Mostrando postagens com marcador CUIDADO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CUIDADO. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de abril de 2012

Teoria da Extero-gestação


O quarto trimestre de gestação: esta teoria coloca à disposição alguns recursos que podem ser utilizados pelos pais e cuidadores de bebês, em seus primeiros três meses após o parto, para acalmar os bebês, reconduzindo-os à situações similares às vivências da vida intra uterina.


Os bebês humanos estão entre os mais indefesos de todos os mamíferos. Por causa do maior tamanho do cérebro e do fato de que o tecido nervoso necessita de mais calorias para se manter que qualquer outro, grande parte do alimento ingerido é gasto em prover nutrição e calor para as células nervosas. Mais significante é o fato de que nossos bebês necessitam nascer mais cedo do que deveriam, com seus cérebros ainda não totalmente desenvolvidos. Se o bebê humano nascesse já com o sistema nervoso central amadurecido, sua cabeça não passaria pela pelve estreita da mãe no momento do parto. Ao contrário de outros mamíferos, como girafas e cavalos, o recém-nascido humano é incapaz de andar por um longo período após o nascimento, porque lhe falta o aparato neurológico maduro para tanto. O custo primal de ter um cérebro grande é que nossos filhotes nascem extremamente dependentes e em necessidade constante de cuidado. 


O crescimento do nosso cérebro após o nascimento é mais rápido do que o de qualquer outro mamífero e segue neste ritmo por 12 meses. 


A seleção natural demanda que pais humanos cuidem de seus filhos por um longo período e que os filhos dependam dos pais. Esta necessidade mútua traduz-se em um estado emocional chamado “apego”. 


Em algumas culturas, como na tribo !Kung, bebês raramente choram por longos períodos e não há sequer uma palavra que signifique “cólica”. As mães carregam os bebês junto ao corpo, com um aparato semelhante a um “sling”, mesmo quando saem para a colheita. A relação mãe-bebê é considerada sacrossanta, eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação que sua mãe. 



Nossa cultura ocidental não permite um estilo de vida idêntico ao de tribos primitivas, mas podemos tirar lições valiosas sobre como ajudar nossos bebês na adaptação à vida extra-uterina. 


Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é tão imaturo que seria benéfico a ele voltar ao útero sempre que a vida aqui fora estivesse difícil.


É preciso compreender o que o bebê tinha à sua disposição antes do nascimento, para saber como reproduzir as condições intrauterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal, envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também estava ouvindo constantemente um barulho "shhhh shhhh", mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos da mãe). 


A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda "o reflexo calmante". Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro. 


Os 5 métodos para acalmar um bebê até 3 meses de idade são extremamente eficazes SOMENTE quando executados corretamente. Sem a técnica correta e o vigor necessário, não adiantam em nada.



1. Pacotinho ou casulo (embrulhar o bebê apertadinho)


A pele é o maior órgão do corpo humano e o toque é o mais calmante dos cinco sentidos. Embrulhadinho, o bebê recebe um carinho suave. Bebês alimentados, mas nunca tocados, freqüentemente adoecem e morrem. Estar embrulhadinho não é tão bom quanto estar no colo da mãe, mas é um ótimo substituto para quando a mãe não está por perto. 


Bebês podem ser embrulhados assim que nascem. Apertadinhos, de forma que não mexam os braços. Eles se sentem confortáveis, "de volta ao útero". Bebês mais agitados precisam mais de ser embrulhados, outros são tão calmos que não precisam. 


Se o bebê tem dificuldade para pegar no sono, pode ser embrulhado apertadinho, não é seguro colocar um bebê para dormir com um cueiro solto. Não permita que o cueiro encoste no rosto do bebê. Se estiver encostando, o bebê vai virar o rosto procurando o peito, ao invés de relaxar. 


Todos os bebês precisam de tempo para espreguiçar, tomar banho, ganhar uma massagem. 12-20 horas por dia embrulhadinho não é muito para um bebê que passava 24 horas por dia apertadinho no útero. Depois de 1 ou 2 meses, você pode reduzir o tempo, principalmente com bebês tranqüilos e calmos. 


2. Posição de Lado


Quanto mais nervoso seu bebê estiver, pior ele fica quando colocado sobre as costas. Antes de nascer, seu bebê nunca ficou deitado de costas. Ele passava a maior parte do tempo na posição fetal: cabeça para baixo, coluna encolhida, joelhos contra a barriga. Até adultos, quando em perigo, inconscientemente escolhem esta posição. 


Segurar o bebê de lado ou com a barriga tocando os braços do adulto ajuda a acalmá-lo (a cabeça fica na mão do adulto, o bumbum encostado na dobra do cotovelo do adulto, com braços e pernas livres, pendurados). Carregar o bebê num sling, com a coluna curvada, encolhidinho e virado de lado, tem o mesmo efeito. Atualmente especialistas são unânimes em dizer que bebês NÃO DEVEM SER POSTOS PARA DORMIR DE BRUÇOS, pelo risco de morte súbita.


O bebê não sente falta de ficar de cabeça para baixo, como no útero, porque na verdade o útero é cheio de fluido e o bebê flutua, como se não tivesse peso algum. Do lado de fora, sem poder flutuar, virado de cabeça para baixo, a pressão do sangue na cabeça é desconfortável. 


3. Shhhh Shhhh - O som favorito do bebê


O som "shhh shhh" é parte de quem somos, tanto que até adultos acham o som das ondas do mar relaxante. Para bebês novinhos, "shhh" é o som do silêncio. Ele estava acostumado a ouvir tal som 24 horas por dia, tão alto quanto um aspirador de pó. Imagine o choque de um bebê acostumado a tal som o tempo todo chegando a um mundo onde as pessoas cochicham e caminham na ponta dos pés, tentando fazer silêncio! 


Coloque sua boca 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê e faça "shhh", "shhh". Aumente o volume do "shh" até ficar tão alto quanto o choro do bebê. Pode parecer rude tentar "calar" um bebê choroso fazendo "shh", mas para o bebê, é o som do que lhe é familiar.


Na primeira vez fazendo "shhh", seu bebê deve calar após uns 2 minutos. Com a prática, você será capaz de acalmar o bebê em poucos segundos. É ótimo ensinar isso aos irmãos mais velhos, que adorarão poder ajudar e acalmar o bebê. 


Para substituir o "shhh", pode-se ligar:

- secador de cabelos ou aspirador de pó

- som de ventilador ou exaustor

- som de água corrente

- um CD com som de ondas do mar

- um brinquedo que tenha sons de batimentos cardíacos

- rádio fora de estação ou babá eletrônica fora de sintonia

- secadora de roupas ligada com uma bola de tênis dentro

- máquina de lavar louças


O barulho do carro ligado também acalma a criança. 


4. Balanço


"A vida era tão rica no útero. Rica em sons e barulhos. Mas a maior parte era movimento. Movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo - movimento, movimento, movimento." (Frederick Leboyer, Loving Hands) 

Quando pensamos nos 5 sentidos - visão, audição, tato, paladar e olfato - geralmente esquecemos o sexto sentido. Não é intuição, mas a sensação de movimento no espaço.

Movimento rítmico ou balanço é uma forma poderosa de acalmar bebês (e adultos). Isso porque o balanço imita o movimento que o bebê sentia no útero materno e ativa as sensações de "movimento" dentro dos ouvidos, que por sua vez ativam o reflexo de acalmar. 


Como balançar ?

1. Carregando o bebê num "sling" ou canguru;

2. Dançando (movimentos de cima para baixo);

3. Colocando o bebê num balanço;

4. Dando tapinhas rítmicos no bumbum ou nas costas;

5. Colocando o bebê na rede;

6. Balançando numa cadeira de balanço;

7. Passeando de carro;

8. Colocando o bebê em cadeirinhas vibratórias (próprias para isso);

9. Sentando com o bebê numa bola inflável de ginástica e balançando de cima para baixo com ele no colo;

10. Caminhando bem rapidamente com o bebê no colo.


Quando balançar o bebê, seus movimentos devem rápidos mas curtos. A cabeça do bebê não fica sacudindo freneticamente. A cabeça move no máximo 2-5 cm de um lado para o outro. A cabeça está sempre alinhada com o corpo e não há perigo de o corpo mover-se numa direção e cabeça abruptamente ir na direção oposta. 


5. Sucção

No útero, o bebê está apertadinho, com as mãos sempre próximas ao rosto, sugando os dedos com freqüência. Quando nasce, não mais consegue levar as mãos à boca. A sucção não-nutritiva é outra forma de acalmar o bebê. A amamentação em livre demanda não é recomendada somente para garantir a nutrição do bebê e a produção de leite da mãe, mas também para suprir a necessidade de sucção não-nutritiva. Alguns especialistas orientam às mães a darem chupetas para isso, mas ainda que a chupeta seja oferecida ao bebê, não deve ser introduzida nas 6 primeiras semanas de vida, quando a amamentação ainda está sendo estabelecida. Há sempre o risco de haver confusão de bicos e o bebê sugar o seio incorretamente. 


É importante lembrar que o bebê nunca chora à toa. O choro nos primeiros meses de vida é a única forma de comunicar que algo está errado. Ainda que ele esteja limpo e bem alimentado, muitas vezes chora por necessidade de aconchego e calor humano. Por isso, falar que bebê novinho (recém nascido até 3 meses ou mais) faz manha (no sentido de chorar para manipular "negativamente" os pais) não tem sentido, bebês novinhos simplesmente não tem maturidade neurológica para tanto. 



Bibliografia:

The Happiest Baby on the Block, Dr. Harvey Karp, Bantam Dell, 2002. New York.
Our Babies, Ourselves: How Biology and Culture Shape the Way We Parent, Meredith F. Small, Anchor Books, 1998. New York. 


Texto organizado por Flavia O. Mandic




Fonte: http://solucoes.multiply.com/journal/item/53

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

FORMAÇÃO DE EDUCADORES CONSCIENTES - "Cuidando de quem cuida"



Educação Infantil
                                                
                                               
                                                Justificativa: Os olhos da ciência, cada vez mais se voltam para a importância dos cuidados na primeira infância. Integrar o cuidado aos seus cuidadores ao conjunto de ações preventivas e psicoprofiláticas, demandadas nas unidades de ensino básico, é o objetivo deste curso. Por representar uma importante fase na vida do ser humano, a primeira infância caracteriza-se por uma permeabilidade cujos cuidados oferecidos são efetivos e determinantes no desenvolvimento infantil. Os profissionais da educação infantil, norteadores e responsáveis em grande parte por esse processo, demandam orientação, continência e cuidado. Esta capacitação busca oferecer uma oportunidade de autodesenvolvimento aos cuidadores da educação infantil em consonância com a necessidade de torná-los conscientes do seu papel de tutores da infância.

Objetivos:
O presente curso tem como objetivo oferecer formação autoeducativa e complementar aos profissionais da educação infantil, oferecendo um novo olhar ao cuidador para reconhecimento da importância do seu papel no cuidado com a infância.

Público alvo:
Auxiliares/monitores, professores, coordenadores, diretores, profissionais ligados às atividades com as crianças, gestores na rede pública ou particular da educação infantil.

Programa

Bloco I: Atenção e cuidado aos educadores

Módulo I: “A emoção do cuidador no ato de cuidar e educar”.

A história de vida do cuidador/educador.
Características individuais e características desejáveis no cuidador/educador.
Talentos, habilidades e dificuldades do educador infantil.
Educação como ato de autoeducação.

Módulo II: “Papel do cuidador e maternagem”.

Quem são essas crianças: a importância de conhecer seus interesses e necessidades.
Contemplar a relação mãe-criança: a origem e integridade do vínculo.
“A tia da escola disse...” – apego e educação.

Módulo III: “Trabalho em equipe e multidisciplinaridade”

Normas e convívio.
A importância do protocolo de cuidados e seu cumprimento: uma questão de segurança.
Ética e princípio ético.

Bloco II: Atenção e cuidados às crianças – um novo olhar

Módulo I: “Cuidando de bebês”

Afetividade, continência, ritmo e confiança no relacionamento de cuidados com bebês.
O relacionamento da família.

Módulo II: “Cuidando de crianças de zero a cinco anos”

Desenvolvimento infantil: “pedidos emocionais” feitos ao educador, pela criança, em cada fase.
Ritmo, rotina, cuidados e educação: sono, alimentação, brincadeiras e higiene.
Comportamentos desafiadores: a continência do educador colocada à prova (birra, agressividade, apatia, etc.). Criança ferida, criança que fere.
Limites: “alguém pode me dizer para onde devo ir?”.

Metodologia:
Aulas expositivas com apresentação multimídia. Dinâmicas e compartilhar de experiências. Discussão de “cases” e leitura compartilhada.

Docente/Palestrante:
Rosângele Monteiro Prado CRP 59888-7- Psicóloga licenciada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1993). Atendimento à gestante (Puccamp). Terapia Sistêmica Familiar Integrativa. Formação em Psicologia Perinatal pelo Instituto Gerar (SP). Curso de Aprimoramento “Educadores de Crianças de 0 a 3 anos” na Associação Beneficente Três Fontes. Foi docente no Senac Campinas das disciplinas "Humanização do Parto" e "Humanização da Assistência". Trabalha com grupos de gestantes, pré-natal psicológico e acompanhamento no pós-parto. Terapia do vínculo mãe-bebê-família. Desenvolve o Programa de Atenção Integrada Mãe-Bebê-Família na Doctor Kids Clínica Materno Infantil em Valinhos/SP. Assessoria para a Prefeitura Municipal de Vinhedo através do Treinamento Vivencial "Cuidando de quem cuida" junto à rede de ensino da Educação Infantil (2010). Vivência como psicóloga social em Instituição de Acolhimento para crianças e adolescentes.

Carga Horária: 16 horas

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O EDUCADOR INFANTIL E O CUIDADO NA CRECHE



O adulto é a referência em que a criança se apoia para modelo e imitação. Ela toma o adulto como exemplo para ter uma referência do mundo, esse que é, para ela, misterioso e desconhecido.
A relação do educador com a criança se estabelece tendo como base um processo de “espelhamento”, tal como ocorre quando estamos diante do espelho, tudo o que fazemos é refletido na criança.
E neste processo o cuidador traz para o relacionamento com a criança, a sua própria criança interior, aquela que o habita ainda.

“O cuidado que dou é o cuidado que recebi”.

Os frutos desse relacionamento tanto podem ser positivos como negativos. Tanto pode trazer luz à criança nesse processo de descoberta do mundo, como produzir feridas.  Inconscientemente o educador reedita o cuidado que recebeu através do cuidado que oferece, podendo realizar uma compensação ou uma retaliação.
Assim, o contato entre a criança e o seu educador-cuidador é permeado pelo olhar deste à infância.
Como é o seu olhar para a infância?
Qual a importância da infância para você?
O olhar que dirigimos contém a nossa própria história de vida, construída através das vivências e experiências às quais nos deparamos ao longo da nossa caminhada – alegria, tristeza, dor, frustração, realização, amor...

 É importante observar:
·       Como nos expressamos no mundo, quais valores e princípios norteiam nossa vida?
·       Quais escolhas de vida fizemos até o momento? Queremos muda-las?
·       Buscamos ter uma postura de abertura diante da vida? Como nos relacionamos com o novo?
         Buscamos na resiliência (superação de fatos negativos) formas de autodesenvolvimento e autoeducação?

·       De que possibilidades dispomos para buscar o autoconhecimento?
         Qual o (re) conhecimento que fazemos de nós mesmos e do outro?
Esses recursos pessoais de que dispomos podem nos ajudar a reconhecer, não apenas as feridas, mas também a luz que nos habita, e que ilumina e desperta a luz que habita a criança, a mãe, a família e os colaboradores de trabalho na creche.

Há em todos nós, o bem e o mal, a luz e a sombra, a alegria e a tristeza, a falha e o perfectível.
Cabe a cada um de nós buscarmos qualquer um desses elementos, sempre há, e sempre é, uma escolha.
E você, qual escolha quer fazer?

“Educadores são pessoas capazes de transformar-se”

Do que a criança precisa?
“Ela precisa ter espaço para realizar seu destino, para isso necessita poder exercitar sua autonomia, como expressão do seu ser pessoal autoconsciente”.  (Heydebrand, 1991)

E o educador, o que precisa realizar?
Buscar conhecimento e discernimento possíveis de transformarem-se em atos; o educador não educa pelo que ensina, mas pelo que ele próprio é, ou ainda pode vir a ser a cada momento em seu trabalho de desenvolvimento pessoal. (Heydebrand, 1991)

O educador atua como uma força no destino da criança.
É urgente a criação de uma cultura de cuidados com o educador da primeira infância, que contemple a necessidade de depositar o olhar sobre ele, buscando auxiliar, apoiar e oferecer um espaço de continência à demanda emocional pertinente ao seu papel como formador e cuidador.