quarta-feira, 21 de agosto de 2013

"O Renascimento do parto" e o renascimento do elo perdido ...


Assistir ao filme “O Renascimento do Parto” e não ficar mexida até as entranhas é impossível...
A ideia de conceber, ou resgatar, coletivamente uma assistência ao parto humanizada congregou, neste documentário, os mais comprometidos profissionais brasileiros e estrangeiros, de diversas áreas da assistência ao nascimento.
As informações são estonteantemente gritadas para dar voz à alarmante forma com que temos assistido às mães e pais no nascimento, e recebido nossos bebês.
Mulheres roubadas do seu poder mais genuíno, natural, instintivo...
Bebês recebidos neste mundo de forma violenta, assustadora e generalizante...
Pais desorientados quanto à suas possibilidades de apoiar, proteger, delatar...
Violência obstétrica, violência neonatal e violência contra a família.
Os efeitos trazidos pela forma com que somos tratados no nascimento desvendam-se através dos estudos que, cada vez mais, dedicam-se a refletir o valor simbólico deste ritual de passagem vivido pelo ser humano.
Que tipo de assistência temos oferecido neste momento em que a necessidade de segurança do bebê é do tamanho da dor que a fome o fará sentir, dali a alguns instantes?
Se a fome faz o bebê sentir dor, e essa dor o faz sentir medo da desintegração, da morte, qual será a intensidade da dor da falta de segurança?
As cenas em que os bebês são tratados com uma violência absurda nos fazem doer a alma!
Os momentos que dão voz às mães angustiadas porque não tiveram seus desejos em parir reconhecidos, legitimados, dilaceram os corações de todos nós, porque todos nós desejamos ser vistos e reconhecidos, a questão é podermos olhar honestamente para esse nosso desejo!
Diante dos lindos e emocionantes partos humanizados, naturais, normais vemos que tudo está ali, naturalmente eles são vividos, e a experiência de realização está impressa na fisionomia das mulheres que buscaram seu protagonismo e o encontrando, podemos ler: “eu consegui, nós conseguimos”.
Qual foi a parte que perdemos para, nesta espantosa e surpreendente constatação, chegarmos ao ponto de pensar que não seríamos capazes?
Qual foi a parte que perdemos por não acreditarmos que nossos bebês são maestros dessa sinfonia, e que podemos confiar no ritmo dessa melodia?
O elo perdido...
Meu desejo mais singelo, aqui, é poder dar a minha voz para ser mais uma nesse emocionante coro que começa a cantar, a clamar, pelo renascimento do parto.
Parabéns a todos os envolvidos neste projeto, que ele possa ser esse mensageiro de luz e amor tão necessários no nascimento, na vida!
Com respeito e amor...

Rosângele Monteiro
Psicóloga Perinatal e Terapeuta Sistêmica Fenomenológica Integrativa


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