sábado, 28 de dezembro de 2013

Um novo ano está chegando!

O Ninho Materno está à espera do novo ano...
Que 2014 chegue repleto de caminhos amorosos, porque é o amor que dá significado à vida.
É com esse valor que estaremos cuidando da maternidade, da infância e das famílias!
Aguardem nossa agenda com propostas de cuidado em grupo, cursos, palestras e atendimentos clínicos.
Agradecemos à todos que confiaram em nosso trabalho!
Abraços afetuosos...





sábado, 21 de dezembro de 2013

Mobilização pelo fim da institucionalização de crianças menores de 3 ano...



Prevenção e proteção familiar, e à infância, para garantir o convívio familiar.
Saiba mais em:


http://www.unicef.org/brazil/pt/media_26486.htm







quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

1ª Roda de Mães do Ninho Materno

13/12/2013 das 15 às 16:30h
Local: "Espaço Ághata Terapias & Saúde"
Inscrições por e mail



Aguardem agenda de 2014 com muitas novidades de atividades em grupo para mães, pais, bebês e cuidadores!


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Função materna vai além de aspectos da experiência corporal

Um estudo evidenciou que aspectos como condições sociais, corporais e subjetivas não são os únicos elementos construtores da maternidade. A pesquisa desenvolvida no Instituto de Psicologia (IP) da USP revelou que os laços sociais são um fator decisivo na formação da função materna, muito além da experiência corporal.


Um dos objetivos do estudo: ampliar reflexões sobre o tema para além da dupla mãe-bebê

A proposta da tese de doutorado da psicóloga Vera Iaconelli foi problematizar as condições e adversidades encontradas na parentalidade contemporânea. Segundo a pesquisadora, o estudo buscou “ampliar reflexões sobre o tema para além da dupla mãe-bebê, recolocando a mulher em um lugar protagonista, sem esquecer o lugar do pai”. A pesquisa teve início a partir do atendimento de um caso de tentativa de infanticídio no Instituto Brasileiro de Psicologia Perinatal_Gerar. “Buscou-se a partir de então discutir algumas das condições para a construção da função materna”, afirma Vera.

Foi realizado um levantamento qualitativo de base psicanalítica, com a construção de caso como forma de abordar o material. O intuito foi focar a problematização da teoria sobre a função materna em termos culturais e psicanalíticos. “Trabalhei com um único caso atendido na clínica social, embora tenha utilizado diversos outros durante o processo a título de ilustração”. Foi realizado um acompanhamento do tratamento da paciente, por meio de encontros com a equipe do hospital, o bebê internado e os familiares em momentos diferentes.

Foram privilegiados três grandes eixos, que são a experiência corporal, o lugar do sujeito e o laço social. Para tal, a pesquisadora trabalhou em cima do percurso histórico antecedente ao que se entende hoje por maternidade, os diferentes discursos sobre o corpo e as questões do laço social na constituição da função materna. “Dessa forma, pôde-se apontar como a função materna é atravessada pela lógica dessubjetivante do mundo contemporâneo”.

Os resultados apontaram que os laços sociais são os elementos que darão condições para que o bebê seja inserido numa linhagem que dará suporte para a mãe e o próprio bebê. “Vale ressaltar que a experiência corporal não pode ser negligenciada. Dessa forma, as condições sociais, corporais e subjetivas são necessárias embora não suficiente para a construção da maternidade”. Vera afirma ainda que “cabe à psicologia delimitar a potência e limite de cada campo revelando sempre que possível as inesgotáveis ideologias que atravessam os saberes”.

Tabus da maternidade

Afirmando que a quantidade de tabus que ainda vigoram quanto ao tema maternidade é muito alta, a pesquisadora aponta para a falta de interesse dos psicanalistas em geral quanto aos temas correlatos à perinalidade (gestação, parto e pós-parto). “Assuntos como violência obstétrica, medicalização e falta de apoio social a parentalidade são pontos relevantes para a psicanálise mas não têm sido enfrentados quando se pensa a função materna”.

Vera acredita que o projeto possa contribuir para a desidealização da maternidade ao mesmo tempo em que revela potencialidades igualmente negligenciadas. “A ideia é que uma mulher que largou um bebê recém nascido em situação de abandono e risco pode vir a se tornar uma mãe devotada comum, se assim o desejar e for escutada dignamente”. Ela alerta para os problemas que se potencializam com a falta de garantias na maternidade. “A falta de garantias pode ser assustadora, mas se explorarmos o lado da psicanálise nessa conjuntura, é possível que se abra novas perspectivas”.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

http://www.usp.br/agen/?p=156528

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A Mulher, a maternidade e a profissão





Viver esses três papéis concomitantemente é de uma complexidade capaz de levar a mulher às manifestações mais sombrias da sua alma e, ao mesmo tempo, potencializar as realizações mais valorosas da sua existência.

Como integrar tantas demandas e de ordens tão diversas?
Há um espaço de conciliação entre a maternidade e a carreira?

Podemos pensar que, de alguma maneira, estes papéis são complementares, e não necessariamente um papel exige algo da mulher que se contrapõe a outro. O conflito está a serviço da ordem, e assim é para que possamos nos conectar com as nossas possibilidades ilimitadas, infinitas. Quando olhamos para o conflito temos condições de resolvê-lo, mas muitas vezes não é assim que agimos, preferimos nos vitimizar e manter nossa estreita convivência com o conflito, mantendo-o ali, ao nosso lado. Tornar o conflito um aliado é o desafio que cabe nesse espaço em que coabita carreira e maternidade.
Uma mulher que desenvolveu suas potencialidades, expressando-se no mundo através da sua profissão, naturalmente terá dificuldades em subtrair da sua vida todo esse movimento, de uma dedicação e esforço ímpares, para estar na maternidade.
Cada fase do ciclo vital exige um tipo de investimento emocional específico, o desenvolvimento da carreira requer um movimento para fora, “externalizante”, e a maternidade convida para o movimento mais interno que uma mulher pode viver. É nesse espaço que vive o conflito experimentado por mulheres profissionais que desejam viver a maternidade.

É possível uma mulher realizar esses dois desejos?

Sim, porém sem deixar de viver o feminino. Sem deixar o seu papel de mulher no último lugar de importância.
Isso quer dizer que a mulher precisa identificar, ou criar, a sua rede de apoio, tendo prioritariamente o pai como ocupante do primeiro lugar nesta rede.
É o pai quem pode ser o apoiador número um na legitimação de todos os papéis experimentados pela mulher: a mulher, a mãe e a profissional. Ele está diretamente envolvido em cada um deles, pois escolheu a esposa (relacionamento), a mãe (filhos), e a profissional com quem divide as responsabilidades materiais da família. Isto também está presente nas famílias onde os pais são separados, pois essa ordem não precisa ser alterada nesta constituição familiar.
Quando a mulher escolhe, porque sempre há uma escolha, conciliar carreira e maternidade, ela precisa estar consciente dos desafios que isto traz e construir, junto da sua rede de apoio, formas de lidar com esse projeto; sim é um projeto de vida!
O início da maternidade, materializada com a chegada de um bebê na família (seja o primeiro filho ou não), promove mudanças muito importantes, traduzidas em uma crise vital, onde os papéis fundamentais se alteram; a mulher agora é mãe, também, e o homem agora é pai, também.
Ser mulher, ser mãe e ser profissional compõem aspectos da identidade de toda mulher. Para a maioria das mulheres estes aspectos coexistirão em um determinado momento da vida. Integrá-los de maneira a reconhecê-los é o movimento que torna possível uma maternidade consciente: criar os filhos com autonomia interior.
Os filhos reconhecem as necessidades da mãe quando ela as coloca em sua vida familiar de maneira autônoma. Os filhos também se realizam com a realização da mãe. A mãe pode colocar suas escolhas, como a de manter a sua profissão em conciliação com a maternidade, e ficar livre da culpa, pois a culpa é filha da maternidade sem consciência.
A maternidade é uma vivência que, pontualmente, exige dedicação e renúncia. Em suas fases iniciais, a maternidade impulsiona a mulher a estar fusionada com o bebê, e isso é o natural, o desejado. Esse momento é o tempo da licença maternidade, em que a mãe fica imersa nos cuidados com o bebê, construindo a maternagem. O tempo da licença no Brasil ainda é insuficiente para dar conta das demandas de um bebê, e o retorno ao trabalho representa tempos difíceis de renúncia, agora, ao convívio intenso com o bebê. É neste momento que a rede de apoio deve contribuir com a mãe-mulher-profissional, e a empresa está inserida nesta rede, na medida em que deve lançar recursos de continência às novas necessidades de suas colaboradoras.
A conciliação entre carreira e maternidade convida a uma nova forma de vida, onde a mulher não precisa estar sozinha com seus desejos e necessidades. É tempo de partilhar, é tempo de pedir integração a todos os sistemas envolvidos na maternidade exercida pela mulher.

Ser mulher, mãe e profissional:

“Retomar a condição de mãe em novas bases de ação e entendimento”



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

"O Renascimento do parto" e o renascimento do elo perdido ...


Assistir ao filme “O Renascimento do Parto” e não ficar mexida até as entranhas é impossível...
A ideia de conceber, ou resgatar, coletivamente uma assistência ao parto humanizada congregou, neste documentário, os mais comprometidos profissionais brasileiros e estrangeiros, de diversas áreas da assistência ao nascimento.
As informações são estonteantemente gritadas para dar voz à alarmante forma com que temos assistido às mães e pais no nascimento, e recebido nossos bebês.
Mulheres roubadas do seu poder mais genuíno, natural, instintivo...
Bebês recebidos neste mundo de forma violenta, assustadora e generalizante...
Pais desorientados quanto à suas possibilidades de apoiar, proteger, delatar...
Violência obstétrica, violência neonatal e violência contra a família.
Os efeitos trazidos pela forma com que somos tratados no nascimento desvendam-se através dos estudos que, cada vez mais, dedicam-se a refletir o valor simbólico deste ritual de passagem vivido pelo ser humano.
Que tipo de assistência temos oferecido neste momento em que a necessidade de segurança do bebê é do tamanho da dor que a fome o fará sentir, dali a alguns instantes?
Se a fome faz o bebê sentir dor, e essa dor o faz sentir medo da desintegração, da morte, qual será a intensidade da dor da falta de segurança?
As cenas em que os bebês são tratados com uma violência absurda nos fazem doer a alma!
Os momentos que dão voz às mães angustiadas porque não tiveram seus desejos em parir reconhecidos, legitimados, dilaceram os corações de todos nós, porque todos nós desejamos ser vistos e reconhecidos, a questão é podermos olhar honestamente para esse nosso desejo!
Diante dos lindos e emocionantes partos humanizados, naturais, normais vemos que tudo está ali, naturalmente eles são vividos, e a experiência de realização está impressa na fisionomia das mulheres que buscaram seu protagonismo e o encontrando, podemos ler: “eu consegui, nós conseguimos”.
Qual foi a parte que perdemos para, nesta espantosa e surpreendente constatação, chegarmos ao ponto de pensar que não seríamos capazes?
Qual foi a parte que perdemos por não acreditarmos que nossos bebês são maestros dessa sinfonia, e que podemos confiar no ritmo dessa melodia?
O elo perdido...
Meu desejo mais singelo, aqui, é poder dar a minha voz para ser mais uma nesse emocionante coro que começa a cantar, a clamar, pelo renascimento do parto.
Parabéns a todos os envolvidos neste projeto, que ele possa ser esse mensageiro de luz e amor tão necessários no nascimento, na vida!
Com respeito e amor...

Rosângele Monteiro
Psicóloga Perinatal e Terapeuta Sistêmica Fenomenológica Integrativa


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Psicologia Perinatal

A Psicologia Perinatal estuda os fenômenos psíquicos relacionados ao ciclo gravídico puerperal (gestação, parto e pós-parto).
Nesta fase da vida, tanto para a mulher como para a família, ocorrem alterações importantes, do ponto de vista físico, emocional, relacional, sistêmico e social.
Estas mudanças mobilizam sentimentos, interferem na rotina da família, possibilita a reedição de vínculos importantes e acabam determinando uma oportunidade de autodesenvolvimento.
Mas, "nem tudo são flores" neste momento!
Há sombra e luz, caminhando juntas...
Alegrias e tristezas, frustração e realização... ambivalência!
E, ainda, não podemos perder de vista a importância do cuidado à nova família, ao bebê, à mãe e ao pai!
Neste vídeo falamos brevemente sobre alguns destes temas que envolvem a perinatalidade.
Abraço...










quarta-feira, 17 de julho de 2013

O trabalho terapêutico pais-bebê


Em um passado, não muito distante, os sintomas apresentados pelos bebês eram vistos e tratados apenas como manifestações fisiológicas.
Diante das dificuldades encontradas pela não remissão dos sintomas com o tratamento convencional, tornou-se fundamental uma compreensão aprofundada do bebê, considerando a sua dinâmica emocional e o universo de relações que ele estabelece com a família/cuidadores.
Essa visão integral que oferece a possibilidade de atender a demanda emocional que alguns bebês apresentam, inclusive logo após o nascimento, é a pedra fundamental desse trabalho terapêutico entre pais e bebês.
Muitas das explicações às manifestações físicas dos bebês têm relação com os vínculos afetivos entre ele e seus pais/cuidadores e estes podem implicar, inclusive, em prejuízo do seu desenvolvimento integral.
Desde a gestação os bebês têm uma vida psíquica e o relacionamento com o mundo externo ao ventre materno se constrói desde então. Após o nascimento há um reconhecimento entre pais e bebê, e então a relação entre eles toma outra dimensão.
Winnicott refere: “não existe essa coisa chamada bebê” – para dar a dimensão do mundo de relações ao qual o bebê precisa se inserir para existir, para ser.
A relação entre os pais e o bebê, em especial com a mãe, é movimentada pela circulação dos afetos entre eles. Os elementos que compõem essa dinâmica são atravessados pelas histórias de vida dos pais, pela relação entre esse casal parental e pela dinâmica familiar como um todo.
Não raramente ocorrem dificuldades, especialmente no pós-parto imediato onde há uma intensa vivência emocional tanto por parte do bebê como dos pais, e de adaptação do bebê às novas condições extero-gestacionais, e dos pais em seus novos papéis familiares.
                          A permeabilidade a esse trabalho terapêutico é bastante expressiva na medida em que, quanto mais precocemente forem lidadas as demandas emocionais, maior a eficácia do cuidado, é o chamado “período sensível”. Há nessa relação pais-bebê um campo de riquezas terapêuticas que precisam ser reconhecidas e valorizadas como ferramentas de prevenção à saúde integral, física e emocional, do bebê e da família.
Os bebês expressam seus sofrimentos psíquicos no corpo para se fazerem ouvir.
Como podemos identificar os sinais de sofrimento psíquico, fragilidades e dificuldades nos bebês, os chamados sinais de apelo? Os bebês podem apresentar:

     Ø  Distúrbios somáticos: eczema, asma, infecções de repetição, distúrbios digestivos e outros...
     Ø  Doenças recorrentes
     Ø  Dificuldades para dormir - dorme pouco ou muito.
     Ø  Dificuldades de alimentação – é um momento tenso, de sofrimento ou há uma recusa ao alimento/amamentação.
     Ø  Variações de temperatura sem diagnóstico clínico.
     Ø  Falta de interesse no cuidador – pais e outros.
     Ø  Pouca ou nenhuma interação diante da proposta de brincar.
     Ø  Não há fixação do olhar
     Ø  Apatia, sintomas depressivos.

                          Cabe aqui esclarecer que esta listagem aponta possibilidades de sintomas cuja causa pode ser relacional, mas não podemos descartar as causas físicas de tais disfunções e distúrbios.
                          O objetivo deste artigo é levar ao conhecimento dos pais e cuidadores que pode haver outra causa para estes distúrbios, especialmente quando eles são recorrentes ou não apresentam coerência diagnóstica física.
                          A psicoterapia pais-bebê é uma modalidade de atendimento que promove atenção à saúde emocional desde a gestação até o terceiro ano de vida do bebê, já que esta corresponde à fase fundamental para a constituição do ser humano. Então, podemos considerar de maneira relevante tais sintomas, até o terceiro ano de vida, sendo que o primeiro ano é considerado o mais importante.
                          São processos psicossomáticos cuja função na corporeidade do bebê é denunciar e dar voz ao seu universo de emoções.
                          Um sintoma precisa ser acolhido como um caminho que se coloca diante da família para levá-la a lugares de realização e plenitude, precisa apenas olhá-lo com coragem para percorrê-lo.
                          Abraço afetuoso...

Rosângele Monteiro
Psicóloga Perinatal



sexta-feira, 21 de junho de 2013

Protesto Materno



"Dos filhos deste solo és mãe gentil..."     


Pátria gentil... mãe gentil, pais gentis...

Reflexões sobre o modelo de cuidados necessários aos pais!

Onde estão os modelos de gentileza e respeito de que os pais tanto precisam para assegurarem aos filhos a transmissão de valores tão necessários para a vida!?

Não há como não associar o modelo de cuidado e ordem que deveria ser oferecido por um sistema (estado) com a necessidade, apresentada pelos filhos, de receber esse mesmo cuidado no sistema familiar.

Os pais deste tempo de protestos, buscam resgatar seus modelos de educação e cuidado, até para que possam encontrar ressonância e coerência em suas falas com os filhos.

Idealizando um modelo sistêmico onde pais e mães buscam, e lutam cada um em suas possibilidades, oferecer aos filhos um modelo cujos valores sejam norteados por respeito, liberdade e amor,
vemos nossos padrões de educação desmoronando neste momento.

Como explicar aos filhos porque eles estão assistindo cenas de protestos e revolta?
"Porque não estamos sendo bem cuidados, filho."
"Por que precisamos reivindicar cuidado?"
"Porque temos dificuldade em cuidar, filho."

Pais e filhos atravessados por uma angústia ao não serem cuidados e respeitados!

A figura paterna representada pelo estado está negligenciando respeito e cuidado.
Como os pais podem lidar e enfrentar um modelo tão poderoso e elaborar com os seus filhos valores como confiança e respeito?

Onde os pais poderão encontrar coerência para sustentarem suas falas educadoras?

Parece que esse caminho anda solitário, no que se refere nosso lindo hino: "dos filhos deste solo és mãe gentil", e a cada família resta buscar congregar outras, nesta mesma questão, para fortalecerem seus valores e recursos para educarem respeitosamente seus filhos!

Rosângele Monteiro
Psicóloga Perinatal e Terapeuta Sistêmica
Mães de dois filhos e em busca de bons modelos de cuidado...

#protestomaterno











domingo, 19 de maio de 2013

Estresse em bebês e crianças

O que observar, como detectar, o que fazer?


Durante uma consulta, os pais de uma criança comentaram: “Ultimamente, meu filho se incomoda com tudo, irrita-se com qualquer situação que o desagrade e estamos muito preocupados. O que podemos fazer”?
Essa pergunta me levou a questionar se esse tipo de manifestação não seria um sintoma de estresse infantil. No entanto, primeiro é preciso definir o que é estresse e os sintomas que bebês e crianças podem apresentar.

O estresse é uma resposta automática e natural do corpo diante de uma experiência ou situação que produza surpresa, medo ou ameaça.

Também pode ser definido como uma forma de reação a algo que supera os limites habituais de tolerância, como o excesso de atividades ou de estudo, a falta de sono ou de descanso, ou algum fato traumático.

A característica específica, que transforma um fato ocasional em uma situação de estresse, é seu tempo de duração.

Por isso, é necessário diferenciar uma situação ou uma crise natural, produto de um fato isolado e concreto, de um estado já estabelecido.

A criança pode se alterar ou ter uma reação exagerada diante de um fato imprevisível, como uma queda, um grito, uma atividade especial que esteja realizando ou uma vivência desagradável. Mas se ela passar a demonstrar essa reação intensa diariamente, ela deixa de ser um comportamento de alerta, proteção ou resguardo para um estado que produz mal-estar permanente. Uma mudança abrupta sempre exige adaptação e tempo.

Os pais devem observar atentamente certas alterações de comportamento e expressões corporais. Elas indicam que algo não vai bem e são mais comuns do que se imagina.

Além de manifestações explosivas, outros comportamentos podem indicar que a criança está sob estresse. Os pais devem ficar atentos aos sinais de introversão excessiva, em que a criança se mostra mais insegura e vulnerável do que o normal.

Alguns indícios de estresse que você pode observar em seu filho:

- Irritabilidade.
- Falta de apetite.
- Dor de cabeça.
- Distração na escola.
- Incômodo ou mal estar físico constante.
- Falta de concentração nas tarefas.
- Irritação permanente e pouca tolerância aos limites.
- Perder o interesse por uma atividade que antes apreciava muito.
- Sono inquieto.
- Episódios reiterados de fúria ou agressividade.
- Parar de brincar, tristeza constante.

Esta são algumas das condutas que podemos observar na vida cotidiana de um bebê ou criança que atravessa um momento ou período de tensão ou estresse excessivo.

O que fazer?

Primeiro, os pais devem perguntar à criança se algo está acontecendo em casa ou na escola, se está preocupada com alguma coisa, se deseja comentar sobre algum fato e se há alguma forma de ajudá-la. Se a criança for nova demais para responder a essas perguntas, observe atentamente suas reações. Esse é um primeiro passo para encontrar as respostas. Os pais logo perceberão se o problema pode ser resolvido facilmente ou se será necessário consultar um especialista.

Algumas crianças precisam da presença e da proximidade dos pais, outras de um contato físico mais constante, embora possam precisar de algum tempo para si. Mesmo que se isole no quarto, a criança deve saber que seus pais estão por perto para oferecer seu apoio incondicional, respeitando seu estado emocional nesse momento.

Causas do estresse: exigências múltiplas, pouco descanso, questão personalidade ou tentativa de chamar a atenção?

O importante é não buscar culpados, mas responder a essa pergunta com responsabilidade, e observar hábitos e rotinas familiares para detectar a origem do comportamento da criança.

É fundamental verificar se houve alguma mudança ou uma nova situação dentro de casa, no jardim da infância ou escola, que possa ter provocado as alterações de comportamento.

Em geral, a forma como as crianças expressam os afetos é bastante original, própria e autêntica. Pela idade, nem sempre conseguem se expressar claramente com palavras, mas sempre revelam algum sinal, e se os pais estiverem atentos, o estresse pode ser detectado a tempo.

Como ajudá-las?

Às vezes, uma consulta pode ajudar a orientar a família e os profissionais da escola a visualizar as necessidades da criança. Analisar se a instituição é adequada, dar-lhe mais tempo para que se adapte às mudanças e ampliar a disponibilidade dos pais também podem ajudar.

Durante as consultas com pais e crianças, observei diferentes situações de vida que afetam mais as crianças do que supomos.

Algumas situações que podem produzir estresse infantil:

-Mudanças de escola
-Mudanças na rotina
-Nascimento de um irmão
-Separação dos pais ou brigas constantes em sua presença
-Violência psíquica ou física contra si mesma ou algum membro da família
-Uma cirurgia não programada ou comunicada com antecedência
-Viagem de um dos pais
-Doença ou perda de um parente próximo (avós, tios) etc
-Excesso de atividades e/ou responsabilidades
-Agenda cheia e pouco tempo livre
-Clima familiar ruim (discussões)
-Momentos prolongados de saudade
-Ser incomodado por crianças mais velhas
-Demorar demais para realizar uma tarefa ou conquistar um objetivo
-Sentir-se humilhado ou ridicularizado em classe.
-Pressão na época de provas
-Entrega de boletins e comunicados para os pais.
-Perda ou quebra constante de objetos pessoais.
-Incômodos em relação à aparência (como usar óculos)
-Realizar uma atividade em público (trabalho escolar).

Problemas na escola

Se a criança está estressada, um dos primeiros indícios é o baixo rendimento escolar, por volta dos seis anos de idade. A autoexigência e as expectativas podem contribuir para que se sinta pressionada.

Ser um bom aluno não é o mesmo que ser um bom filho, e os pais devem se perguntar o que estão pedindo que seus filhos aprendam e se estão sendo muito exigentes ou não. Cada caso é um caso, e cada filho é único e diferente. A primeira providência é observar as rotinas e hábitos da criança;avaliar se está sobrecarregada e se, apesar de levar uma vida tranquila, sente-se pressionada por um alto nível de exigência.

- Observe as reações diante das frustrações.
- Verifique se a criança já não sente segurança para fazer coisas que antes fazia com prazer.
- Ajude-a a prever situações potencialmente estressantes
- Ensine-a a pedir ajuda diante de uma situação com a qual não consegue lidar.
- Ensine-a a confiar em um adulto de referência: pai, mãe, professora, avós.
- Ajude-a a expressar seu mal-estar e a não guardar nada por medo da reação alheia.
- Ajude-a a reconhecer suas emoções e a colocá-las em palavras, para transmitir o que sente de forma clara.
- Ensine-a a não se sentir pressionada a reagir excessivamente a tudo.

Cada bebê e cada criança, com sua história e sua forma particular de expressão, mostrará quais são suas necessidades.

Se os pais estiverem atentos, podem ajudar a criança a superar ou a reparar possíveis situações complicadas antes que produzam estresse ou danos a longo prazo, possibilitando que aproveite a infância da melhor maneira possível.

Muitas vezes, um sintoma típico de estresse, como a irritabilidade permanente, pode indicar um sentimento de tristeza que não foi detectado ou expressado corretamente pela criança no momento em que aflorou, fazendo com que apresente um estado constante de aborrecimento ou insatisfação.

É sempre bom ensinar a criança a expressar em palavras o que está sentindo a cada momento.

As palavras curam, acalmam e ajudam a criança a transformar uma situação instável e desconhecida em algo real e palpável, possível de ser superada tanto pela criança como por toda a família.


Lic. Alejandra Libenson
Psicóloga e Psicopedagoga
Especialista em Educação, Criança e Infância
Autora do livro “Criando hijos, Creando personas”
www.criandohijoscreandopersonas.wordpress.com
Fonte: http://discoverykidsbrasil.uol.com.br/pais/artigos/estresse-em-bebes-e-criancas/

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Grupos para Mães



Toda mulher que passou pela experiência de receber um filho, conhece a natureza das intensas mudanças que acabam por reeditar e redefinir o seu papel familiar, profissional e pessoal.
Estes grupos têm o desejo de oferecer um espaço de continência, de acolhimento à essa nova mulher-mãe.
Além disso, receberão informação, orientação e troca de experiências.
As mulheres-mães precisam de apoio e conscientização para vivenciarem a maternidade de maneira plena e realizadora.
Se você conhece alguém que está vivenciando este momento, ofereça apoio!




quarta-feira, 8 de maio de 2013

Vínculo afetivo entre pais e filhos: como ele acontece.


                                      

Vínculo é a condição que humaniza o ser humano, e este se instala psiquicamente através do vínculo. Isso quer dizer que sem vínculo não nos tornamos um ser de relações e afetivo.
O vínculo é a ligação que fundamenta a relação entre pais e filhos; os pais tornam-se referências para os filhos, pois dão sentido à sua existência, legitimam e atendem suas demandas físicas e emocionais e o resultado é o estabelecimento da confiança e da segurança.
É através do vínculo que o ser humano acredita que pode confiar na vida, nas pessoas e ter sobre “as faltas” uma convicção de que elas podem ser superadas, preenchidas.
Quando o bebê nasce, ele passa a viver esse componente da falta, já que no útero materno tem condições de vida que o mantém plenamente atendido. Depois do nascimento entra em contato com o desconforto da dor da fome, do frio, do barulho, entre outros. Na medida em que as figuras de referência o atendem nestas condições adversas, elas se vinculam ao bebê e este, então, vai construindo uma relação baseada na confiança e na segurança.
Esse processo se desenvolve durante os três primeiros anos de vida, mas é no primeiro ano que há a sua fundamentação; sua construção ocorre diante da afetividade, da estabilidade, da durabilidade e da honestidade (verdade).

É a partir deste princípio que orientamos os pais, ou cuidadores, sobre a importância dos cuidados com o bebê.
O vínculo vai tornando-se possível através do cuidado que circula na relação entre pais e bebês e como, com que qualidade, o bebê é contido em suas necessidades individuais.
Há um preparo biológico para o vínculo. Por um lado a mãe é equipada de hormônios para ser sensível às demandas do bebê, e por outro lado o bebê tem, através dos seus sentidos, uma condição que o dispõe ao apego.
Afetivamente o vínculo é alimentado pela atenção, reciprocidade e cumplicidade entre os pais/cuidadores e o bebê.
As dificuldades relativas aos processos de vinculação estão relacionadas às condições afetivas de cada um dos lados desta relação, tanto por parte dos pais quanto por parte do bebê.
As características de cada um, a história de cada um, a experiência vincular de cada um dos pais, a relação conjugal, as dificuldades profissionais e a história do desejo por esse filho além das condições do parto, atravessam e influenciam o vínculo; são os indicadores de risco.
Estes indicadores apenas fazem referências ao vínculo possível, apontando para um entendimento das condições que podem caracterizar o vínculo daqueles pais com aquele bebê, é a história de cada núcleo familiar.
Assim, podemos entender que há uma construção, trabalhosa e silenciosa, dos afetos dentro da família.
O amor é construído, não necessariamente nos apaixonamos por nossos filhos instantaneamente, assim que o encontramos fora do ventre.
Essa teia afetiva e amorosa, às vezes angustiante e amedrontadora, é confeccionada pouco a pouco, na medida da possibilidade de cada um, única e intransferível.
Abraço fraterno!




Rosângele Monteiro - Psicóloga Perinatal

Psicóloga licenciada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1994). Atendimento à gestante (Puccamp). Terapia Sistêmica Familiar. Formação em Psicologia Perinatal pelo Instituto Gerar (SP). Curso de Aprimoramento “Educadores de Crianças de 0 a 3 anos”.
Trabalha com grupos de gestantes, pré-natal psicológico e acompanhamento no pós-parto. Desenvolve os Programas: "Cuidados Mãe-Bebê-Família" e "Mães Profissionais" na Clínica Essencial em Valinhos/SP.
Orientadora de pais. Consultora em Educação Infantil e idealizadora do "Projeto Cuidando de quem cuida" para educadores infantis.

E-mail para contato: rosangelemonteiro@hotmail.com
Telefones: (19) 3871 0323 e (19) 9332 7175
Site: www.rosangeleprado.blogspot.com

https://www.facebook.com/NinhoMaterno