quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Oficina de Sling


"A nossa sociedade custa muito a reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do intestino, o sistema nervoso... Prefere-se pensar que o bebê está doente, que precisa de remédios."

"No Canadá, Hunziker e Barr demonstraram que se podia prevenir a cólica do lactente recomendando às mães que pegassem seus bebês no colo várias horas por dia. É muito boa idéia levar os bebês pendurados, como fazem a maior parte das mães do mundo. Hoje em dia é possível comprar vários modelos de carregadores de bebês nos quais ele pode ser levado confortavelmente em casa e na rua. Não corra para colocar o bebê no berço assim que ele adormecer; ele gosta de estar com a mamãe, mesmo quando está dormindo. Não espere que o bebê comece a chorar, com duas ou três semanas de vida, para pegá-lo no colo; pode acontecer de ter “passado do ponto” e nem no colo ele se acalmar. Os bebês necessitam de muito contato físico, muito colo, desde o nascimento. Não é conveniente estarem separados de sua mãe, e muito menos sozinhos em outro cômodo. Durante o dia, se o deixar dormindo um pouco em seu bercinho, é melhor que o bercinho esteja na sala; assim ambos (mãe e filho) se sentirão mais seguros e descansarão melhor."

Do livro Un regalo para toda la vida- Guía de la lactancia materna,Carlos González

Tradução: Fernanda Mainier


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Oficina de Shantala

Novidades lá no Ninho Materno!
Oficina de Shantala!

Finalmente Valinhos tem um espaço que orienta, acolhe e ama cuidar das mães, dos bebês e das famílias!


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

terça-feira, 23 de setembro de 2014

terça-feira, 16 de setembro de 2014

In company


O Ninho Materno na modalidade "in company" oferece cursos, palestras, workshop e oficinas para empresas, escolas, hospitais e instituições.
Temos uma equipe multiprofissional especializada na área materno-infantil.
Para conhecer a proposta e o catálogo, envie um email para ninhomaterno@gmail.com






segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A chegada do bebê e as muitas mudanças na vida da mãe


As emoções, as prioridades, o relacionamento, o sono, os horários, a carga de trabalho... Tudo muda com a maternidade. Como lidar com essa nova vida.

Entrevista ao site Disney Bubble

Mãe e bebê








               
No exato momento em que você descobre que está grávida, uma chave vira na sua vida: ela nunca mais será a mesma, sobretudo porque ganha um novo sentido.
As mudanças já ocorrem no período da gestação e, com a chegada do bebê, só aumentam. E não estamos falando apenas da transformação do corpo, que é a mais visível - as demandas físicas e emocionais do cargo de mãe são diversas.
Patrícia Rodrigues Peres, 35 anos, administradora e mãe do pequeno Matheus, 6 meses, confessa que subestimou as transformações. “Durante a gravidez, eu imaginei que as minhas prioridades mudariam, assim como os horários, que seriam mais regrados, mas não pensei que seriam tantas mudanças! Depois que o Matheus nasceu, tive 3 meses de reclusão social total, vivi para ele”, afirma.
A entrega, é claro, foi cansativa. “Sentia o peso da responsabilidade de ter que cuidar de um recém-nascido. Cheguei a sentir um pouco de saudade da minha vida sem filho. Mudei meus horários de dormir e acordar, troquei os banhos demorados por duchas rápidas enquanto ele dormia e nunca encontrei tão fácil uma roupa pra vestir. Tudo correndo, com pressa.”, lembra-se.
Hoje, passados 6 meses, as mudanças atingem os passeios. “Preferimos parques abertos, restaurantes espaçosos e não muito lotados e tentamos remanejar os compromissos e convites de acordo com os horários das mamadas e papinhas. Sem contar a quantidade enorme de coisas que temos que levar toda vez que saímos de casa”, conta.
A sensação, apesar das mudanças de rotina? “Posso garantir que é o amor mais puro, verdadeiro e imensurável que já senti na vida. Faz tudo valer a pena”, frisa.
Prazer, mãe!
Pois esse conjunto de mudanças traz consigo um dos maiores ganhos da maternidade: o autoconhecimento.
“Propor-se a vivenciar a maternidade – e a paternidade – com essa perspectiva, de que há um processo intrínseco de autodesenvolvimento e aprendizagem, favorece a adaptação aos novos papéis”, destaca Rosângele Monteiro, especialista em Psicologia Perinatal e Terapia Sistêmica de Famílias e coordenadora do grupo Ninho Materno.
Com a ajuda de especialistas, levantamos algumas questões relacionadas a esse período tão delicado – e, ao mesmo tempo, intenso – que é a chegada de um bebê. Saiba que você não está sozinha. Entendemos que lidar com tantas mudanças em tão pouco tempo não é nada fácil - mas não impossível!
Bebê
É preciso se preparar para as mudanças?
“Poder se preparar para a maternidade durante a gestação fará uma diferença importante no pós-parto, momento em que a maternidade se ‘materializa’ com a chegada do bebê. Fazer um pré-natal psicológico possibilita à mulher olhar para este processo, para este novo espaço de relacionamento tão significativo”, explica Rosângele.
Do ponto de vista prático, os preparativos ficam por conta dos cuidados com a saúde. “A mãe já deve se alimentar e hidratar bem desde a gestação para que isso vire um hábito e permaneça após o nascimento do bebê. É claro que ela não deve fumar nem ingerir bebidas alcoólicas. Deve também preparar as mamas para a amamentação, tomando sol nos mamilos e hidratando bem a pele local”, recomenda Julie Anne Colnago, especialista em Pediatria e Hematologia Pediátrica.
Alterações na rotina
“A principal mudança que ocorre com a chegada do bebê é referente à rotina da própria mãe em relação ao sono, à alimentação e à amamentação. E claro, a casa, o marido e a profissão. Se ela já tinha que se desdobrar antes para dar conta de tudo, agora ainda mais”, analisa Julie.
A pediatra explica que é difícil fazer algum tipo de treinamento antes da chegada do bebê, pois cada recém-nascido reage de uma forma. “O bebê não tem rotina para comer ou dormir, pois deve ser amamentado em livre demanda, ou seja, a hora que ele quiser. Como também costuma dormir em média 20 horas por dia, é impossível criar uma rotina de sono logo após o nascimento”, observa.
Mas, a partir dos 6 meses, já fica mais fácil organizar as demandas e são elas que facilitarão a vida da mãe. “A dica é ser firme com os horários, não substituir as refeições por leite, mesmo que a criança não coma muito, e preparar a hora do sono com som e iluminação propícias que estimulem a criança dormir. Na cama dela, é claro”, aconselha Julie.
A (auto)cobrança
O medo de não ser a mãe perfeita atinge a maioria das mulheres. No entanto, se tornar mãe é um processo – e não um evento que ocorre da noite para o dia. Inevitavelmente haverá acertos e erros no caminho. O importante é saber que não há problema algum em errar.
“Com a maternidade a mulher passa a vivenciar um papel inaugural. Não aprendemos a ser mãe, vamos entrar nesse novo lugar, nunca antes visitado, viver e aprender essa experiência ao mesmo tempo”, diz Monteiro.
Lembre-se: a chegada do bebê é um fenômeno da família e dividir as expectativas e responsabilidades é saudável para todo mundo!
“Não tenha medo de deixar seus filhos com o marido, os avós ou outras pessoas de confiança para ir passear, cuidar da beleza, trabalhar. A vida continua e delegar tarefas faz parte de um trabalho bem feito. A criança também sai ganhando ao ter contato com outras pessoas que não sejam a mãe”, argumenta a pediatra Julie Anne Colnago.
As adaptações na vida prática
Desde a gestação, é importante que o casal se prepare para o pós-parto refletindo, dentro de sua realidade e do contexto de suas possibilidades, quais mudanças na vida prática serão necessárias.
“A mãe, fusionada emocionalmente com o bebê, fica menos disponível para as questões de ordem prática - contas, compras, cuidados com a casa etc. O pai tem o papel fundamental de cuidar da mãe e dessas demandas domésticas, quando isso é possível, para que ela fique disponível para o relacionamento e cuidados com o bebê”, alerta a psicóloga.
As relações sociais
É comum mulheres se queixarem de reclusão social nos primeiros meses após a chegada do bebê. Nessa hora, contar com uma rede de apoio é fundamental.
“Pedir ajuda, recorrer aos profissionais que assistem essa díade mãe-bebê, familiares e amigas, fazem muita diferença, principalmente porque, muitas vezes, a mãe está distante da família, o marido volta ao trabalho e ela se vê solitária neste momento que é tão intenso para ela. A mulher precisa de cuidados, descansar, estar bem, cuidar de si mesma para melhor cuidar de seu bebê”, enfatiza Rosângele. 
Bebê
Deixei de ser a funcionária do mês. E agora?
Quanto ao trabalho, é natural que você, a partir de agora, priorize voltar mais cedo para casa para curtir o seu bebê. Portanto, não se martirize por não fazer mais aquele monte de horas extras como antes. “Os relacionamentos passam por uma reformulação, a mulher reedita o seu lugar de filha, de esposa e também como profissional”, diz a psicóloga.
A vida a três
No caso do primeiro filho, a partir da chegada do bebê, onde antes havia um casal, agora existe uma família. E isso é uma mudança e tanto no relacionamento homem-mulher.
“Assimilar que se trata de um momento da vida, único, que traduz um projeto novo na vida do casal e fortalecer a parceria entre eles, faz uma diferença que otimiza essa adaptação” acredita Rosângele. “Muito se fala a respeito das mudanças que chegarão junto com o bebê, mas para cada casal essa experiência será única” reforça a psicóloga.
A pediatra Julie complementa: “Para mudar hábitos enraizados que não condizem com a presença de um bebê em casa é preciso muito diálogo e força de vontade por parte dos pais, pois, neste momento, eles precisam pensar no filho em primeiro lugar”.
O que mudou, de fato?
E para você, o que a maternidade mudou em sua vida? Fizemos essa pergunta para algumas mães e adoraríamos ter também o seu depoimento também. Deixe sua opinião nos comentários.
“O que mais mudou foi o meu dia a dia. Apesar do cansaço, está muito mais alegre e cheio de vida”,Aline Serrer Richter, 29 anos, mãe da Rafaela, 6 meses.
“A maior mudança é que meu filho é minha maior e MELHOR prioridade! Eu troco qualquer programação para ficar com ele!”, Patrícia Rodrigues Peres, mãe do Matheus, 6 meses
 “O que mais mudou na minha vida foi a compreensão da palavra amor. Nunca pensei que fosse possível existir um amor tão imensurável e irracional quanto o amor de uma mãe com seu filho”,Giselle Gaspareti, 30 anos, mãe do Gabriel, 9 meses.
“Acho que a maior mudança é que fazemos tudo pensando neles e ainda nos sentimos culpadas pelo que não fazemos, mas são descobertas e felicidades diárias!”, Claudia Frei Aramaki, 30 anos, mãe do Vinícius, 1 ano e 2 meses.
“Mudou tudo! Para começar, meu corpo, minha maneira de ver a vida, a organização da minha casa, minhas prioridades, minha paciência, minha sensibilidade, minha conta bancária, minhas roupas, e principalmente, minha capacidade de amar e de me surpreender com coisas e atitudes que certamente antes da Luísa não faziam diferença na minha vida. A maternidade me fez crescer e aprender através do mais sincero sentimento: o amor pela minha filha e a vontade de fazê-la feliz e amada todos os dias”, Lívia Russo Olhier, 29 anos, mãe da Luísa, 1 ano e 5 meses.
(Fotos: Getty Images)
http://www.disneybabble.com.br/br/beb%C3%AAs/chegada-do-beb%C3%AA-e-muitas-mudan%C3%A7as-na-vida-da-m%C3%A3e

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Workshop "Preparando o ninho - o que esperar do pós-parto?"

Convidamos as gestantes e casais gestantes para nosso workshop.
O pós-parto é uma experiência intensa na vida da família, repleta de desafios, mudanças e possibilidades.
A preparação para este momento é de grande importância, já que não vivemos em uma cultura onde realmente as mulheres e homens recebam orientações sobre maternagem e paternagem.
Precisamos ir além, e conversar sobre as intensas demandas do puerpério!
Sejam bem-vindos!


quarta-feira, 11 de junho de 2014

A importância da rede de apoio à maternidade, à paternidade e à família


Durante a gestação cada mulher desenvolve de maneira genuína, um processo de construção da maternidade, e do novo papel que estreará, mesmo que ela já seja mãe, pois há outra “carta inaugural” a ela destinada.
Tanto física quanto emocionalmente, a presença do filho vai se constituindo em um processo único e singular a cada nova gestação.
Mudanças físicas, emocionais e sociais batem à porta da família, e em especial da mulher, trazendo questionamentos e reflexões legítimas, nunca pensadas ou percebidas como importantes.
Diante dessas demandas, tem sido cada vez mais comum a busca por uma preparação para a maternidade, paternidade e para o parto. São propostas distintas, mas complementares, na medida em que seus objetivos visam oferecer um espaço de informação, troca e partilha acerca das vivências trazidas pela maternidade, desde a gestação, passando pelo parto e culminado no pós-parto.
O pós-parto é o momento em que a mulher e a família se deparam com a realidade que materializa o bebê e a experiência da maternidade e da paternidade reais, podendo trazer à tona aspectos com os quais, tanto a mãe quanto o pai, não puderam prever ou imaginar.
O bebê real, a família real e a mãe e o pai reais podem ser muito diferentes da idealização construída durante a gestação. Há um bebê que chora, uma mãe que está em processo de fusão emocional com este bebê, um pai que está buscando o seu lugar nesta nova configuração familiar e, às vezes, há outros filhos que estão digerindo a presença de um novo membro na família.
Conceitos e ideais não se confirmam diante das vivências trazidas pela real maternidade. Medos, angústias e dúvidas fazem parte da rotina materna, especialmente no pós-parto. Mesmo a mãe que tenha planejado a gravidez e esteja feliz com a maternidade, pode sentir tristeza e até uma vontade, ainda que eventual, de reaver a vida anterior ao nascimento do filho.
Essa também é a verdadeira, e legítima, parte que a maternidade real coloca na vida de mulheres, homens e famílias. Há uma parte que pode ser bela e realizadora, e há outra parte sombria e angustiante.
Novas dinâmicas nos relacionamentos, novas demandas físicas e emocionais da mulher-mãe, a experiência de ter um bebê em desenvolvimento intenso, além de várias outras adaptações postas pelas vivências do pós-parto, são desafiadoras e precisam de continência e orientação.
As mulheres da atualidade vivenciam a maternidade de maneira solitária e muitas vezes, isolada. No momento em que mais precisam de apoio, elas sentem-se sozinhas e abandonadas em suas avassaladoras experiências.
Há uma condição, característica do pós-parto, que é a fusão emocional mãe-bebê que, ao mesmo tempo evidencia novas demandas, também oferece as possibilidades desta mãe sentir seu bebê, e suas necessidades, tanto físicas quanto afetivas, e atendê-las.
Neste estado fusional, tanto mãe como bebê, compartilham do mesmo campo emocional, onde as emoções de um pertencem ao outro. Esta fusão coloca a mãe em uma experiência emocional diferenciada, sensível e muitas vezes angustiante.
A rede de apoio à maternidade, e à paternidade, é de fundamental importância nesta fase. Poder contar com uma rede protetiva, que possa promover a consciência necessária, o acolhimento e a informação, são de um valor ímpar!
Muitos podem fazer parte desta rede de apoio, tanto familiares, com ênfase especial ao pai/companheiro, como amigas, vizinhas e profissionais que compõem a assistência materno-infantil, para que a díade mãe-bebê seja apoiada neste momento delicado e complexo.
Uma amiga que leve um alimento, uma vizinha que ajude com a casa, um companheiro que possa compreender que a mulher-mãe está menos disponível neste momento, uma mãe que possa estar empaticamente vinculada à filha que acabou de parir, estas ações e posturas são favorecedoras de uma boa maternagem!
Também é muito importante que a mãe busque sair da sua possível solidão, e procure estar com outras mães, procure ajuda profissional e a sua rede de apoio.
Uma rede de apoio que auxilie a maternidade e a paternidade pode se revelar como promotora de saúde física e emocional na vida da nova família que acabou de nascer!


Rosângele Monteiro
Psicóloga Perinatal
Terapeuta Sistêmica Familiar Integrativa

Artigo publicado para edição 16 ano VIII do Guia Bebê
Sob o título: "Como funciona a rede de apoio à maternidade
Junho/2014

quinta-feira, 5 de junho de 2014

"Prevenção de Doenças na Infância"


O Ninho Materno tem a honra de receber o Dr. Edison Rosa, pediatra antroposófico, para uma conversa sobre cuidados na infância e prevenção de doenças.

Convidamos gestantes, mães e pais para este bate-papo!

As vagas são limitadas.



sexta-feira, 23 de maio de 2014

Maternagem e cuidados com o bebê

O Ninho Materno convida mães, pais e gestantes para um encontro onde falaremos sobre um tema muito importante para uma educação perinatal consciente: Maternagem e cuidados com o bebê.
Porque mães, pais e crianças precisam de acolhimento, cuidado e informação!
Sejam bem-vindos!


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Estudo: 90% das mães mentem que estão lidando bem com o bebê.


A pressão em conseguir cumprir os papéis da maternidade fazem com que mulheres sofram problemas caladas e recusem ajuda.


"Já se perguntou por que para muitas mulheres a maternidade parece tranquila, enquanto você passa noites sem dormir, não come direito e vive sob altos níveis de estresse? Um estudo pode resolver o problema: a maioria das mulheres mente sobre as dificuldades em ser mãe. O estudo, feito pela Kiddicare descobriu que as mulheres tendem a exagerar o quão bem estão lidando com a chegada do bebê. Das 1 mil entrevistadas, 90% disseram “estar indo bem”, quando não era verdade. As informações são do Daily Mail.
O estudo descobriu também que 41% das mães não gostam de pedir ajuda ou até mesmo aceitar auxílio de familiares e amigos por medo de demonstrarem que não estão dando conta dos cuidados com o filho. Segundo a pesquisa, 79% das mulheres consideraram os primeiros três meses mais difíceis do que o imaginado e mesmo com toda a tecnologia do século 21, 84% afirmaram que ser mãe hoje é mais difícil do que foi para as gerações anteriores.

"Pode parecer estranho que as pessoas que encontram dificuldade em lidar com a chegada do bebê relutem a pedir ajuda, mas a pressão para provar que podem fazer tudo direito é esmagadora”, afirmou Vicky Shepherd, porta-voz da Kiddicare. De acordo com o estudo, o que ajuda é ouvir experiências, boas e más, de outras mães.
Em resposta aos resultados, a Kiddicare lançou um site com o objetivo de reunir relatos de mães experientes que possam ajudar as que acabaram de ter um bebê. Entre os maiores desafios da maternidade, o estudo listou: falta de sono (69%), pressões financeiras (35%), problemas de relacionamento (31%), sair de casa com o bebê (30%) e pressão para saber todas as respostas (22%)."


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Fusão emocional mãe-bebê e o pós-parto


O pós-parto é um período onde há intensas mudanças emocionais na vida da mulher/mãe. Além das alterações físicas e hormonais, vividas desde a gestação, o pós-parto traduz-se em uma fase de grande sensibilidade.

Caracteriza-se por um período onde ocorre uma fusão emocional entre a mãe e o bebê. É um estado onde há um campo emocional compartilhado entre os dois.

Esta é a condição que possibilita à mãe uma ligação profunda e sensível com o seu bebê, suas demandas e características, e que a torna mais permeável à possibilidade de decifrar o bebê.

Estar fusionado emocionalmente significa estabelecer uma conexão onde a mãe se torna a “mãe-bebê” e o bebê se torna o “bebê-mãe”. As emoções de ambos circulam livremente entre eles, aonde aquilo que parte das necessidades emocionais do bebê chega ao campo emocional da mãe, e vice-versa. O que é de um deles passa a ser do outro.

Assim, além dos pedidos emocionais de cada um, circulam neste campo as angústias, os medos, as inseguranças, as alegrias, as conquistas, a excitação e a ansiedade.

O bebê está vivendo um período de intensa adaptação ao mundo externo, que é muito diferente daquele a que estava acostumado no útero materno. Agora ele está fisicamente separado e precisa funcionar de modo independente do corpo da mãe. Há um tempo de construção onde será constituído o ser, mas por hora o bebê é um com o outro.

A mãe vive, ao mesmo tempo, um período onde há um sentimento de perda de identidade e de estar “enlouquecida” por perder as referências anteriores.  Frente às intensas mudanças, a mãe precisa, aos poucos, construir o novo papel, com novas referências.

Com a fusão emocional vem a possibilidade do contato com a sombra materna, aqueles aspectos da vida emocional com os quais a mãe não pode lidar, por suas questões pessoais, e que agora podem ser sentidos, vistos, reconhecidos e servirem de caminho para o seu autodesenvolvimento.

Como mãe e bebê partilham do mesmo campo emocional, ele também entra em contato com a sombra da mãe, e a sente como sendo sua também. Expressa em si mesmo, em seu corpo, as emoções da mãe. Quando um bebê chora angustiadamente, não podemos afirmar se chora por ele ou por uma condição emocional da mãe.

O período da fusão emocional entre mãe-bebê dura em torno de nove meses, onde parece acontecer uma outra gestação, a gestação de uma nova identidade materna e de um bebê cada vez mais autônomo. Mas esse processo está relacionado a outro, que é o de “des-envolvimento” do bebê.

Na fase da fusão emocional o envolvimento é necessário para criar essa outra condição de “des-envolvido”. É a fusão que favorece esse processo.

Por outro lado, há certo desligamento natural das coisas que não são desse mundo fusional. O pai pode sentir esse momento como sendo colocado para fora dessa relação, tanto com a mãe, como com o bebê. O que de certa maneira é real, pois a fusão pertence, neste momento inicial, à relação da mãe com o bebê. O pai pode se transformar em um ser fusional com o bebê em um segundo momento. 

Assim, é natural quem ocorram todas essas modificações, tanto físicas, como emocionais e relacionais, no momento em que uma família recebe um bebê!

Todos necessitam de acolhimento, continência e tempo para acomodarem sua nova condição.
E aqueles que fazem parte da rede sistêmica e social desta nova família, também precisam ter consciência e conhecimento desta nova fase. Julgamentos e falta de um olhar íntimo para as novas dinâmicas, não ajudam e ainda podem ser determinantes na condução de situações desafiadoras e difíceis.

Fica a dica!
Por uma educação pré-natal, com consciência e amorosidade!
Grata, até a próxima!



Rosângele Monteiro

Psicóloga Perinatal e Terapeuta Sistêmica de Famílias
Gestantes, Pós-parto, Mãe-Bebê-Família
Adolescentes, Casais e Famílias

Coordenadora do Ninho Materno - Maternidade, família e infância.

www.rosangeleprado.blogspot.com
www.facebook.com/NinhoMaterno




segunda-feira, 12 de maio de 2014

Terapeuta argentina reflete sobre o vínculo entre mãe e filho

  
    Laura Gutman diz que não há como estabelecer vínculos saudáveis com nossos filhos sem revisitar a própria infância. 
Saiba mais!


Terapeuta especializada em temas de família, Laura Gutman graduou-se em Paris na década de 1980 sob a batuta da analista Françoise Dolto. Fundou o Instituto Crianza, na Argentina, onde funciona uma escola de capacitação para profissionais da saúde e educação e grupos de atendimento ligados a temas da maternidade e infância. Seu primeiro livro traduzido no Brasil, A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra (BestSeller), que já vendeu cerca de 15 mil exemplares, virou hit entre as mulheres que pensam a maternidade como um bom momento para saber mais sobre si mesma. Em 2013, Laura lançou o livro O Poder do Discurso Materno (Summus), em que trata mais detalhadamente de seu método de biografias humanas, processo que mapeia a infância de cada um de nós para concluir qual foi o personagem que nossas mães nos concederam — e que, evidentemente, não corresponde ao que somos hoje em dia. Em uma de suas palestras, emocionou a plateia ao dizer: "Conhece sua parte mais secreta, aquilo que você esconde até de você mesma, a fim de que ela não se projete sobre seus filhos", numa interpretação livre da célebre frase de Jesus Cristo: "Conhece-te a ti mesmo". Pois é isso. Para Laura, uma boa mãe não vem pronta. Ela se questiona e se avalia o tempo todo.

Em que medida tratar da própria infância tem a ver com a criação dos nossos filhos?
Tem tudo a ver. Nossa infância é a semente daquilo que somos. E também o que move os fios de nossa vida cotidiana e a forma como nos vinculamos com as crianças de hoje. Se fomos desamparados durante a infância, abusados ou abandonados de diferentes formas, logo reagimos, e essa reação está no adulto que nos tornamos. E usaremos essas mesmas estratégias de sobrevivência para nos vincularmos hoje. Por isso é tão importante recorrer primeiro ao verdadeiro cenário da nossa infância antes de pretendermos ser boas mães ou bons pais.

E o que significa ser uma boa mãe?
Uma boa mãe, um bom pai, uma boa pessoa é aquela que está disposta a olhar os aspectos de si mesma, aqueles que não admite nem reconhece como próprios. É aquela que está disposto a refletir, escutar e olhar a sua realidade com uma nova lente. É aquela que faz perguntas permanentemente.

Nós impomos aos nossos filhos os nossos desejos e necessidades. De que maneira isso acontece e por quê?
Isso é muito comum. É difícil observar claramente uma criança e aceitar que aquilo que ela necessita — ou reclama — é legítimo apenas para ela, ainda que não tenha importância nenhuma para nós. Em geral, os adultos têm um ponto de vista sobre cada coisa: o que é correto, incorreto, útil, bom, positivo. Pretendemos educar a criança segundo nossos parâmetros, em vez de observar primeiro e estar à disposição do desenvolvimento espontâneo de cada criança.

Você diz que quando nascemos somos nomeados por nossas mães. Esse personagem cuida de nós durante toda a vida. Por quê?
Lamentavelmente, quando a criança pequena nos pede algo (presença, colo, carinho, corpo materno, escuta, tempo, empatia ou nutrição) e nós, mães, não estamos em condições de satisfazê-la, nomeamos essa criança segundo nossas apreciações subjetivas: ela é caprichosa, é boa, é mal educada, é terrível, é exigente. Na verdade, ela "não é" tudo isso. Simplesmente pede aquilo de que necessita. E pede de maneira "audível" pelo adulto. Mas as interpretações que nós, adultos, fazemos muitas vezes estão distantes da realidade afetiva da criança. É o mesmo que aconteceu conosco, quando éramos crianças, mas não temos nenhum registro disso.

Você diz que um dos primeiros atos de violência contra uma criança é privá-la do "prazer físico-sensorial". Isso significa amamentação? Ou o contato físico com a mãe?
Os seres humanos são mamíferos. Nascemos do ventre de uma mãe e necessitamos desesperadamente ser protegidos pelo corpo materno. Privar as crianças do prazer de estar em contato permanente com a mãe é um desastre ecológico. Estamos reprimindo todo o prazer, todo o pulso vital e toda implantação sensorial da criança para o resto da vida. A amamentação é parte disso - mas, sem a permanência da criança sobre o corpo da mãe, a própria amamentação não pode prosperar.

O que significa ignorar o choro de um bebê?
Creio que é a violência mais atroz: a violência do desamparo. É a semente do sofrimento humano.

As mães deveriam, então, deixar de trabalhapara estar mais presentes e se vincular aos filhos?
É fantástico que nós, mulheres, trabalhemos. Eu trabalho desde os 15 anos. A autonomia e a liberdade são fundamentais e são direitos de cada adulto, homem ou mulher. Eu escrevi em vários livros que é frequente que as mães, incapacitadas de se vincular afetivamente com os filhos, usem o trabalho como lugar de refúgio para não enfrentar o desafio da intimidade emocional que uma criança pede. Eu sou feminista. E o trabalho não tem nada a ver com a capacidade de se vincular afetivamente.

O trabalho não rouba o tempo com as crianças?
Não, essa é uma desculpa. O trabalho não é um predador da relação afetiva entre a mãe e seu filho. A única coisa que fere a relação entre mãe e filho é a incapacidade afetiva. Podemos trabalhar, sim, se precisamos, se gostamos e se isso nos faz felizes. O problema é voltar para casa e ter o desejo de conectar-se novamente com a criança. Em geral, a volta para casa nos angustia e preferimos escapar via iPhone, internet ou qualquer outra atividade social que devolva nossa identidade.

Fonte: http://bebe.abril.com.br/materia/terapeuta-argentina-reflete-sobre-o-vinculo-entre-mae-e-filho

sexta-feira, 9 de maio de 2014

As mães/profissionais do Ninho Materno...


Pensamos em homenagear as mães falando da nossa vivência pessoal como mães.
E pra dizer que somos todas mães em busca de si mesmas!
Essa é a missão do Ninho Materno, reconhecer a maternidade possível e genuína, e acolhê-la com afetividade, compreensão e orientação.
Feliz Vida a todas nós... mães!



domingo, 20 de abril de 2014

"Limites" - Roda de Mães

Vamos conversar sobre a importância dos limites na educação dos filhos!
Bate-papo com troca de experiências e informação profissional.
Vagas limitadas.


quinta-feira, 10 de abril de 2014

segunda-feira, 24 de março de 2014

"O instinto materno existe?"


Laura Gutman
Tradução: Marcia Ferraz    
                                  

"O instinto de proteger, cuidar, nutrir e amparar um filho só se pode manifestar a medida que esse filho exista e tenhamos uma relação amorosa com ele. Agora, nós necessitamos de instinto materno para engravidar? Não, definitivamente não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ficamos grávidas porque somos férteis, porque tivemos contato sexual com um homem e porque faz parte da natureza humana. O instinto aparece mais tarde, quando o bebê nasce. A partir desse momento há um bebê necessitando de cuidados maternos que desperta nossa capacidade de amar.
Mas, uma vez que o bebê tenha nascido, sempre aparecerá o instinto materno? Porque muitas mães não sentem “isso” em relação a seus filhos? Porque nossa capacidade de protegê-lo e ampará-lo depende da repressão sexual que temos vivido durante toda a nossa vida, do desamparo a que fomos submetidas durante a nossa infância e da moral, do autoritarismo afetivo e d a rigidez que ainda hoje persistem e fazem parte de nossa maneira de ser. É como dizer que uma vez que temos um bebê real em nossos braços nos encontraremos com nossa capacidade ou incapacidade de cuidar, baseando-se em nossa história emocional passada, da qual geralmente não temos uma memória clara. De toda maneira, a função materna é algo que se aprende buscando referências externas e sempre quando reconhecemos o quanto é difícil para nós atender as demandas de um bebê pequeno.
Em todos os zoológicos do mundo, se sabe que qualquer fêmea criada em cativeiro, terá poucas chances de conceber e dar a luz a sua cria. E se isso acontecer, dificilmente a reconhecerá como sua e possivelmente terá dificuldades para amamenta-la e protege-la. Mas os cuidadores do zoológico a ajudarão e a cria possivelmente sobreviverá. Lamento essas comparações, mas a nos mulheres acontece algo parecido : atravessamos nossas gestações totalmente despidas de nosso auto-conhecimento e em seguida parimos em cativeiro: amarradas, espetadas por agulhas, ameaçadas e apressadas. Então, logicamente, imediatamente depois do nascimento nos ocorre que desconhecemos nossa cria. Nós, mães temos que fazer um esforço intelectual para reconhecer a este filho como próprio, com a culpa e a vergonha de pensar internamente que não possuímos esse valioso “instinto materno”.
Uma mãe pode ter uma fluidez extraordinária para atender intuitivamente as necessidades do bebê? Sim, claro, mas precisa ter vivido uma infância ideal! Se tivermos recebido suficiente amparo, contato corporal, palavras carinhosas, olhares exclusivos, peitos, disponibilidade emocional e explicações ao longo de toda a nossa infância, é muito mais provável que possamos responder instintivamente as necessidades do bebê. Caso contrário, necessitaremos de apoios externos que nos guiem até o amor e nos libertem dos preconceitos."

Laura Gutman
Tradução: Marcia Ferraz em 23/03/14 para Ninho Materno - Maternidade, Família e Infância.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Adaptação Escolar e Volta ao trabalho

Roda de Mães de 29 de março de 2014

     O processo de adaptação escolar, quer seja pela entrada no berçário ou em fases posteriores, traz grandes mudanças nos vínculos afetivos do bebê.
     Se a mãe está voltando ao trabalho, e o bebê vai para o berçário ou vai ficar com outro cuidador, ela também passa por um processo de adaptação.
     Voltar ao trabalho depois de viver a experiência da fusão emocional com seu bebê, traz conflitos, angústias e sentimentos ambivalentes para a mãe.
     É possível se preparar para esse momento?
     O que é importante saber, do ponto de vista do desenvolvimento emocional do bebê acerca dessa transição?
     O que esperar da escola no favorecimento desse processo?
     Que tipo de apoio a mãe vai precisar nesta nova fase da maternidade? 
     Essas e outras questões serão abordadas nesta roda, para acolhimento, informação, troca e partilha entre  mães e profissionais.
     Bem-vindas!



domingo, 9 de março de 2014

Por que é importante cuidar de mães e bebês?


Entrevista : Bernard Golse


A mãe suficientemente boa é aquela que se permite ser imperfeita. A afirmação é do psiquiatra infantil e psicanalista francês Bernard Golse, pai de Veronique e Nicholas, um dos pediatras mais respeitados do mundo, que esteve no Brasil em maio para uma série de conferências, numa iniciativa do Instituto da Família, presidido pelo nosso colunista, o pediatra Leonardo Posternak, da Abebê (Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê) e do Infans (Unidade de Atendimento ao Bebê), ONG que atende gestantes, pais e bebês. Golse abriu espaço numa agenda recheada de compromissos para receber a Pais e Filhos. Entre outros assuntos, ele falou sobre depressão materna, do bebê e do pai. Nas ilhas japonesas de Goto, por exemplo, as mães que acabaram de dar à luz ficam um mês na cama, com seus bebês ao lado. Durante esse tempo, avós, tias e outros parentes vêm tomar conta delas. Não se espera que façam nada, só que alimentem seus filhos e se recuperem. São cuidadas como bebês. Ajudar mães e bebês é um investimento que as sociedades que chamamos de desenvolvidas precisam fazer para economizar mais tarde tratando de adultos violentos, infelizes... E é isso que Golse defende.

Os bebês são nossa última utopia. Depositamos neles toda a esperança de um mundo melhor, mas, ao mesmo tempo, somos muito exigentes com eles. Precisam ser no mínimo perfeitos. Das mães, não se exige menos. E, além de tudo, devem ser felizes. O nascimento é cercado de idealização. Temos a obrigação de ficar contentes, e qualquer sentimento diferente (tristeza, insegurança...) é mal-visto e, por isto, escondido.

O resultado é que a mãe pode ficar deprimida e ninguém perceber. Quer dizer, os adultos que a cercam são capazes de não reparar (ou não querer reparar), mas o bebê percebe sempre. E quanto mais discreta a depressão que a mãe apresenta, pior para o filho, já que os adultos não vêm ajudá-la. E aí aparecem os sintomas clássicos, como falta de sono, problemas de apetite, entre outros. É o filho tentando reanimar a mãe, como que dizendo: “Eu estou aqui”. Bernard Golse critica o fato de as mães serem liberadas da maternidade no segundo ou terceiro dia após o parto. “Esse é um meio que a sociedade se deu para não detectar o risco de uma depressão materna.” Ele defende que é preciso encontrar formas de acompanhar a mãe, com visitas a domicílio ou com pediatras treinados.

Rompendo o ciclo

De acordo com Golse, a questão não é saber quem se deprimiu primeiro, a mãe ou o bebê, mas romper o ciclo vicioso. “Culpar a mãe não vai ajudar o bebê. Dizendo que a depressão dele vem dos pais só conseguiremos acentuar a depressão do bebê que, depois, se recriminará por não ter sabido cuidar dos pais, torná-los suficientemente bons.” Além da mãe, o psicanalista acredita que é importante dar atenção ao pai. “Durante a gravidez toda a atenção materna se volta para o bebê. Para não ser abandonado, muitas vezes o pai abandona a mãe antes”, conta. E isso aumenta ainda mais os riscos de depressão materna. “A mãe espera que o pai seja maternal, mas alguns não têm a mínima vocação para avó”, brinca. O currículo desse especialista fala por si: é psicanalista, chefia em Paris o Serviço de Psiquiatria Infantil do Hospital Necker-Enfants Malades, leciona psiquiatria infantil da criança e do adolescente nas Universidades Paris V e Paris VII, é membro superior do Conselho Superior de Adoção, na França, e presidente do Grupo WAIMH (World Association for Infant Mental Health) da Língua Francesa.

Você diz que é possível perceber as qualidades do futuro psicanalista já no bebê. Como é isso? 

Certas qualidades inerentes ao psicanalista já estão presentes no bebê, principalmente a capacidade de observação, a atenção ao que está à sua volta. Mas não é nesse momento que ele define que vai ser psicanalista quando crescer (risos). Porém, no dia em que tomar essa decisão, essas qualidades vão ser úteis. Há bebês que conseguem ajudar os pais com algum sofrimento psíquico. Ao modo deles, claro. Mais tarde, essa vocação pode se enraizar.

O que o bebê faz exatamente tentando ajudar os pais?

Em crianças bem pequenas, é o corpo o principal vetor da comunicação. Há toda uma série de sintomas físicos possíveis de ser uma maneira de ajudar a mãe, como para dizer a ela: “Eu também existo”. Podem ser distúrbios do sono, dificuldades de alimentação, distúrbios digestivos. O importante é perceber que função eles desempenham. Às vezes, os adultos entendem a situação. Em certos casos de depressão materna, a mãe chega a dizer: “Ainda bem que o bebê estava comigo”. 

A maioria dos casos de depressão materna não é diagnosticada. Os sintomas que o bebê manifesta, nessas situações, poderiam ser um modo de perceber que a mãe está deprimida?

Muitas vezes, as depressões maternas passam despercebidas pelos outros adultos. Mas não pelo bebê. Ele sente a depressão da mãe durante muito tempo. Porque, nos casos em que a depressão não é notada, os outros adultos não vêm ajudá-la. Então, os sintomas do bebê podem ser justamente uma maneira de levar à pergunta: “Será que não é a mãe que está com problemas?”. A questão é que, por enquanto, esse é um raciocínio de especialistas, não está ainda suficientemente difundido entre o grande público. Nem mesmo entre os próprios pediatras. Esse é um grande problema de saúde pública. 

No Brasil, ainda não é tão comum que os pais procurem apoio psicológico. A mãe fala mesmo é com o pediatra. Dr. Leonardo Posternak, nosso colunista, criou o Instituto da Família, que defende que os médicos cuidem da família e não apenas da criança, por exemplo.

Sim, isso é uma razão a mais para formá-los corretamente. Em geral, nesse campo de estudos, falamos muito de depressão materna. Por um lado, isso é bom mas, por outro, não. É uma coisa positiva porque o problema é real. Aproximadamente 15% das mães vão ficar realmente deprimidas após o parto, e isto pode trazer dificuldades para o bebê a curto, médio e longo prazos, se não há terceiros capazes de intervir para protegê-lo. A situação no Brasil é essa que a gente conhece, mas, mesmo na França, ela não está boa. As pessoas têm muita dificuldade para admitir a realidade da depressão materna. Quando afirmei que poderia ser uma coisa ruim, quis dizer que é importante não falar só disso. Existem problemas que acontecem antes do nascimento. 

E, além da mãe, o pai enfrenta dificuldades. Depois do nascimento, não ocorrem apenas depressões, há toda uma série de situações psicopatológicas que trazem riscos à criança.

Quem são esses terceiros que você menciona e que poderiam ajudar a mãe? Além do pai, quem mais seria capaz de perceber o problema?

O pai (se estiver lá), a avó materna ou paterna e outras pessoas, dependendo do contexto cultural. O grupo familiar é importante em alguns países mais do que em outros. Em determinadas culturas há grupos de mulheres que apóiam a mãe, o grupo dos anciãos...

Nas grandes cidades, às vezes nem mesmo os avós estão presentes. 

Os pais estão cada vez mais isolados e, muitas vezes, a mãe cria o bebê sozinha, sem a presença do pai. Isso provocou um aumento nos índices de depressão materna?

O isolamento é fator de risco muito grande. Independentemente dos 

cuidados específicos, precisamos pensar a organização da vida nas cidades, quais são os recursos para uma mãe só. Quando a gente atende uma mãe em dificuldades durante esse período logo após o parto, muitas vezes o essencial da avaliação de risco é saber quais são as pessoas que podem apoiá-la. 

Você diz que hoje o tempo que as mães passam na maternidade após o parto é muito curto e isto dificulta ainda mais que as depressões pós-parto sejam identificadas, já que o baby blues (tristeza pós-parto), que poderia dar pistas dos riscos de desenvolver depressão, acontece depois deste período.

O baby blues [que acontece em torno do quarto ou quinto dia e atinge mais de 80% das mães] poderia ser a ocasião para detectar o risco de desenvolver a depressão, mas não a única. Uma sociedade deve criar os meios de não perder de vista as mulheres que deram à luz, não só após o quarto ou quinto dia, mas, também depois. As visitas ao pediatra são uma boa ocasião, porém aí a gente cai na questão da formação dos médicos. Considerando o problema do isolamento das mulheres nas cidades, visitas a domicílio seriam necessárias. Alguns países deslocam profissionais, que têm ao mesmo tempo formação psicológica e social, para esse tipo de trabalho. Cada país deve encontrar suas próprias soluções. Mas, quaisquer que sejam elas, há a questão financeira, que só pode ser resolvida se as instâncias políticas estiverem mobilizadas. Ajudar os bebês significa que a sociedade economizará quando eles forem adultos. Se os bebês estiverem bem, os adultos que eles serão também ficarão bem. Acontece que a economia que isso gera é para daqui a 30 anos, mas os políticos querem ver o resultado do investimento de suas verbas no prazo máximo de cinco anos...

A superidealização da figura da mãe, em países católicos como o Brasil, 
é um fator que dificulta o diagnóstico da depressão pós-parto?

Por que quando falamos da figura materna temos de nos referir sempre a Maria? Eu diria que existem muitas boas mães, mas as santas são exceção (risos). Podemos dizer que a mãe que chamamos de suficientemente boa é aquela que se permite ser imperfeita. A exigência de perfeição traz sofrimento a todos. Se a gente espera do bebê que ele seja perfeito, ele encontrará grandes dificuldades. Com todos os avanços do diagnóstico pré-natal, as pessoas sentem o direito de ter um bebê perfeito. Então, a decepção é enorme se ele apresenta anomalias, o que agrava ainda mais a situação. Do mesmo jeito que, se a gente espera da mãe que ela seja perfeita, acentuamos a sua vergonha, o seu sentimento de culpa quando ela acha que não corresponde a esta imagem. Ajudamos muito a mãe se mostrarmos que ela tem o direito de não ser perfeita. A gente não tem de ser perfeito todo dia, o tempo todo. O que nos permite dizer que uma mãe suficientemente boa é, às vezes, também uma mãe suficientemente má. 

E o pai? As depressões que o afetam começam a ser percebidas também agora. Como elas se manifestam?

As depressões do pai ainda são bem menos estudadas que as maternas. Quando acontecem, muitas vezes ele simplesmente vai embora. A gestação mexe demais com o corpo da mulher, as relações sexuais ficam mais conflituosas, a imagem da mulher grávida remete à imagem da mãe dele. Talvez isso aconteça principalmente no caso do primeiro filho, que capta todas as atenções da mãe. O pai vai se retraindo por causa dessa rivalidade com o filho. Uma outra manifestação da depressão paterna são sintomas físicos muito banais, como cansaço, o pai engorda, sente-se sozinho... No caso do ganho de peso, pode ser um sintoma depressivo mas, também, uma maneira de se identificar com a mãe.

A mãe ainda é atendida pelo obstetra durante a gravidez, vai com freqüência ao pediatra... Mas, e o pai?

O ideal seria que as visitas pré-natais e pós-natais incluíssem sempre o casal, mas isto é difícil porque os pais trabalham. Talvez as visitas médicas pudessem ocorrer aos sábados ou à noite. Em todos os países, o obstetra tem papel importante. Precisamos pensar que a criança é do casal, não apenas da mãe. A Finlândia é um país onde essa concepção está avançada. Há um sistema de atendimento no pré e no pós-parto que acompanha o casal. 

Com as técnicas de fertilização, hoje é possível selecionar embriões com menor possibilidade de ter problemas genéticos. Houve aumento no número de gêmeos e prematuros. O que mudou para o bebê e para os pais?

O nascimento de múltiplos aumenta o risco de depressão materna. É muito difícil se ocupar de gêmeos. E nem estou falando de trigêmeos ou quadrigêmeos. Eles exigem um trabalho físico muito grande. E a mãe sente enorme culpa quando cuida de um e deixa o outro na espera. Em sociedades consideradas mais primitivas que a nossa, nunca deixam a mãe sozinha com gêmeos ou trigêmeos. Nesse sentido, as sociedades urbanas são perigosas. No caso da prematuridade, o problema mais importante é que o início da relação mãe-bebê é dificultado pela separação no ambiente hospitalar. Quando o bebê vai para casa, a mãe precisa se ocupar dele não como enfermeira, mas como mãe de fato.


Por Larissa Purvinni, mãe de Carol, Duda e Babi

Por Redação Pais & Filhos

Fonte: http://revistapaisefilhos.uol.com.br/familia-e-tudo/entrevista-bernard-golse

sábado, 1 de março de 2014

Roda de Mães no Ninho Materno


O Ninho Materno - Maternidade, família e infância fará no dia 08/03 uma
 Roda de Mães com o tema:

"Sono do bebê: desafios, fusão emocional e a vida do casal"




domingo, 9 de fevereiro de 2014

"Quando a família começa: as intensas vivências após o nascimento".

 Ninho Materno no programa Versátil e Atual da Rede Família

          Nenhuma família pode afirmar que não há mudanças intensas após o nascimento de um filho!
          Desde a gestação, tanto no corpo físico da mãe, como no "corpo emocional" ocorrem muitas e importantes alterações, elas são necessárias para que o novo ser se acomode, se desenvolva e seja acolhido.
          Tais alterações ocorrem principalmente na mãe, mas o pai, e os filhos que ali já estão, também são implicados na preparação para a chegada do novo membro do sistema familiar.
          Se há um casal, eles passarão a integrar o papel de pai e mãe, e não serão mais apenas o marido e a esposa.
          Esta mudança agrega uma nova constituição familiar e a dinâmica do casal vivencia importantes e intensas experiências.
          A mãe é preparada, durante a gestação, para um processo de interiorização e fusão emocional com o bebê, condição necessária para a conexão com ele e importante para o seu desenvolvimento emocional e físico.
          Ao pai é colocado o papel de cuidador da mãe e também de protetor da relação/fusão entre a mãe e o bebê. A ele, é oferecida a responsabilidade de promover a segurança necessária para que a díade mãe-bebê possa viver toda a intensidade da fusão.
          Ocorre, às vezes, que nem sempre isso é sentido e compreendido pelo pai. E ele passa a pedir que a mãe volte ao seu "estado normal", que deixe o bebê chorar, que o deixe no berço, que dê leite artificial ("porque esse bebê mama demais", e a mãe não precisa atender rigorosamente), que não o coloque na cama com ela...
          E, mãe e bebê, querem e precisam estar juntos, o máximo possível! Afinal, eles se identificam como unidade, são sentidos, um pelo outro, como um só corpo físico e emocional. Talvez eles não tenham consciência disso, mas são, pelo menos neste primeiro instante da nova vida que se formou.
          Não é apenas o pai que olha para a mãe com dificuldades para entendê-la. A família, e é possível que outras pessoas próximas à mãe, também emitam opiniões "repletas de saberes", oferecendo pouca continência às suas inseguranças, angústias e necessidades. 
          É um período diferente, que pode promover o autodesenvolvimento, mas que também "enlouquece", tira dos padrões de normalidade e provoca os pragmatismos!
          "(...) ser mãe é se deixar inundar pela loucura de compartilhar um mesmo território emocional com a criança.", como refere a terapeuta argentina Laura Gutman em "Mulheres visíveis, mães invisíveis".
          Não é possível que mantenham-se os mesmos, homem e mulher, pai e mãe, após o nascimento de um filho. Acolher as mudanças favorece o processo de integração do novo. 
          Trata-se de um tempo de acomodação, de adaptação para todos do sistema familiar. 
          Há sombras e alegrias, angústias e realizações. 
          Este tempo-instante da vida recoloca possibilidades, mas cada um dos envolvidos vai viver as intensar mudanças no seu próprio ritmo-possibilidade, o caminho pede empatia e busca por um novo lugar e uma nova experiência.

Rosângele Monteiro
Psicóloga Perinatal e Terapeuta Sistêmica Familiar Integrativa
Coordenadora do "Ninho Materno - Maternidade, família e infância"