eficiência e o impacto das ações dos "Hospitais Amigo da Criança" têm resultado em aumento na incidência, e o que é mais importante, na duração do aleitamento materno. Em um estudo realizado no Chile 10 foi demonstrado que um programa constituído de treinamento de profissionais de saúde, educação no pré-natal e no puerpério de uma clínica de aleitamento materno elevou as taxas de amamentação exclusiva de 32% para 67%. Em Fortaleza, Ceará, na Maternidade Escola Assis Chateaubriand uma pesquisa realizada no período de junho de 1993 a junho de 1994 revelou que após a implantação do programa de treinamento dos profissionais de saúde para promoverem o incentivo a amamentação, a taxa de aleitamento materno exclusivo passou de 33% para 73% 7.
Os cuidados durante o pré-natal têm uma importante responsabilidade no que tange ao incentivo do aleitamento materno, porém segundo levantamento recente feitos pela OMS e pela UNICEF, somente 24,5% de mães referem ter recebido orientação sobre amamentação durante o acompanhamento pré-natal, pois uma parcela importante de profissionais de saúde, não está preparada acerca da orientação, estímulo e manutenção do aleitamento natural, para orientar as mulheres no ciclo grávido-puerperal 12. A assistência pré-natal exerce ação apreciável no aumento da secreção láctea, pois nesta ocasião, tem-se a oportunidade de observar os princípios dietéticos da mãe, melhorando a sua saúde e do feto, e consequentemente aumentando a capacidade de amamentar; e é durante esse período que a mãe deve receber orientação quanto aos cuidados com as mamas, correções de anomalias de conformação dos mamilos e preparação psicológica da gestante e de seus familiares, ressaltando as virtudes do aleitamento materno 2, 3, 4, 8.
O aleitamento materno além dos benefícios para o bebê, promove benefícios para a mãe com a diminuição de: sangramento puerperal, de depressão pós-parto, de infeções severas durante o período, de perda sangüínea menstrual, de câncer de mama e de ovário na pós-menopausa, além de provavelmente diminuir o risco de osteoporose 4, 5, 13.
Profissionais de saúde capacitados ao lado da mãe, dando-lhe confiança e orientação durante a gestação e no início do aleitamento materno, podem ajuda-la a buscar soluções para suas dúvidas quanto ao aleitamento. A capacidade da puérpera em amamentar é, freqüentemente, alvo de atitudes e críticas desencorajadoras e diante de qualquer problema com o bebê é colocada a dúvida da quantidade e qualidade do leite materno. Esta atitude pode ser interpretada pela mãe como incapacidade de cuidar de seu filho e tem como conseqüência a inibição da lactação devido a sua ansiedade, interferindo assim no estabelecimento de uma ligação tranqüila entre a mãe e o bebê 1, 3, 6, 8, 9, 10.
III - Período do Pré-Natal
A decisão pelo aleitamento materno é influenciada por diversos fatores, incluindo fatores culturais, a atitude e o conhecimento dos profissionais de saúde durante a gestação e o pós-parto, além do apoio do pai. Para assegurar que as expectativas maternas quanto ao aleitamento se tornem realidade, é necessário que os profissionais de saúde informem a todas as mães e familiares sobre as estratégias e vantagens que a equipe profissional pode oferecer para que o início e a continuidade do processo, se faça da melhor maneira possível. Desta forma esses profissionais devem ser treinados adequadamente para ministrar orientação à mãe, identificar dificuldades que existam ou possam surgir durante o aleitamento e esclarecer duvidas através de incentivo de sistema de perguntas que identifique barreiras que possam prejudicar amamentação 1, 2, 4, 5, 6, 8, 9, 12, 13, 16, 18.
Neste sentido, podemos destacar, no pré-natal seis pontos de interesse em relação ao aleitamento materno 12, 16, 17:
  1. Exame das mamas e mamilos da mãe:
O exame das mamas assim como o exame físico geral e obstétrico deve ser realizado pelo profissional de saúde desde o início da gestação
Os mamilos podem ser de quatro tipos17:
    • Protuso ou Normal: Quando estimulado fica saliente e bem posicionado; 92% das mulheres tem esse mamilo 17, bastando a região areolar estar flexível para que o mamilo acomode-se perfeitamente à boca do bebê
    • Semiprotuso ou subdesenvolvido: Apresenta-se pouco saliente como se estivesse incorporado à região areolar; 7% das mulheres o possuem 17. Este é um mamilo sujeito a traumas, porém permite a amamentação com sucesso, desde que exercícios de exteriorização, sejam iniciados durante o pré-natal.
    • Pseudo-Invertido ou Malformado: Apresenta-se em sentido oposto ao mamilo normal; 0,5% das mulheres o possuem e dificilmente conseguem amamentar, pois a criança, recusa esse tipo de bico por não ter condições de ser abocanhados 17.
    • Invertido ou Umbilicado: Também considerado malformado, nunca fica saliente e exige exercícios de exteriorização durante a gestação para aplanar-se durante a sucção do bebê. Cerca de 0,5% das mulheres o possuem 17.
Cuidados do mamilo durante o pré-natal:
Os cuidados a serem realizados no mamilo, devem começar no início da gestação e as gestantes devem ser orientadas a realiza-los pelo menos três vezes por semana, a fim de prepará-los para a amamentação e de diminuir a chance de traumatiza-los, a não ser que ocorram contrações uterinas (estímulo local liberando ocitocina) 12, 17. Os exercícios de exteriorização recomendados durante a gestação são17 : Primeiro exercício: colocar os dedos polegares ou indicadores de cada uma das mãos, ou os dedos polegar e indicador de uma das mãos, na base do mamilo e sobre a aréola e pressionar a base do mamilo firmemente, fazendo movimentos de dentro para fora, comprimindo e esticando o mamilo, inicialmente no sentido horizontal e posteriormente no sentido vertical, repetindo os movimentos várias vezes. Segundo exercício: segurar o bico do peito, pós exteriorizado pelo primeiro exercício, com os dedos polegar, indicador e médio e fazer movimentos de torção para a direita e para a esquerda, repetindo varias vezes. Além desses exercícios a gestante pode usar conchas nos mamilos que podem mante-los exteriorizados ou fazer sucção suave com bomba de expressão de leite
A higiene17 deve ser feita cuidadosamente durante o banho e depois enxugados friccionado-os suavemente com uma toalha. Se possível exponha-os ao sol pela manhã durante uns 20 minutos. O uso de sutiãs bem ajustados, ao longo da gestação, ajudará a impedir que os seios percam sua forma.12 Não se deve usar óleos ou cremes durante a gravidez, para que a camada de proteção superficial não seja removida.
Orientação para a sucção e para a pega da aréola
A mamada obedece um ciclo de sucção, deglutição e respiração e para que o bebê faça uma pega adequada, ele deve ser posicionado bem próximo da mama, de frente para ela. O bico formado pela mama e pelo mamilo enche a boca do bebê, não deixando espaço para a mama movimentar-se. A sucção começa quando o mamilo estimula o palato mole do bebê e os seios lactíferos são comprimidos e o leite flui da mama 12, 17
Orientação materna e familiar sobre a importância do aleitamento materno e a qualidade de vida da criança
As recomendações atuais quanto ao aleitamento materno são que os bebês devem ser amamentados exclusivamente ao seio pelo menos durante quatro a seis meses, de oito a doze vezes por dia e não necessitam de qualquer liquido ou alimento, devendo-se evitar o uso de bicos ou chupetas e que o leite materno é especialmente indicado para o bebê, protegendo-o de bactérias e vírus com os quais suas mães mantiveram contato além de que a ligação afetiva é estimulada6, 11, 12, 13, 18
Orientação materno e familiar sobre planejamento familiar e aleitamento materno
Levar ao conhecimento do casal os métodos anticoncepcionais que possam ser utilizados durante a amamentação e não interfiram no bem estar do bebê12, 15, 16, 17.
Identificação de mulheres em situações de risco em relação ao aleitamento materno
A identificação de mulheres com preocupações especiais e a ajuda sobre problemas que podem afetar os planos de amamentação, podem auxiliar na resolução de questões tais como dificuldades na amamentação de filho de gestação anterior 12, 16, 17, necessidade de retorno precoce a atividades profissionais (orientação quanto o armazenamento do leite em refrigeração, iniciando precocemente para ter estoque adequado) 12, 16, 17, dificuldades familiares e/ou emocionais 5, 12, 14, 15, 16, 17 e cirurgias mamarias anteriores e/ou uso de próteses mamarias que não contra-indicam a amamentação 5, 17.
Identificação das mães com processo inflamatório da mama
A mastite é um processo inflamatório, de origem infecciosa, que pode ocorrer entre geralmente após a segunda semana do pós-parto e deve ser identificada e tratada o mais precocemente possível. Os fatores predisponentes são as malformações papilares, técnica incorreta de amamentação, ingurgitamento mamário excessivo, fissuras papilares e higiene inadequada. Nos casos em que não há formação de abcessos, devem ser prescritos analgésicos, antitérmicos, antibióticos e elevação das mamas, com a recomendação de continuar a amamentação na mama saudável e fazer ordenha manual da mama comprometida. O tratamento cirúrgico está indicado em casos de abcessos 1, 12, 16, 17.
IV- Comentários
Inúmeras publicações demonstram que bebês amamentados exclusivamente raramente tem anemia por deficiência de ferro, infeções gastrointestinais e respiratórias e alergias. Esses bebês tem melhores condições para ter um melhor desenvolvimento psicomotor, emocional, intelectual e social 6, 11, 12, 13, 18
A mãe que amamenta tem menor risco de complicações hemorrágicas no pós parto pela liberação de ocitocina e ocorre um menor risco de câncer mamário e ovariano na pós-menopausa 2, 3, 5
Apesar da amamentação ser considerada como instintiva e natural em qualquer mulher, é um processo comportamental aprendido com as gerações anteriores, que requer orientações e estímulo as gestantes, puérperas, lactantes e familiares de seu convívio 12, 13.
Quanto mais cedo, após o parto, acontecer a primeira mamada, mais chances terá de ser bem sucedida. Tanto a necessidade que o bebê tem de mamar quanto o interesse da mãe pelo filho estão em seu ponto máximo imediatamente após o parto. Este é o período ótimo para o estabelecimento de um relacionamento materno - infantil. 12, 13, 17
As razões alegadas pelas mães para o desmame ou introdução de outros alimentos, podem ser agrupadas por área de responsabilidade, destacando-se: deficiências orgânicas ("leite fraco ou insuficiente"); responsabilidade do bebê ("chora muito, não aceita, não dorme"), responsabilidade materna ("anticoncepção, trabalho, nervosismo") e influência de terceiros ("familiares, profissionais") 12, 16, 17. O ato de amamentar, apesar de se um fenômeno natural tem, obrigatoriamente, que passar por uma tomada de decisão. Sendo assim, o processo da amamentação deve ser visto a partir da mulher. Dessa forma, profissionais da saúde, devem enxergar o processo de amamentação, a partir dos olhos maternos, de suas emoções, interpretações, dificuldades e desejos, para que possam atuar e ajuda-la na decisão de amamentar 12, 16, 17.
  1. Bittar, R. E.; Issler, H.; Zugaib, M. A questão do incentivo ao aleitamento materno no pré-natal. Rev. Ginecol. Obstet. v.3, n.2, p.91-4, 1992.
  2. Criado, R. E. et. col. Lactancia materna. Rev. Enferm v. 21, suppl. 234, p.56-63, 1998.
  3. Galanakis, E. History of breastfeeding and medical profession. Lancet. v.354, n.7, p.77-8, 1999.
  4. Kuan, L. W. et. col. Health System factors contributing to breastfeeding sucess. Pediatrics. v.104, n.3: e28, 1999.
  5. Labbok, M.H. Health sequeles of breastfeeding for the mother. Clin. Perinatol. v.26, n. 2, p. 491-503, 1999.
  6. Lamounier, J.A. Experiência iniciativa Hospital Amigo da Criança. Rev. Ass. Med. Brasil. v.44, n.4, p.319-24, 1998.
  7. Machado, M. M. T. et. col. O programa de aleitamento materno da Maternidade Escola Assis Chateaubriand. Rev. Maternidade Assis Chateaubriand. v.1, n.1, p.43-46, 1994.
  8. McInnes, R. J., Stone, D.H. Promotion of exclusive breasthfeeding. Lancet. v.354, n.7, p.161-2, 1999.
  9. Neifer, M. R. Clinical aspects of lactation. Promoting breasthfeeding success. Clin. Perinatol. v.26, n.2, p. 281-306, 1999.
  10. Perez, A. V. Santiago breastfeeding promotion program: preliminary results of na intervention study. Am. J. Obstet. Gynecol. v. 165, p. 2039-44, 1993.
  11. PNIAM/INAN/UNICEF. Boletim Nacional Iniciativa Hospital Amigo da Criança. n. 16, 1996.
  12. Pryor, K. A arte de amamentar. 3ª edição. São Paulo. Summus Editorial, 1981
  13. Rea, M. F., Venancio, S. I., Savage, F. Counseling on breasthfeeding: assessing knowledge and skills.Bull. World. Health. Organ. v. 77, n.6, p.492-8, 1999.
  14. Riva, E. et. col. Factors associated with the duration of breastfeeding amongst women in Italy. Acta. Paediatr. v.88, n.4, p.411-15, 1999.
  15. Scott, J. A. et. col. Factors associated with the duration of breastfeeding amongst women in Perth, Australia. Acta. Paediatr. v.88, n.4, p.416-21, 1999.
  16. Silva, I. A. Amamentar: uma questão de assumir riscos ou garantir benefícios. São Paulo. Robel Editorial, 1997
  17. Vinha, V. H. P. O livro da amamentação. São Paulo, Balieiro Ed. Ltda., 1999.
  18. WHO/UNICEF. Innocenti Declaration on the protection, promotion and support of breastfeeding. Meeting "Breastfeeding in the 1990s: A global initiative". Co-sponsored by the United States International Development (AID) and the Swedish International Development Authority (SIDA), held at the Spedale degli Innocenti, Florence, on 30 July – 1 August, 1990.


Parto induzido aumenta risco para mulheres e bebês

Induzindo problemas: Com o aumento crescente no número de partos programados, é importante para os médicos e para as futuras mães entenderem os riscos associados com a indução eletiva do parto.Tentando mensurar esses riscos, uma equipe de médicos da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, pesquisou mulheres que estavam dando à luz seu primeiro filho.As conclusões mostram que induzir o trabalho sem uma razão médica - apenas por conveniência - está associado com problemas para a mãe, incluindo o aumento das taxas de cesárea, maior perda de sangue e um período de permanência no hospital mais longo.E essa indução não traz qualquer benefício para o recém-nascido.
Partos com maior risco: Os pesquisadores descobriram que cerca de 34% das mulheres que optaram pela indução eletiva do trabalho de parto acabaram tendo uma cesariana, contra uma taxa de 20% entre as mulheres que aguardaram o parto natural.Da mesma forma que a indução eletiva, afirmam os autores do estudo, a cesariana "pode ser vista ingenuamente como rotineira e sem risco, quando na verdade ela é uma grande cirurgia e, como toda cirurgia, aumenta o risco de infecções, complicações respiratórias e a necessidade de cirurgias adicionais, resultando em maior tempo de recuperação."Para cada 100 mulheres que se submeteram à indução eletiva, houve um adicional de 88 dias de permanência no hospital, representando custos acrescidos para a mãe e para o hospital.Nos partos induzidos, os bebês foram mais propensos a precisar de oxigênio imediatamente após o parto.Eles também se mostraram mais propensos a exigir atenção especializada de especialistas da unidade de terapia intensiva neonatal.

Conveniência versus bem-estar: "Os benefícios de um procedimento devem sempre superar os riscos. Se não houver quaisquer benefícios médicos para induzir o trabalho de parto, é difícil justificar fazê-lo eletivamente quando sabemos que isso aumenta os riscos para a mãe e o bebê," afirma o Dr. Christopher Glantz um dos autores do estudo, que foi publicado no Journal of Reproductive Medicine.Nos Estados Unidos, tem aumentado o número de partos programados, por conveniência das mães ou dos médicos, ou de ambos.Isso tem sido considerado um problema pelos especialistas - ainda assim um problema considerado menos grave do que a cesárea eletiva em larga escala, como ocorre no Brasil.Embora médicos e mães possam considerar que a indução do trabalho de parto não faz mal, ele não funciona tão bem quanto o parto natural - como se está essencialmente partindo do zero, sem a progressão natural dos organismos da mãe e do bebê, a chance de surgirem problemas é muito maior."Como profissional e como mãe, eu sei como pode ser tentador agendar o parto para deixar sua vida em ordem, mas há uma razão para que os bebês permaneçam no útero pelo tempo total natural da gravidez," disse a Dra. Loralei Thornburg, especializada em medicina materno-fetal. "Por que colocar você e seu bebê em risco se você não precisa fazer isso?" . Os médicos afirmam que as conclusões só se aplicam ao primeiro parto - mães que passaram por parto induzido mas que já haviam tido um filho por parto natural não-induzido não tiveram aumento nos riscos.

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=parto-induzido-aumenta-risco-mulheres-bebes&id=6233

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Manifesto pela Valorização da Maternidade


Manifesto do Grupo Cria pela valorização da maternidade.
Para ver mais e assinar o manifesto: www.grupocria.com.br


MANIFESTAMOS PELAS MÃES

Mãe que dá o melhor de si e convive com a crônica sensação de que nada
é o suficiente.

Mãe de carne, osso e vísceras que, ao se perceber humana, sente-se cada vez 
mais distante do ideal de devoção da Santa Mãezinha. E por isso se culpa.

Mãe que comprou o sabonete com óleos essenciais, o iogurte com fibras, o 
desinfetante  com cloro ativo, a fralda com bloquigel e mesmo assim seu filho
não  dormiu a noite inteira, seu marido se queixa e sua casa não é o templo
limpo, perfumado  e livre de insetos que aparece na TV.

Mãe mulher, dona de casa, profissional e amante, que segue passo a passo
as dicas  das  revistas femininas para conciliar seus inúmeros papéis e virar
“super”, mas ainda não encontrou  sua capa.

Mãe cuja única preparação para a mais dramática mudança da sua vida foi
o cursinho da maternidade e, se privilegiada, a decoração do quartinho e a
compra do enxoval.

Mãe que vive em uma sociedade que a glorifica, ao mesmo tempo em que
a obriga a terceirizar a criação dos seus filhos. Seja por necessidade,
independência ou reconhecimento. Como se, em qualquer um desses casos,
 essa não fosse uma decisão extremamente difícil.

Mãe que se divide diariamente entre a administração do lar e da profissão,
encarando múltiplas jornadas que a levam constantemente à exaustão física
e emocional.

Mãe que se dedica de corpo e alma ao significativo projeto de criar uma
criança, enfrentando um nível de cobrança superior ao de qualquer chefe
ranzinza e cliente exigente. 365 dias por ano, 24 horas por dia. E mesmo
assim é percebida como alguém que não faz nada. Até por si mesma.

Mãe pobre que, quando opta pelos filhos, é acomodada. Quando rica,
é madame. E, quando profissional, é ausente.

MANIFESTAMOS PELA MATERNIDADE

E, portanto, pela liberdade de sentir. De seguir os instintos. De viver em
plenitude emoções e sentimentos totalmente femininos. Pois negá-los,
seria abrir mão daquilo que faz da mulher, um ser único.

Manifestamos pelo direito de cada mulher escolher o papel que melhor lhe
 cabe no momento. Sem se sentir pressionada, desmerecida ou julgada
pelo que decidiu não ser.

Manifestamos por parir de forma saudável, humana e tranquila e que essa
seja uma decisão consciente da mãe. Amparada por uma equipe de
profissionais da saúde que a respeitam, orientam, acompanham e zelam
pelo bem estar dela e do bebê.

Manifestamos pelo direito de amamentar a cria, sem ser pressionada por
profissionais da saúde mal formados ou parentes bem intencionados,
a substituir por mamadeira, o alimento que só o seu peito pode dar.

Manifestamos pela aceitação da metamorfose e da mudança de valores
que a chegada de uma criança proporciona na vida de qualquer adulto.
E pela valorização desta transformação na sociedade, como contraponto
para a cultura do egoísmo e da juventude eterna.

MANIFESTAMOS PELO ATIVISMO ANÔNIMO E INCANSÁVEL 
DAS MÃES

Nas trincheiras domésticas de uma sociedade cada vez mais dominada
pelas leis cruéis do mercado.

E apoiamos as mães que questionam. Que boicotam.

Que compram e deixam de comprar. Que sabem o que servem à mesa
e o que jogam no lixo.

Que desligam a TV, controlam o videogame e a quantidade de açúcar.

Mães que tentam proteger a infância e não desistem diante do bombardeio
de mensagens que estimulam a erotização e o consumo precoces.

Mães que empreendem, que inventam, que abrem mão, que buscam
alternativas, que assumem o vazio e a sobrecarga. E promovem viradas.

Mães que brigam por uma escola melhor, mais humana e significativa;
pública ou privada.

Que pensam globalmente e agem localmente, casa a casa, família a família.

E que administram seus lares, como se ali começasse a mudança que
desejam para o planeta.

MANIFESTAMOS PELA TOMADA DE CONSCIÊNCIA FAMILIAR

Pela valorização do papel da mãe no seio da família e pelo fim das hipócritas
tentativas de minimizar a diferença que a presença dela faz.

Pelo reconhecimento da vital importância da maternidade para a humanidade,
e por ações
 sociais e políticas que valorizem e estimulem a atuação da mãe.

Por uma rede de relacionamentos que coloque novamente mulheres de
diferentes gerações em contato, reconstruindo referências que foram deturpadas
e estereotipadas pela mídia e pela sociedade.

Por mães unidas para estudar, compartilhar experiências e desenvolver novos
pontos de vista para este tema milenar, universal e ainda tão incompreendido.

Por uma nova formação familiar, focada no bem estar integral dos seres humanos
e não somente no bem estar material.

Por pais que valorizam a tomada de consciência materna, dando sua participação
necessária para que ela floresça. Mesmo sem entendê-la completamente.

Por mães que partilhem com seus parceiros as responsabilidades, agruras e
alegrias de se cuidar dos filhos, sendo entendido que eles pertecem aos dois,
igualmente.

Manifestamos pela ausência de fórmulas, de guias práticos e de respostas
prontas, pois cada mulher é livre para buscar seu caminho e desenvolver
sua história. No seu tempo, no seu ritmo e na sua individualidade.

Manifestamos pela conciliação de uma maternidade moderna com uma
maternidade mais plena.

Manifestamos por você e por nós. Pela Terra e por todos os filhos que
dela vieram e ainda virão.



sábado, 5 de fevereiro de 2011

SUS pode ser obrigado a oferecer atendimento psicológico para gestantes

O Sistema Único de Saúde poderá ser obrigado a oferecer atendimento psicólogico para as gestantes. Esse é o objetivo de dois projetos de lei que estão em análise na Câmara (PL 5981/09 e PL 6229/09).

O autor de uma das propostas, deputado Antônio Roberto, do PV mineiro, destaca que a maternidade é um momento de alegria, mas que vem acompanhado de muitos medos e ansiedades.

"Nesse momento sagrado, bonito da pessoa se tornar mãe, de dar um sim à vida, esse é um momento também de uma assistência emocional mais profunda. Quem já acompanhou alguma gestante ou alguém que é casado vê a transformação que ocorre do ponto de vista emocional, do ponto de vista psicológico. Esse projeto visa dar uma obrigatoriedade de um acompanhamento emocional para as pessoas que estão precisando."

Antônio Roberto avalia que o atendimento psicológico na gravidez pode até prevenir doenças na criança.

"É muito importante para a saúde dela e para a saúde do filho que vai nascer. Com isso a gente terá, a longo prazo, até uma economia na área de saúde, porque muitos problemas de saúde que ocorrem futuramente com a criança que nasceu sem assistência, a mãe sob um forte impacto emocional, muitos problemas tem a ver com esse período da gestação."

A outra proposta em tramitação é de autoria do deputado Carlos Alberto Leréia, do PSDB goiano, e estabelece que as mulheres devem passar por uma avaliação psicológica antes de deixar a maternidade. O objetivo será detectar e prevenir casos graves de depressão pós-parto.

As duas propostas serão analisadas em conjunto pelas Comissões de Seguridade Social e Família, Finanças e Tributação, e Constituição e Justiça. Se forem aprovadas e não houver recurso, seguem para o Senado.


*Fonte: Rádio Câmara (05/02/2011)

sábado, 29 de janeiro de 2011

Le Premier cri trailer

 Trailer do belíssimo documentário que retrata a gestação e o parto em diversas partes e culturas do mundo.
Retrato poético através de lindas imagens e músicas.



(link para sinopse, está em francês, mas pode ser razoavelmente traduzida)http://www.commeaucinema.com/pda/index.php?fiche=70587&p=42409

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Agência Senado - 17/11/2010 - Especialistas destacam necessidade do cuidado psicológico na primeira infância

17/11/2010 - 15h54
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Em audiência pública realizada nesta quarta-feira (17) pelas comissões de Educação, Cultura e Esporte (CE) e de Assuntos Sociais (CAS), especialistas destacaram a importância do atendimento psicológico durante a gestação e período neonatal. Na França, esse tipo de atendimento recebe apoio do Estado e as políticas públicas priorizam a o período perinatal (logo antes e logo depois do nascimento), bem como a adolescência, informou Bernard Golse, chefe do Serviço de Psiquiatria Infantil Hospital Necker-Enfants Malades, de Paris, na França.
Em sua avaliação, o desenvolvimento da saúde mental das crianças depende da preparação dos pais e das pessoas que cuidam do bebê. As funções a serem desenvolvidas pela criança no futuro, disse o especialista, começam a ser formadas início da vida do bebê. Portanto, o papel dos pais durante a gestação e primeira infância pode determinar a saúde mental do futuro adulto.
Também professor do Instituto de Psicologia da Universidade Paris, Sylvain
 Mossonier ressaltou que a primeira fase da vida repercutirá em todas as demais
etapas da vida do ser humano. Ele disse que o governo e os políticos franceses
 liberam recursos públicos para investimento na psicologia perinatal porque estão convencidos que o trabalho realizado nessa fase da vida tem melhor resultado
 para o futuro da pessoa.
- Ao falar da biografia de uma pessoa, deve-se incluir o período pré-natal, ressaltou Mossonier.
Antes da Segunda Guerra, observou Mossonier, a Psicologia e a Psiquiatria
 enfocavam o desenvolvimento dos adultos. No período pós-guerra, explicou,
começou a haver interesse pelas questões relacionadas à infância e adolescência
e só muito recentemente que os bebês receberam atenção dessa área da ciência.
Mossonier sugeriu, em sua apresentação, a realização de trabalho psicológico
pré-natal como forma complementar ao cuidado médico e a assistência social.
Ele se refere a esse cuidado como prevenção primária, já que atua na causa dos problemas antes mesmo de que apareçam. Há também, informou o pesquisador,
a prevenção secundária, quando há ação após o surgimento do problema, como,
 por exemplo, a gravidez na adolescência ou depressão pós-parto. Para ele,
a prevenção deve acontecer por meio de atividades permanentes e com a
integração entre os profissionais das diversas áreas envolvidas com o cuidado
ao bebê.
Toque
A professora emérita da Universidade de Wolverhampton, na Inglaterra, Elvidina
Nabuco Adamson-Macedo, destacou a importância do toque para o desenvolvimento
 do bebê, especialmente dos nascidos prematuramente. Ela apresentou o programa terapêutico de "nutrição sensorial", que contribui para o melhor desenvolvimento
 dos bebês.
O programa terapêutico TAC-TIC (Touching and Caressing - Tender in Caring), uma abordagem que enfatiza a nutrição sensorial por meio de carícia aplicada em
prematuros durante a hospitalização, disse Elvidina, mostrou melhor
desenvolvimento desses bebês. O sistema conta com a participação dos pais e
utiliza suavidade, leveza, ritmo, equilíbrio e continuidade como princípios,
explicou.
Ela disse que ainda há, em todo o mundo, muitas Unidades de Tratamento
Intensivo de recém-nascidos - as UTI's neonatais - com muito barulho e alta
luminosidade e ainda não permite o toque dos pais ao bebê. Em sua avaliação,
 o bebê prematuro teve interrompida a relação com a mãe e o toque contribui
 para ajudá-lo na recuperação.
Elvidina destacou o pouco investimento do estado brasileiro em pesquisa sobre
o tema e atendimento psicológico a essa primeira fase da vida. Ela ainda
observou que não há muitos psicólogos trabalhando na perinatalidade.
Audiência pública foi realizada dentro da programação da semana de
valorização da primeira infância e cultura da paz, organizada pelo Senado
Federal, que acontecerá até a próxima sexta-feira (19).
Iara Farias Borges / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)













































quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

    
 Laços à primeira vista







A CONEXÃO QUÍMICA QUE A MÃE ESTABELECE COM O BEBÊ NA PRIMEIRA HORA DEPOIS DO NASCIMENTO MOSTRA COMO SERÁ O RELACIONAMENTO ENTRE ELES E AJUDA A DETERMINAR A FUTURA SAÚDE EMOCIONAL E FÍSICA DA CRIANÇa.


POR PATTY ONDERKO / TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO POR RAQUEL BEER, FILHA DE MARCIA E ANDRé
Imediatamente depois que os gêmeos de Patty Onderko, colunista da revista americana Parenting, nasceram via cesárea, quase três anos atrás, uma enfermeira colocou cada bebê de um lado da mãe, para tirar uma foto. Segundo ela, foi estranho ver os dois pequenos, presos a ferramentas e aparelhos médicos, mas os dois bebês estavam saudáveis, e ela e seu marido estavam felizes. 
>> Veja como o contato pele a pele pode ajudar na conexão entre mãe e bebê

Nos anos que se seguiram, ela diz sempre ter se perguntado para onde os bebês teriam ido depois que os segurara. “Eu sei que fiquei no centro cirúrgico por pelo menos uma hora, talvez mais. Depois eu comecei a desmaiar e acordar de exaustão, antes de acordar em um quarto de recuperação, onde eu me reuni aos pequenos”, conta Patty. “Para onde eles foram e o que fizeram nessa uma hora é um mistério para mim”.
>> O estresse pode fazer com que os genes do bebê se manifestem de um jeito diferente

Essa pequena falta, na maioria das vezes, passa batido pelas mães, como foi o caso da colunista. Elas só começam a se incomodar com ela quando descobrem o que é chamado de “hora de ouro pós-parto”, o melhor momento que mãe e bebê têm para formar uma ligação química intensa. Durante o nascimento, o corpo da mulher libera ocitocina, um hormônio que causa contrações uterinas e ajuda o bebê a sair. A ocitocina também é um hormônio de bem-estar, muito influente na criação de laços; ela é liberada durante o orgasmo e na amamentação. Depois que se dá à luz uma criança, mãe e bebê ficam sob influência do hormônio, criando um momento de “amor à primeira vista”. Além disso, os odores lançados por mãe e bebê durante o parto contam com feromônios (substâncias químicas) que atraem um para o outro, e até impulsionam o bebê ao seio da mãe, para que ele comece a mamar.

Especialistas dizem que os laços que mãe  e filho desenvolvem durante esse período não apenas estabelecem o “clima” do relacionamento, mas também ajudam a determinar o futuro emocional e a saúde física da criança com décadas de distância. A Academia Americana de Pediatras (AAP) encoraja as mães a maximizarem o contato de pele com pele nesses primeiros minutos da vida do pequeno.

Isso não significa que mães que foram separadas dos bebês estão amaldiçoadas ou qualquer coisa do gênero. O pediatra, editor colaborador da Parenting, pai do movimento de ligação familiar e autor de mais de 40 livros sobre a paternidade diz que “criar laços não é um tipo de cola instantânea”. Também não é um jogo. “Não é porque você não segurou seus filhos na hora depois do nascimento que o relacionamento de vocês está acabado”, defende. “Nunca é tarde para começar a se aproximar. Eu já vi pais que adotaram crianças de um ano: mesmo que demore um pouco mais para criar laços, acontece. Você sempre pode superar o tempo perdido”. O importante é o que vocês fazem nos momentos que passam juntos, seja logo após o nascimento ou depois.

"É a qualidade dos momentos que importa, não a quantidade", diz Dr. Chopra. Então não sinta como se você precisasse ficar sentada dia e noite, colada ao pequeno. Na verdade, ignorar suas próprias necessidades em favor do bebê não vai fazer nenhum bem. “Uma mãe precisa de tempo para recarregar as energias”, afirma a especialista. “De outro modo, ela não estará apta a dar ao bebê a atenção de qualidade que ele precisa”. Solicite apoio de seu parceiro, família e amigos para que você possa aproveitar essa intimidade com o seu bebê, em vez de ressenti-la.

Se você vai dar à luz, faça esforço para aproveitar esses primeiros momentos (ou seja, a hora de ouro).De acordo com a AAP, você deve se sentir confortável o suficiente para pedir a enfermeira que espere alguns minutos para continuar com os procedimentos. Assim, você poderá segurar o pequeno e deixar que ele se aproxime do seu seio para a primeira mamada. Evite se cobrir, para que vocês consigam aproveitar o contato pele a pele nos primeiros minutos.

Caso você não tenha tido essa oportunidade, não se preocupe. Simplesmente ficar olhando para o pequeno ou mexer nos dedinhos está longe de ser tempo perdido. Na verdade, é uma oportunidade de iniciá-lo em uma jornada saudável que irá, se tudo der certo, guiá-lo para o resto da vida.

Fonte: Parenting 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010


"CRIANÇA FERIDA CRIANÇA QUE FERE"
18 E 19 DE NOVEMBRO DE 2010




Foi muito bom poder compartilhar com os 150 monitores da educação infantil, o olhar da psicoterapeuta e psicopedagoga suíça Alexandra Bosworth sobre as crianças feridas. 
"Criança ferida criança que fere" - a obra de Alexandra traz um novo olhar para os comportamentos "difíceis" como o vandalismo, a agressividade, a violência, o roubo, a mentira... 
Tais comportamentos expressam as feridas que essas crianças desenvolveram na base da sua constituição emocional, pois tiveram dificuldades no desenvolvimento do apego na fase mais primitiva da relação mãe-bebê.
Agradeço a abertura de todos os profissionais da Educação Infantil de Vinhedo/SP que permitiram esse novo olhar...
Abraço fraterno e até dezembro!!!
Rosângele Monteiro Prado

Outros post no link ao lado, na página Prefeitura de Vinhedo

terça-feira, 9 de novembro de 2010

"Criança ferida, criança que fere" com Alexandra Bosworth

                                                                   
                 


Neste vídeo a pedagoga e psicoterapeuta Alexandra Bosworth fala sobre "os pedidos emocionais" da criança ferida oferecendo um entendimento e auxiliando no acolhimento à essas crianças.
Uma imagem do seu livro "Criança ferida, criança que fere - método educativo especial para pais de crianças com problemas de apego", traz uma árvore cuja raiz contém as feridas. Faz uma associação à presença das feridas na base emocional da criança.
O apego e o vínculo estão na base do desenvolvimento emocional, e quando algo não pôder ser vivido harmonicamente nesta base, surgem as feridas.
Esta consciência traz um reforço para a importância do cuidado psicoprofilático da relação mãe-bebê.





quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Por que o bebê chora?

A Psicanalista Luciana Saddi fala sobre o choro dos bebês e de seus possíveis desencadeantes.
No áudio abaixo, a especialista aponta que satisfação, dor, raiva e até culpa podem ocasionar uma crise de choro.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

A canção de qualquer mãe




Que nossa vida, meus filhos, tecida de encontros e desencontros, como a de todo mundo, tenha por baixo um rio de águas generosas, um entendimento acima das palavras e um afeto além dos gestos – algo que só pode nascer entre nós. Que quando eu me aproxime, meu filho, você não se encolha nem um milímetro com medo de voltar a ser menino, você que já é um homem. Que quando eu a olhe, minha filha, você não se sinta criticada ou avaliada, mas simplesmente adorada, como desde o primeiro instante. 
Que, quando se lembrarem de sua infância, não recordem os dias difíceis (vocês nem sabiam), o trabalho cansativo, a saúde não tão boa, o casamento numa pequena ou grande crise, os nervos à flor da pele – aqueles dias em que, até hoje arrependida, dei um tapa que ainda agora dói em mim, ou disse uma palavra injusta. Lembrem-se dos deliciosos momentos em família, das risadas, das histórias na hora de dormir, do bolo que embatumou, mas que vocês, pequenos, comeram dizendo que estava maravilhoso. Que pensando em sua adolescência não recordem minhas distrações, minhas imperfeições e impropriedades, mas as caminhadas pela praia, o sorvete na esquina, a lição de casa na mesa de jantar, a sensação de aconchego, sentados na sala cada um com sua ocupação.
Que quando precisarem de mim, meus filhos, vocês nunca hesitem em chamar: mãe! Seja para prender um botão de camisa, ficar com uma criança, segurar a mão, tentar fazer baixar a febre, socorrer com qualquer tipo de recurso, ou apenas escutar alguma queixa ou preocupação. Não é preciso constrangerem-se de ser filhos querendo mãe, só porque vocês também já estão grisalhos, ou com filhos crescidos, com suas alegrias e dores, como eu tenho e tive as minhas. Que, independendo da hora e do lugar, a gente se sinta bem pensando no outro. Que essa consciência faça expandir-se a vida e o coração, na certeza de que aquela pessoa, seja onde for, vai saber entender; o que não entender vai absorver; e o que não absorver vai enfeitar e tornar bom.
Que quando nos afastarmos isso seja sem dilaceramento, ainda que com passageira tristeza, porque todos devem seguir seu caminho, mesmo que isso signifique alguma distância: e que todo reencontro seja de grandes abraços e boas risadas. Esse é um tipo de amor que independe de presença e tempo. Que quando estivermos juntos vocês encarem com algum bom humor e muita naturalidade se houver raízes grisalhas no meu cabelo, se eu começar a repetir histórias, e se tantas vezes só de olhar para vocês meus olhos se encherem de lágrimas: serão apenas de alegria porque vocês estão aí. Que quando pareço mais cansada vocês não tenham receio de que eu precise de mais ajuda do que vocês podem me dar: provavelmente não precisarei de mais apoio do que do seu carinho, da sua atenção natural e jamais forçada. E, se precisar de mais que isso, não se culpem se por vezes for difícil, ou trabalhoso ou tedioso, se lhes causar susto ou dor: as coisas são assim. Que, se um dia eu começar a me confundir, esse eventual efeito de um longo tempo de vida não os assuste: tentem entrar no meu novo mundo, sem drama nem culpa, mesmo quando se impacientarem. Toda a transformação do nascimento à morte é um dom da natureza, e uma forma de crescimento.
Que em qualquer momento, meus filhos, sendo eu qualquer mãe, de qualquer raça, credo, idade ou instrução, vocês possam perceber em mim, ainda que numa cintilação breve, a inapagável sensação de quando vocês foram colocados pela primeira vez nos meus braços: misto de susto, plenitude e ternura, maior e mais importante do que todas as glórias da arte e da ciência, mais sério do que as tentativas dos filósofos de explicar os enigmas da existência. A sensação que vinha do seu cheiro, da sua pele, de seu rostinho, e da consciência de que ali havia, a partir de mim e desse amor, uma nova pessoa, com seu destino e sua vida, nesta bela e complicada terra. E assim sendo, meus filhos, vocês terão sempre me dado muito mais do que esperei ou mereci ou imaginei ter.




Este texto da Lya Luft saiu na Veja de 12/maio. 

Foi minha amiga-irmã Claudia Rezende (Austrália) quem me indicou o texto.
 Obrigada querida...