domingo, 20 de janeiro de 2013

Cuidados com o bebê: respeito e envolvimento



(Pikler Institute)
Foster Home
Treinamento e Centro de Pesquisa


Com relação ao bebê:
Conceitos de cuidados paternais e maternais de Emmi Pikler

(Respecting baby: Emmi Pikler’s parenting Concepts - Por Ruth Mason[1], Estados Unidos e Hungria)

Quando a pediatra Emmi Pikler inaugurou um instituto para órfãos há cinqüenta e dois anos em sua cidade natal, Budapeste, ela enfrentou um dilema endêmico nesse tipo de instituição: como pode um grupo de crianças receber atenção individualizada com um número limitado de cuidadores?
A solução de Pikler foi no sentido de as crianças brincarem sem o auxílio de adultos. Isso a levou a criar um conceito de cuidados maternais e paternais ensinado até os dias de hoje ao redor do mundo, catorze anos após a sua morte. A partir da infância, bebês em seu Instituto Nacional Metodológico para Cuidado de Crianças e Educação (National Methodological Institute for Infat Care and Education), também chamado de Loczy, são ensinados a participar ativamente em sua própria vestimenta, alimentação e higiene. Por outro lado, muitas habilidades ensinadas em outros lugares são especificamente não ensinada aqui, e, mais importante, bebês jamais são colocados numa posição na qual eles não possam se dedicar a si mesmos. Eles não são escorados em qualquer lugar para que possam sentar, tampouco têm suas mãos sendo seguradas por alguém para que possam caminhar, por exemplo.
“Por uma questão de princípio, nos abstemos de ensinar habilidades e atividades em que, sob condições apropriadas, envolverão a própria iniciativa da criança e a sua atividade independente”, escreveu Pikler, em seu livro “O que o seu bebê já consegue fazer?” (What can your baby do already?), publicado na Hungria em 1940. O livro também foi traduzido para o alemão e parcialmente traduzido para o Inglês no boletim de inverno das Fundações de Atenção Sensorial, em 1994.
Ela complementa: “Enquanto aprende a contorcer o abdômen, rolar, rastejar, sentar, ficar de pé e andar, (o bebê) não apenas está aprendendo aqueles movimentos como também o seu modo de aprendizado. Ele aprende a fazer algo por si próprio, aprende a ser interessado, a tentar, a experimentar. Ele aprende a superar dificuldades. Ele passa a conhecer a alegria e a satisfação derivadas desse sucesso, o resultado de sua paciência e persistênci.”.
Em suma, Pikler tinha uma ideia revolucionária de que bebês – ainda que recém nascidos – são indivíduos competentes com seu cronograma próprio, e devem ser tratados com respeito.
Tal respeito pode ser tratado de forma ampla. Um estudo de 1972 da Organização Mundial de Saúde (World Health Organization) revelou que bebês criados sem os pais no Instituto Pikler atingiram pontuações tão altas quanto aqueles educados em casa em escalas sociais, profissionais e de ajuste emocional.
Se o método Pikler deu tamanho impulso a bebês órfãos, é razoável que represente um benefício enorme àqueles criados em casa por pais amorosos. Um dos assistidos de Pikler, a húngara Magda Gerber, transformou o seu trabalho e o tornou acessível para pais. Sua instituição Recursos para Educadores de Crianças (Resources for Infant Educators), a RIE, oferece a pais e professores aulas baseadas no método Pikler.
O fundamento para transformar em ação quaisquer das idéias de Pikler e Gerber é uma relação de amor calorosa entre pais (ou qualquer outro cuidador) e criança. Desde que os bebês experienciem o amor daquele(s) que cuida(m) no período que passam cuidando deles, Gerber sugere que os pais utilizem seu tempo para atividades como trocas de fralda, alimentação, banhos e vestimenta, sem pressa e com um aproveitamento prazeroso do tempo, com o bebê sendo um participante ativo. Com o seu “currículo” pronto, os bebês, em condições de segurança e liberdade, utilizarão seu tempo adquirindo conhecimento exatamente sobre aquilo que precisam para que estejam aprendendo em qualquer circunstância dada a eles.
“Quando você aborda seu bebê com uma atitude de respeito, você diz a ele qual a sua intenção e dá a ele a chance de responder”, diz Gerber. “Você compreende que ele é competente e o envolve em seu cuidado, deixando-o, na medida do possível, resolver seus próprios problemas. Você dá a ele plena liberdade física e não força qualquer desenvolvimento”.
E diz ainda, “Pais acreditam tratar seus bebês com respeito. Mas se você assistir os bem intencionados adultos amorosos, verá que com freqüência eles interrompem as brincadeiras de seus bebês sem sequer pensar que o estão fazendo, tratando-os de uma forma que, em outras circunstâncias, dificilmente seriam qualificadas como respeitosas.”
Reconhecer e respeitar a competência de nossos bebês também liberta os pais. Gerber acredita firmemente que pais não precisam entreter seus bebês porque, dando a eles um ambiente de estimulação e liberdade para explorar, eles são extremamente capazes de entreter a si mesmos.
Considere o caso de Sean, um participante de dez meses de vida do RIE, e sua mãe, Janey:

Enquanto Janey e as outras mães e pais sentavam-se de pernas cruzadas apoiados na parede de uma sala ampla, Sean e seis outros bebês com a mesma média de idade e fase de desenvolvimento brincavam no chão carpetado. Sean e seus amigos exploram: alguns rolando com uma garrafa PET de refrigerante vazia ou com pequenas bolas em suas mãos; alguns deitando com a barriga para cima e brincando com seus dedos dos pés; alguns sentando e colocando mordedores na boca. Alguns já estão se rastejando ao redor da sala. Uma garotinha está se divertindo bastante subindo e descendo a estrutura de três degraus, feita para ser escalada. Os pais olham como se estivessem apenas ali sentados, mas na verdade estão praticando a arte da observação.
Repentinamente, Sean começa a chorar. Ele havia se direcionado a um lugar bastante apertado sob a estrutura de três degraus e não conseguia sair. Janey esteve no RIE tempo suficiente para controlar seu impulso de resgatá-lo. Ao invés disso, ela se aproxima de Sean e se agacha, numa posição de quatro apoios, fazendo com que seu rosto fique próximo ao seu bebê. “Eu posso ver que você está preso e está tentando descobrir como sair”, ela diz. Ela fica próxima a ele e, após mais algumas tentativas acompanhadas de choro, Sean consegue fazer uma manobra e se livrar. Ele então se senta sobre sua perna esquerda, e olha alegremente para sua mãe.

O que tudo isto significa para você e para seu bebê? Quando quiser trocar uma fralda, vesti-lo ou alimentá-lo, primeiro dê uma olhada para verificar o que o seu bebê está fazendo. Se ele estiver imerso numa atividade e você tiver tempo, tente não interrompê-lo. Procure o momento certo para que você interfira. Diga algo como “Eu quero mudar sua fralda agora”, e estenda seus braços em sua direção. Espere uma resposta. Seu bebê deverá olhar para você ou ir em direção aos seus braços. Se sua requisição for ignorada e você tiver tempo, você pode dizer algo semelhante a “Vejo que você ainda quer brincar” e espere mais alguns minutos antes de tentar novamente. Se você não tiver tempo, ainda pode reconhecer que seu bebê preferia continuar brincando, mas que precisa trocar suas fraldas agora, e então comece a fazê-lo. Ainda que seu ele seja muito pequeno para compreender tais palavras, o tom de sua voz será associado aos seus gestos.
Assim que estiver na mesinha de troca, não distraia seu bebê com um chocalho, por exemplo. Ao invés disso, tente olhar nos olhos dele mantendo contato e explique, passo a passo, o que você está fazendo, e peça ajuda: “Estou colocando você na mesinha de troca de fraldas. Agora, eu vou tirar a sua calça – você consegue tirar seu pé? Obrigada.” Ou: “Eu vou tirar a sua fralda suja agora. Por favor, levante seus quadris.”
Após alguns anos de esforço paciente, a proposta do RIE está agora sendo reconhecida nos Estados Unidos. A Associação Nacional para a Educação de Jovens Crianças (National Association for the Education of Young Children), NAEYC, e a Zero a Três (Zero to Three), Centro Nacional para Programas de Crianças em Tratamento Clínico (National Center for Clinical Infant Programs), incorporaram recentemente as idéias básicas do RIE às suas recomendações de cuidados infantis.
“A ênfase de Gerber na necessidade de entender e conhecer os bebês como pessoas tem tido uma influência muito grande em nossos artigos sobre cuidados infantis e a forma como os adultos de fato cuidam das crianças nos Estados Unidos.”, afirma Sue Bredekamp, diretora do Desenvolvimento Profissional da NAEYC. “Nós concordamos com ela na questão da importância de se prestar atenção nas pistas e mensagens de um bebê, ao invés de impormos a ele os nossos cronogramas. Por exemplo, Gerber acredita que, quando um bebê chora, no lugar de um adulto decidir o que é errado e responder imediatamente, ele deveria aguardar um momento, para ver como o bebê reagiria. Ele se sente confortável? Ele consegue encontrar uma solução? Essas são diretrizes excelentes para os pais.”
Após muita discussão, a NAEYC muito provavelmente incluirá uma recomendação surpreendente de Gerber em suas normas de procedimento: que os bebês não deveriam olhar para o espelho até a fase em que eles estão começando a andar. “Bebês são fascinados por feições.” afirma Bredekamp. “Eles vêem sua imagem no espelho e, ao tentar alcançá-la para tocar a face, acabam tocando algo que é na verdade duro e frio. Gerber crê que isso seja confuso.”
Essa mudança de diretrizes nacionais, que agora refletem as idéias do RIE, se devem em parte ao fato de que “as pesquisas estão indo ao encontro do que diz Gerber”, de acordo com Peter Mangione, co-criador do programa de cuidadores de crianças de até três anos, um projeto colaborativo do Laboratório WestEd/Far West e do Departamento de Educação e Divisão de Desenvolvimento Infantil da Califórnia.
“Durante anos, as pessoas da área estavam forçando a interação face-a-face com crianças”, diz Mangione. “Gerber era em favor de desacelerar esse processo e de dar ao bebê um espaço maior. Com o passar do tempo, os pesquisadores começaram a dar destaque a ela. Eles perceberam que o importante era dar à criança o controle da interação, em vez de muita estimulação. Pesquisadores começaram a perceber as atividades auto-regulatórias dos bebês e a dar a elas mais peso.”
A já tão amplamente aceita noção de que os pais devem estimular e ensinar seus bebês, uma prática que disputa com o pensamento de Gerber, também foi questionada em pesquisas recentes. “Vinte anos atrás, se você fosse a uma sessão de cognição infantil, você veria muita ênfase na importância dos adultos estimularem crianças”, afirma Mangione. “Agora, a ênfase é no que as crianças fazem e na parceria participativa entre crianças e adultos. Isto é algo que Gerber salientou durante anos.”


[1] Ruth Mason é jornalista e escreve sobre cuidados paternais e maternais para várias publicações.

Fonte: xa.yimg.com/kq/groups/16997903/.../EMMI+PIKLER.doc

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Primeiríssima infância – O estabelecimento de um vínculo


Entenda qual a importância e como se estabelece o elo entre mãe e filho após o nascimento
No post anterior, mostramos a você como as influências externas moldam o comportamento dos pequenos, no episódio 2 da série Nota 10 – Primeira Infância. Hoje, falaremos da influência dos próprios pais. O tema de hoje, baseado no capítulo 3 da série, é o vínculo afetivo entre mãe, pai e criança.
Quando o bebê deixa o conforto do útero da mãe, nasce um mundo. O choro anuncia o surgimento de uma nova vida, que precisa, agora, ganhar autonomia. O cordão umbilical é cortado – está feita a separação física: bebê para um lado, mãe em repouso.
Para o recém-nascido, são muitos estímulos novos – ar, som, frio, luz, fome. E agora? Como o bebê pode se sentir novamente aconchegado? É aí que surge um novo elo vital, essencial para a construção de uma relação entre mãe e bebê – o vínculo afetivo.
Tudo deve ser recheado de amor e carinho. Quanto mais forte a união for, mais fácil virá a independência da criança. Para que haja o vínculo – o que a criança sente pelos pais -, é preciso que haja afeto – o que os pais dão aos filhos.
O homem é humanizado justamente por conta do vínculo afetivo. Se um ser humano (a mãe, no caso) não estiver ligado de uma maneira consistente, afetiva, espontânea, o outro ser humano (o bebê) não vai se formar psiquicamente.
O cérebro, por si só, não se desenvolve isoladamente. É necessário que exista informação e, principalmente, a oportunidade de chegar até ela. Todo vínculo é uma relação, mas nem toda relação é um vínculo. Para ser um vínculo, é necessário que seja duradouro, honesto e estável.
Os resquícios do cordão umbilical são fortes até os 6, 7 meses, em média, quando o bebê ainda se sente como continuidade do corpo que o está cuidando. Principalmente se a mãe estiver amamentando. A criança ainda não realizou a separação física.
Segundo os especialistas, a partir do momento que nasce o desejo de se ter um filho já se cria um laço afetivo, invisível. É o início da ligação que deve durar por toda a vida e, com o passar do tempo, se aprofundar.
Ser mãe (e ser pai) é uma função que não necessariamente precisa ser exercida pelos pais biológicos. Pais adotivos também criam vínculos afetivos com os filhos. Para isso, basta que cumpram as funções que lhes são cabidas. A principal delas é oferecer carinho e conforto. Muitas mães que adotaram seus filhos afirmam, categoricamente, que o amor chega com o cuidar também. É possível desenvolver sentimento, dizem elas.
vínculo afetivo é, em suma, o passaporte para a criança se desenvolver e se tornar independente com segurança. As mães precisam, quase sempre, voltar ao trabalho ou às atividades que são inerentes à vida que levam. É aí que o bebê tem de estar confortável, mesmo longe dela. O acolhimento cria confiança. O cordão invisível, uma vez criado, está sempre ali, por maior distância que filho e mãe estiverem um do outro.
Para saber mais sobre o tema, assista ao terceiro episódio da série Nota 10 – Primeira Infância e compartilhe suas opiniões conosco.




http://www.desenvolvimento-infantil.blog.br/primeirissima-infancia-o-estabelecimento-de-um-vinculo/


Sobre a Fundação

A Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV) é uma fundação familiar que, desde 2006, trabalha pela promoção do Desenvolvimento da Primeira Infância no Brasil. Acreditamos que, ao colaborar para o desenvolvimento das crianças, estamos colaborando para o desenvolvimento da sociedade como um todo.



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Dedicação da mãe aos filhos varia conforme contexto familiar, diz estudo brasileiro


Crianças de famílias estáveis costumam receber mais atenção materna

Thais Paiva

  shutterstock










Viver em um lar estável, onde as pessoas tratem bem umas às outras pode ser decisivo para um bom relacionamento entre mãe e filho. Este é o resultado de um estudo realizado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), apresentado na 21ª Conferência Bienal de Etologia Humana, em Viena (AT). Segundo os cientistas, os cuidados que as mães dedicam aos filhos não são só fruto de instinto materno, e sim modulados por fatores ambientais e sociais, como renda, relação entre membros da família, incidência de doenças, entre outros. 

“As pessoas acreditam que cuidado de mãe é algo automático e incondicional, mas na verdade não é isso que encontramos em nossos resultados - e vários pesquisadores têm chegado à mesma conclusão”, diz Tiago Zortéa, mestre em psicologia pela Ufes e um dos autores do estudo. 

Na pesquisa, 98 mães da região metropolitana de Vitória (ES), com filhos entre 0 e 9 anos e renda familiar entre R$ 102 e R$ 21.800 por mês, responderam a um questionário que procurava esclarecer o relacionamento entre os membros da família, expectativas de futuro, condições de vida, cuidados diários, atenção com a higiene, disciplina e saúde, entre outros aspectos. 

Duas conclusões chamaram a atenção dos pesquisadores: a primeira foi a de que, quanto maior a proximidade entre a mãe e a criança, mais a mãe vai cuidar dela, independente da renda, religiosidade ou se a criança foi planejada. A segunda conclusão foi a de que a expectativa que as mães possuem sobre o futuro também afeta a intensidade do cuidado oferecido. 

Neste último caso, constatou-se na amostra que a expectativa é influenciada principalmente pela qualidade de vida familiar. "Quanto mais tumultuada for a família, menos esperançosa a mãe fica com relação ao seu próprio futuro e o da criança. Esta "desesperança" faz com que ela cuide menos de seus filhos”, explica Tiago. 

"Apesar dos resultados serem muito interessantes e trazerem à tona a importância do ambiente na construção do vínculo entre mãe e filho, não podemos correr o risco de fazer generalizações", diz Ricardo Monezi, psicobiólogo e pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp. E reforça: "Como o Brasil possui uma diversidade sociocultural muito grande, é possível que as conclusões mudem de acordo com a região analisada ou até mesmo com uma amostra envolvendo mais pessoas". 

Mesmo com essas ressalvas, o psicobiólogo concorda com alguns pontos levantados pela pesquisa. “Ambientes propícios ao cuidar, como é o caso de famílias estáveis, desencadeiam o instinto materno. Quando inseridos em um ambiente saudável, a mãe se sente melhor e acredita mais no futuro do filho, o que funciona como um fator de motivação para a dedicação.” 

Por outro lado, violência doméstica, pais que brigam na frente dos filhos e outros problemas familiares podem deixar a mãe desmotivada. "Esta falta de perspectiva ou apoio pode fazer com que ela se sinta menos preparada para cuidar dela ou dos filhos", explica. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

NÃO DEIXE O SEU BEBÊ CHORANDO!



MOVIMENTO INTERNACIONAL NÃO DEIXE O SEU BEBÊ CHORANDO !


Homens e Mulheres, pesquisadores e profissionais de saúde que trabalhamos em distintos campos da vida e do conhecimento, mãe e pais preocupados com o mundo em que nossos filhos e filhas vão crescer, cremos que é muito necessário nos manifestarmos.


Concordamos que é frequente que os bebês de nossa sociedade ocidental chorem, porém não é certo que "seja normal". Os bebês choram sempre por algo que lhes produz mal estar: sono, medo, fome, frio, calor... além disso, da falta de contato físico com sua mãe ou outras pessoas do seu entorno afetivo.



O choro é o único mecanismo que os lactentes tem para nos comunicar sua sensação de mal estar, seja qual for a razão do mesmo; nas suas expectativas, no seu continuum filogenético não está previsto que este choro não seja atendido, pois não tem outro meio de avisar sobre o mal estar que sentem nem podem por si mesmos tomar as medidas resolve-lo.


O corpo do recém nascido está desenhado para ter o seio materno tanto quanto necessita, para sobreviver e para sentir-se bem: alimento, calor, apego; por esta razão não tem noção da espera, já que estando no lugar que lhe corresponde, tem a seu alcance tudo que necessita; o bebê criado no corpo a corpo com a mãe desconhece a sensação de necessidade, de fome, de frio, de solidão, e não chora nunca. Como afirma a norte-americana Jean Liedloff, na sua obra The Continuum Concept, o lugar do bebê não é no berço, na cama, e nem no bebê-conforto, senão no colo materno.


Isto é o melhor durante os primeiros anos de vida (por isto a antiga famosa "quarentena" das recém paridas). Depois, os colos de outros corpos de familiares podem ser substitutos por alguns momentos. O próprio desenvolvimento do bebê indica o fim do período simbiótico: quando se chega a determinados graus de desenvolvimento neuro-psico-motor e o bebê começa a sentar, depois a engatinhar e por fim a andar. Ou seja, pouco a pouco vai tornando-se autônomo e a desfazer este estado simbiótico.


A verdade é óbvia, simples e evidente.


O lactente toma o leite materno idôneo para seu sistema digestivo e além disso pode regular sua composição com a duração das mamadas, com a qual é criado no peito de sua mãe sem ter uma série de problemas infecciosos, alérgicos...


Quando chora e não se atende, chora com mais e mais desespero porque está sofrendo. Há psicólogos que asseguram que quando se deixa de atender o choro de um bebê depois de três minutos, algo profundo se quebra na integridade deles, assim como na confiança em seu entorno.


Os pais, ainda que sejam educados na crença de que "é normal que os bebês chorem" e que "há que deixá-los chorar para que se acostumem", e por isto estamos especialmente insensibilizados para que seu pranto não nos afete, as vezes não somos capazes de tolera-lo. Como é natural, se estamos um pouco perto deles, sentimos seu desespero e o sentimos com nosso sofrimento. Revolvem nossas entranhas e não podemos consentir com a sua dor. Não estamos de todo deshumanizados. Por isto os métodos condutistas propõem ir pouco a pouco, para cada dia agüentar um pouquinho mais este sofrimento mútuo. Isto tem um nome comum, que é a "administração da tortura", pois é uma verdadeiro suplício que infligimos aos bebês quando fazemos isto, e também a nós mesmos, por mais que estas sejam normas de alguns pedagogos e pediatras.


Vários pesquisadores americanos e canadenses (biólogos, neurologistas, psiquiatras, etc.), na década de 90, realizaram diferentes investigações de grande importância em relação a etapa primal da vida humana; demonstraram que o contato pele a pele, do bebê com sua mãe e demais familiares mais chegados, produz moduladores químicos necessários para a formação de neurônios e do sistema imunológico; em fim, que a carência de afeto corporal transtorna o desenvolvimento normal das criaturas humanas. Por isto os bebês, quando os deixamos dormir sozinhos em seus berços, choram reclamando o que por sua natureza lhes pertence.


No Ocidente se criou nos últimos 50 anos uma cultura e uns hábitos, impulsionados pelas multinacionais, que elimina este corpo a corpo da mãe com a criança e deshumaniza o cuidado: ao substituir a pele pelo plástico e o leite materno por um leite artificial, se separa mais e mais a criatura de sua mãe. Inclusive se fabrica modelos de "walkyes talkys" (babás eletrônicas) especiais para escutar o bebê de habitações distantes das dos pais. O desenvolvimento industrial e tecnológico não se coloca a serviço das nossas crias, chegando a robotização das funções maternas a extremos inimagináveis.


Simultaneamente a esta "puericultura moderna", se medicaliza cada vez mais a maternidade; o que tenderia a ser uma etapa prazerosa de nossa vida sexual, se converte em uma penosa enfermidade. Entregues aos protocolos médicos, as mulheres adormecem a sensibilidade e o contato com seus corpos, e se perde uma parte de sua sexualidade: o prazer da gestação, do parto e da extero-gestação – o colo e a amamentação. Paralelamente as mulheres decidiram pelo mundo do trabalho e profissional masculino, feito pelos homens e para os homens, e que portanto exclui a maternidade; por isto a maternidade na sociedade industrializada ficou encerrada no âmbito do doméstico e do privado. Contudo, durante milênios a mulher realizou suas tarefas e suas atividades com seus filhos pendurados a seus corpos, como todavia ocorre nas sociedades ainda não ocidentalizadas. A imagem da mulher com seus filhos deve voltar aos cenários públicos, aos locais de trabalho sob pena de comprometer o futuro do desenvolvimento humano.


A curto prazo parece que o modelo de criação robotizado não é daninho, que não é nada demais, que as crianças sobreviverão; porém pesquisadores como Dr. Michel Odent (1999 - .primal-health.org), apoiando-se em diversos estudos epidemiológicos, tem demonstrado a relação direta entre diferentes aspectos desta robotização e doenças na idade adulta. Por outro lado, a violência crescente em todos os âmbitos tanto públicos como privados, como tem demonstrado a psicóloga suiço-alemã Alice Miller (1980) e do neurofisiólogo americano James W. Prescott (1975), por citar somente dois nomes, também procede do mal trato e da falta de prazer corporal na primeira etapa da vida humana. Também há estudos que demonstram a correlação entre a dependência às drogas e os transtornos mentais, com agressões e abandonos sofridos na etapa primal. Por isto os bebês choram quando sente falta do que lhes tiraram; eles sabem o que necessitam, o que lhes corresponderia neste momento de suas vidas.


Deveríamos sentir um profundo respeito e reconhecimento ao choro dos bebês, e pensar humildemente que não choram porque sim, ou muito menos, porque são "manhosos"... Elas e eles nos ensinam o que estamos fazendo de incorreto.


Também deveríamos reconhecer o que sentimos em nossas entranhas quando um bebê chora; porque podem confundir a mente, porém é mais difícil confundir a percepção visceral – nossos instintos. O local do bebê é o nosso colo: nesta questão, o bebê e nossos instintos estão de acordo, e ambos tem suas razões.


Não é certo que dormir com os nossos filhos ("co-lecho") seja um fator de risco para o fenômeno conhecido como Síndrome da Morte Súbita. Segundo The Foundation for the Study of Infant Deaths, a maioria dos falecimentos por "morte súbita" se produz quando os lactentes estão no seu berço. Estatisticamente, portanto, é mais seguro para o bebê dormir na cama com seus pais que dormirem sozinhos (Angel Alvarez – .primal.es).


Por tudo que expomos, queremos expressar nossa grande preocupação com a difusão do método proposto pelo neurólogo E. Estivill em seu livro Duérmete Niño ou na edição em português: NANA NENÊ (baseado por sua vez no método Ferber divulgado nos EUA), para fomentar e exercitar a tolerância dos pais ao choro de seus bebês; se trata de um condutismo especialmente radical e evidentemente nocivo, tendo em conta que o bebê está ainda em uma etapa de formação. Não é um método para tratar os transtornos do sono, como se apresenta, senão para submeter a vida humana em sua mais tenra idade. As gravíssimas conseqüências deste método, tem começado a aparecer.


Necessitamos de uma cultura e uma ciência para uma educação de nossos filhos que seja compatível com a natureza humana, porque não somos robôs, senão mamíferos que sentimos e sofremos quando nos falta o contato físico com aqueles que amamos. Para contribuir com este movimento, para que teu filho ou tua filha deixe de sofrer já, e se sentes mal quando escutas chorar o seu bebê, atenda-o, pegue-o em seus braços para entender o que ele está solicitando; possivelmente seja só isto o que ele queira e necessita, o contato com o seu corpo. Não o negues.


Quando um recém nascido aprende em um berçario que é inútil gritar... Está sofrendo sua primeira experiência de submissão e abandono.


Michel Odent





Fonte: http://www.maternidadeconsciente.com.br/artigos/nao-deixe-seu-bebe-chorando/

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Primeira infância saudável evita doenças crônicas na vida adulta

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Negligenciar primeiros anos de uma criança também pode causar deficiência neuronal
Garantir um bom desenvolvimento durante a primeira infância (0 a 6 anos, conforme definido pelo Ministério da Saúde – MS) diminui as chances de aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis na vida adulta. Colesterol, doenças cardíacas, obesidade, diabete tipo 2, hipertensão e osteoporose são exemplos de enfermidades que podem ser evitadas desde a gestação, conforme mostra um estudo do epidemiologista inglês David Barker, com conclusões mundialmente reconhecidas pela comunidade científica.“Há mais de 20 anos, o doutor Barker partiu da hipótese de que crianças que nasciam com baixo peso tinham mais infartos ou problemas do coração quando adultas. A partir daí, ele levantou outra hipótese que mostrava que algumas doenças crônicas de adultos tinham origem fetal”, explica o epidemiologista e coordenador nacional adjunto da Pastoral da Criança Nelson Arns Neumann. “Já se sabe que as crianças que têm algum tipo de sofrimento durante a gestação têm mais chance de desenvolver alguns tipos de doenças na vida adulta.”
Estímulos
Algumas atividades podem – e devem – ser amplamente difundidas entre as crianças para melhorar o desempenho cognitivo ao longo da vida. Confira:
• Contato com o chão: principalmente no primeiro ano de vida, os pais têm de deixar a criança no chão para que ela possa construir seu esquema corporal e desenvolver o campo psicomotor. É importante que ela tenha acesso a brinquedos com os quais possa observar a reação do objeto depois da ação dela, como uma bola.
• Jogo simbólico: até os seis anos de idade o jogo simbólico, ou a brincadeira do faz de conta, é uma das principais atividades da criança. Brincar de ser mamãe, super-herói, professor e outros personagens é um mecanismo que ela usa para aprender sobre o mundo e elaborar as dificuldades com as quais vai se deparar no futuro.
• Brincadeiras corporais: jogar bola, correr, subir, descer. Os pais não precisam ter medo de deixar os filhos livres para explorar o mundo. Machucar-se faz parte do crescimento. Atividades como essas ajudam as crianças a se expressarem com o corpo.
• Contar histórias: ler uma história para a criança é muito importante, pois desenvolve, dentre outras coisas, a imaginação.

Fonte: Maísa Pannuti, psicóloga especialista em educação e professora da Universidade Positivo.
Progressão do cérebro
No primeiro ano de vida, o cérebro de um bebê realiza aproximadamente 15 mil conexões entre seus neurônios. Aos seis anos, esse número sobe para a casa dos trilhões, o que revela um aumento imenso nas sinapses e, consequentemente, no desenvolvimento cerebral durante a infância, esclarece o pediatra e presidente da Sociedade Brasileira de Pediatra Eduardo Vaz.
Conforme o neuropediatra do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professor do departamento de Pediatria da mesma universidade Sérgio Antonio Antoniuk, é devido a essa alta do desenvolvimento cerebral durante a infância que a criança precisa ser estimulada para favorecer a aprendizagem. “Todas as crianças deveriam receber estimulação em casa e, se isso não for possível, é importante que ela frequente creches, com crianças da mesma idade. Ela precisa de estímulos visuais, auditivos, motores, porque não vai aprender tudo sozinha.”
Tamanhos médios do cérebro ao longo da vida
O máximo do desenvolvimento cerebral ocorre até os quatro anos de idade, esclarece Antoniuk. Veja como se dá progressão:
• Recém-nascido: 300 gramas 
• Um ano: 1 quilo 
• Quatro anos: 1,250 quilo 
• Adulto: 1,4 quilo

Fonte: Sérgio Antonio Antoniuk, neuropediatra do Hospital de Clínicas da UFPR e professor do departamento de Pediatria da mesma universidade.

Algumas justificativas para isso são velhas conhecidas: o uso de cigarros, drogas e álcool durante a gravidez, pressão alta e diabete desenvolvidos pela mãe nesse período. Outras são mais recentes, porém não menos prejudiciais, como a recusa insensata da gestante em engordar – o que deixa o bebê subnutrido –, a maternidade cada vez mais tardia e, principalmente, a antecipação do parto por causa da cesárea.
De acordo com o Minis­tério da Saúde, crianças que nascem duas semanas antes da data ideal têm 120 vezes mais chances de ter problemas respiratórios. Para Neumann, a antecipação do parto sem necessidade representa erro ou incompetência médica. “Existem casos em que você precisa fazer [o parto] antes, claro, mas em geral o médico vai acompanhando dia a dia, deixa o maior tempo possível dentro da barriga da mãe, porque, mesmo para a criança doente, a melhor UTI é dentro da barriga da mãe”, salienta.
Primeiros anos
Apesar de decisiva, a vida intrauterina não é a única que define o surgimento das doenças. Mesmo após o parto, durante os primeiros anos da criança, os pais precisam ficar atentos ao desenvolvimento dos filhos para evitar problemas futuros. Segundo o pediatra e presidente da Sociedade Brasileira de Pediatra, Eduardo Vaz, negligenciar essa fase, além de contribuir para o desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis também pode causar deficiência neuronal. “Crianças com menos suporte têm a região do hipocampo [responsável, sobretudo, pelas funções relacionadas à memória] diminuído, e isso faz com que elas fiquem mais sujeitas a transtornos de depressão e ansiedade quando se tornarem adolescentes”, completa.
Apego, atenção e afetividade são essenciais
Contribuir para uma evolução saudável durante a primeira infância requer mais do que manter rotinas de cuidados com a saúde. Para o professor do curso de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especialista em desenvolvimento infantil Mauro Luís Vieira, apego, atenção e afetividade são essenciais. “A criança precisa da vinculação, e nada vai substituir a atenção dos pais. Como a maioria dos pais e mães trabalha fora, os poucos momentos que passam com a criança têm de ser intensivos, para que haja afetividade”, explica.
Além disso, o período inicial da vida molda o comportamento da criança. É nessa época que os pais precisam encarar a responsabilidade de impor limites. Segundo Vieira, esse é um grande problema da família atual, uma vez que vários pais e mães não têm ideia das consequências que pode causar a falta do “pulso firme” e não sabem como lidar com a situação adequadamente.
Medo
De acordo com o pediatra do Hospital Pequeno Príncipe Cícero Kluppel, a falta de imposição, que pode ser nociva para o desenvolvimento dos filhos, acontece muitas vezes porque a família tem medo de reprimir a criança. “Saímos de uma fase em que o limite era extremo e fomos para uma geração em que se permite tudo. Essa geração não está conseguindo colocar limites por medo de estar passando da conta”, explica.
No entanto, o pediatra ressalta que o limite não deve ser desconsiderado quando o assunto é comportamento, pois tal atitude traz segurança para a própria criança. “Quando há rotina, que é um tipo de limite, o filho passa a se sentir seguro porque sabe o que vai acontecer. Sem rotina, a criança vai criar mecanismos para chamar a atenção, vai agir com birra exacerbada.”
01/10/2012 | 00:11 | ANGIELI MAROS, ESPECIAL PARA A GAZETA DO POVO

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Culpa Materna

culpa-materna

Você se sente culpada em relação aos filhos? Saiba que não está sozinha. O sentimento é comum a todas as mães zelosas, mas é possível, sim, conviver com ele de forma saudável.
O nascimento do bebê desperta o instinto maternal e, com ele, vem a... culpa! Esse sentimento incômodo não deixa incólume nem as mulheres que se dedicam 24 horas aos seus rebentos. “Meu filho está muito apegado, será que sou presente demais?”, questionam. A coisa só piora quando elas têm de se dividir entre casa e trabalho. “Sou muito egoísta porque penso em carreira enquanto meu bebê precisa de mim”, punem-se. Se entram na equação lazer, hobbies e outros interesses pessoais,então,a coisa fica feia. E vem o exagero: “Sou uma péssima mãe porque deixo meu filho uma vez por mês com a avó para almoçar com minhas amigas.” O fato de esse mal-estar ser comum a todas as mulheres que têm filhos não significa, porém, que um esforço para controlar a culpa seja desnecessário ou em vão. Pelo contrário. É possível, sim, viver a maternidade de maneira mais tranquila. E um dos primeiros passos é identificar as origens de tanta culpa.
A mais antiga delas vem do que os psicanalistas costumam chamar de “herança intergeracional”, ou seja, a ideia para lá de caduca de que mulheres nasceram para serem mães e cuidarem da casa, da família. Só isso. Uma bobagem tremenda, mas que persiste no subconsciente feminino. Em geral, é por causa dela que você se pega questionando se o emprego não está ocupando lugar demais em sua vida mesmo que tenha feito a opção de trabalhar meio período para poder se dedicar ao bebê.
 É essa noção de que as mulheres nasceram exclusivamente para a maternidade também que
 incomoda quando você decide deixar os filhos com a babá para sair com o maridão, ou quando
 resolve ler um livro em vez de arrumar o material escolar  das criança.
E não para por aí. “Outra grande fonte de culpa é uma fantasia onipotente, a ideia de que é possível 
dar conta de tudo e  com perfeição”, afirma a especialista em psicopatologia do bebê, Maria Cecília 
Pereira da Silva, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Funciona mais ou 
menos assim: em 24 horas, você tem que ser sensível aos sinais de desamparo do seu filho, garantir 
que a empregada e a babá atendam a todos os seus comandos, manter o mesmo ritmo de produção
 no trabalho que tinha quando era solteira (ou ainda aumentar), estar linda e sexy, namorar, dormir oito 
horas e acordar animadona para correr na esteira. Ou: já que decidiu dar um tempo na carreira para 
cuidar da cria, vai ter que amamentar até os dois anos, no mínimo, cozinhar todas as refeições dos
 seus filhos com ingredientes orgânicos escolhidos a dedo por você mesma, construir brinquedos 
artesanais, contar histórias interessantíssimas que inventou, colocar o bebê para dormir todas as
 noites e por aí vai... “As mulheres estão adoecendo com suas expectativas de perfeição”, escreveu 
Karen Kleiman, fundadora e diretora executiva do Centro de Stress Pós-parto dos Estados Unidos
 no artigo Guilty, Mothernhood and the Pursuit of Perfection (Culpa, Maternidade e a Busca pela
 Perfeição, em português).

Está claro que, na maioria dos casos, a culpa é parte de uma armadilha que criamos para nós 
mesmos. Mas tal sentimento também tem uma função benéfica. Ele serve de norte para nos 
ajudar a avaliar se estamos agindo da forma que julgamos correta. “A culpa é uma expressão de 
maturidade psíquica, emocional”, diz a psicanalista Belinda Mandelbaum, coordenadora do 
Laboratório de Estudos da Família do departamento de Psicologia Social e do Trabalho da 
USP. “Ela é sinal de que somos responsáveis por aquilo que fazemos com o outro.” Ou seja, a 
culpa faz parte da vida de quem zela pelos filhos. Uma atitude saudável, portanto, é usar o 
sentimento como um instrumento diário de aperfeiçoamento da vida em família. Ao menor sinal 
de culpa, pare, avalie a situação e deixe o instinto agir.

Veja abaixo algumas das situações mais comuns em que a culpa aparece e
 saiba como lidar com ela da melhor maneira possível. 



Trabalho fora e, por isso, tenho que deixar meu bebê com a babá, com a avó 
ou em uma creche

Bebês pequenos que ficam separados por muitas horas ininterruptas das mães podem, sim, ter 
algum prejuízo emocional. Isso porque, devido à imaturidade psíquica, não têm condições de saber 
que a mãe voltará, o que causa uma sensação de desamparo profundo. Isso não significa que toda 
mulher que resolveu ter filhos deve parar de trabalhar até que a criança cresça. Muito pelo contrário. 
Para algumas, continuar ativa profissionalmente garante que volte para casa mais feliz e disposta a 
atender os rebentos. Alguns ajustes, porém, são inevitáveis depois que um bebê nasce. Talvez 
seja necessário trabalhar menos horas, trazer o escritório para dentro de casa ou dar uma 
escapadinha na hora do almoço para dar um “oi” ao filhote. Se nada disso for possível, garanta 
que seu tempo com a criança seja de qualidade. Como aconselha Maria Cecília: “Ao final do 
expediente, antes de começar os afazeres domésticos – dar comida, banho, colocar para 
dormir, por exemplo – reserve um tempo para brincar com seu filho. De preferência, escolha
brincadeiras simples que requeiram contato físico, olho no olho. 
Nada de assistir televisão, jogar videogame ou coisa do tipo. Isso ajuda a diminuir a sensação 
de ausência e promove o vínculo.”


Dedico um tempo à academia e a atividades de lazer que eu poderia aproveitar
para ficar mais com o bebê

Viver 24 horas com as demandas de um bebê é muito estressante para qualquer adulto. Por isso, 
reserva um tempo para si é importante. E até mesmo aquelas mães que já passam um período fora de 
casa trabalhando costumam voltar renovadas depois de um almoço entre amigas ou uma aula de ioga, 
por exemplo. O grande problema são os exageros. 
Ninguém vai ficar mais gorda ou estressada se deixar de ir à academia no dia em que a criança está
com febre em casa. 
“Outra situação muito comum hoje em dia é ver pais de bebês com menos de um ano viajarem de férias 
por períodos longos sem seus filhos. Isso não é saudável”, diz Belinda Mandelbaum. A dose de presença 
ideal, porém, não existe. Cada família sabe o quanto é bom.


Não consigo organizar a rotina do pequeno

É verdade que os bebês adquirem naturalmente uma rotina, mas alguns demoram para
 realizar tal conquista. Por isso, muita calma nessa hora. Não é só porque você leu que, 
a partir dos dois meses, um bebê já é capaz de dormir a noite inteira que vai exigir que 
seu filho esqueça a fominha das 3 horas da manhã e fique quietinho até o dia raiar. Talvez
 o seu seja mais faminto e precise, por um tempo maior do que os outros, se alimentar 
durante a noite. E tudo bem. Além do mais, o papel da mãe é muito mais criar condições 
no ambiente para que essa rotina se estruture do que impor hábitos forçados. Isso não
 significa que você não fará nada se seu filho de 2 anos continua acordando a cada duas 
horas, claro. Nem que, todas as noites, você dê um pulinho na casa da amiga com o 
bebê à tiracolo, justo na hora de ele ir para a cama. Mas é útil e saudável reconhecer 
que nem tudo está ao seu alcance.


Meus amigos e familiares me criticam em relação à maneira como cuido
do recém-nascido

Não importa se você está cuidando bem ou mal do seu bebê, as críticas e palpites sempre aparecerão. 
Sempre. E dar ouvido a elas, sobretudo se vierem de muitas pessoas diferentes, 
mais confunde do que ajuda. O melhor nessas horas é seguir o próprio instinto, afinal de 
contas, ninguém conhece melhor seu filho do que a própria mãe. Como adverte a americana
 Karen Kleiman: “As mães precisam saber que é normal seguir seus bons instintos e é normal errar.”


Não posso pagar uma creche/escola de alto padrão

Matricular seu filho em uma escola mais cara não vai fazer de você uma mãe melhor. Garantir que ele 
tenha o melhor que você pode dar, vai. Fazer por ele só o que está dentro de seus 
limites – sim, os seres humanos, até mesmo as mães, são limitados –, vai. Deixar que ele 
saiba que você não pode tudo, mas faz tudo o que pode com carinho e dedicação, também vai!


Nem sempre tenho dinheiro para comprar os brinquedos que meu filho pede

Desista. Você nunca vai dar conta de atender a todos os pedidos de seus filhos. “O desejo das 
crianças é infinito”, diz Belinda. Em vez de se sentir culpada por não poder dar o que querem, 
aprenda a aguentar e conviver com a insatisfação deles. Afinal, elas existirão, sempre. Além disso, 
não poder comprar uma boneca não significa que a criança está condenada a permanecer sem lazer.
Qualquer caixa de papel pode virar um belo brinquedo, basta usar a imaginação. “E ensinar a 
brincar é muito mais importante do que fornecer brinquedos”, completa a psicanalista.


Às vezes, perco a paciência e brigo com meu filho
Atire a primeira mamadeira a mãe que nunca se irritou com os rebentos. Isso acontece com todo 
mundo, é normal e aceitável, desde que você não parta para a violência. Se achar que exagerou e
 bater aquela culpa danada, peça desculpas, conte a ele que você é humana, que erra e que, apesar 
do momento de descontrole, o ama muito, muito, muito.


Não consigo manter a organização da casa como gostaria, depois que o 
bebê nasceu

Primeiro de tudo, quem está cobrando de você uma casa organizada? Segundo: se ainda não percebeu, 
os bebês chegam para fazer uma deliciosa bagunça nas nossas vidas. E isso implica 
em ter umas camas desarrumadas, uns supermercados por fazer, uma pilha de roupas para passar... 
Com o tempo, porém, as coisas se ajustam. Sua casa nunca mais será como era antes, mas poderá, 
sim, ter uma nova ordem.


Não tenho tempo de cozinhar alimentos frescos para o meu filho

É verdade que crianças precisam de uma alimentação cuidadosa, ou seja, composta por ingredientes 
frescos empregados em receitas balanceadas. Mas isso não significa que você é quem deve prover tudo
 isso. Se não tiver tempo de fazer o supermercado ou de ir à feira, peça ajuda ao marido ou recorra às 
compras pela internet. Também não fique presa ao ideal de mãe que encosta o umbigo no fogão todo
 santo dia para cozinhar o menu da família. Se tiver empregada doméstica ou babá, delegue a função a 
elas e apenas supervisione. Se este não for o seu caso, considere contratar uma cozinheira periodicamente 
para preparar pratos que você pode congelar. Lembre ainda que hoje em dia é possível comprar comida
 pronta fresca e de boa qualidade.


Não tive leite suficiente para amamentar meu filho

Ninguém discute o valor nutricional do aleitamento materno nem o seu papel no estabelecimento do vínculo
 entre mãe e bebê. Mas os filhos de mães que, por algum motivo, não puderam amamentar, podem, sim, 
crescer saudáveis. Em vez de fazer um sacrifício diário procurando em seu corpo o que não há, converse 
com o pediatra e, juntos, vocês vão encontrar uma alternativa que supra as necessidades nutricionais do 
pequeno, sem comprometer o desenvolvimento dele.


Tive meu filho por meio de uma cesariana, não um parto normal


É verdade que as cesarianas, no Brasil, têm sido feitas desnecessariamente. Médicos induzem suas pacientes 
a marcar a cirurgia e, ao mesmo tempo, gestantes defrontadas com o medo do parto, das dores, dos 
cortes – o que é absolutamente normal – encontram no procedimento uma saída mais confortável para ter 
seus bebês. Feita essa ressalva, é importante lembrar que a cesariana é um método necessário em muitos 
casos, praticado inclusive nos países que exibem índices altíssimos de parto normal. Além disso, o parto
é um momento importantíssimo na vida da mãe e da criança, mas é só um deles. Haverá muitos outros na 
vida de vocês. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Documentário: Babies


Apresenta a gravidez e o nascimento de quatro bebês de países distintos: Mongólia, Namibia, Estados Unidos e Japão. 
Os bebês: Ponijao, Bayar, Mari e Hattie são acompanhados durante dois anos de vida. 
Veja a apresentações de belas e divertidas imagens com os pais e ações do cotidiano.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A importância do pai na educação dos filhos. Função Paterna x Função Materna


Antes de começar a discorrer sobre o tema da importância do pai na educação de seu filhos, acho importante relembrar o conceito de “função paterna” e “função materna”, que não necessariamente tem haver com o que cabe “ao pai” ou “a mãe” fazerem no processo de educação de seus filhos. Atualmente, no mundo pós.moderno, caracterizado pela formação de novas constelações familiares, seria quase impossível dividir esta tarefas de acordo com os papeis sexuais. O que se mantem, de o fato, é a necessidade que a criança tem de que alguém que exerça esses dois papeis no decorrer do seu desenvolvimento, seja ele pai, mãe, avó, avo, baba, escola, ou qualquer outro sujeito que esteja vinculado a ele. 
É claro que não pretendemos com isto desqualificar a enorme importância que um PAI e uma MÃE tem no processo de desenvolvimento psíquico de seus filhos, mas queremos apenas mostrar que, na falta de um modelo tradicional de figuras identificatórias, é possível encontrar novas possibilidades que exerçam estas funções essenciais no desenvolvimento da criança.


Abaixo procuraremos esclarecer um pouco o que chamamos de função paterna e função materna, relembrando sempre que, ao fazermos referencia ao pai e a mãe, não estamos necessariamente falando de dois indivíduos concretos e distintos.

O exercício da “função paterna” pressupõe muito mais do que a simples presença masculina na relação com o bebe. Esta função se encontra no espaço de “subjetivação”,do exercício de poder” entendida como a representação da lei. Se a “lei do pai” é aceita e internalizada progressivamente na criança, esta passa a se ver em um mundo com as outras pessoas e não só no mundo todo dela, o que favorece a saída da sua “onipotência infantil”, alem ressaltar para acriança o contato com os próprios limites, com a alteridade e com a morte.

Cabe ao pai a função de ser o “sustententador da lei”, o representante da lei para a criança: Ele não é a lei. Ele não faz a lei, mas é o representante da lei. 
A Função Paterna favorece a formação do Superego na criança ao propiciar para a mesma a possibilidade de interiorização de uma série de regras morais que são fundamentais para o convívio social. Isto ocorre pois cabe ao pai ser aquele que proíbe o incesto, que intervem na díade mãe-filho, com o objetivo de impedir que a relação fusional que os mantém unidos desde o nascimento do bebe se prolongue por muito mais tempo, impedindo o desenvolvimento da individualidade da criança. É por isso que se diz que o pai é o “representante da lei”, ou seja é através dele, e da função que cabe à ele, que a criança internaliza o conceito de regra e moral. “Devido a presença do pai a criança é proibida de ter a mãe”.

O pai precisa agir como facilitador de separações, impulsionando o filho a seguir adiante. A partir deste momento, o pai passa a ser um elemento importante e fundamental deidentificação da criança, que antes era um papel restrito a mãe. Contudo, o pai só fará parte deste dinâmica se a mãe permitir e se for introduzido por ela. Neste momento, encontramos muitas vezes mães que, sem perceber, e por motivos mais diversos possíveis, sejam eles conscientes ou inconsciente, não conseguem fazer este corte do “cordão umbilical” com seus filhos e sem perceber, acabam impedindo o desenvolvimento psíquico saudável deles, chegando até mesmo, a comprometer o processo de aprendizagem acadêmica da criança. Entretanto, tal assunto será melhor abordado numa outra postagem.

Para que o pai realmente participe como facilitador da separação e como elemento de identificação, é importante que ele se predisponha a fazer parte desta relação. É preciso que ele adote afetiva e efetivamente seus filhos. Pais muito autoritários ou muito distantes podem favorecer o aparecimento de problemas de personalidade nas crianças e dificuldades de interação com companheiros.

O pai, ao representar o primeiro terceiro que entra na vida da criança, como um ser absolutamente diferente e com autonomia, permite ao filho que este se perceba como um ser integrado e autônomo.

A paternidade é um grande ancoradouro de valores éticos e morais e portanto, a palavra “pai” neste novo contexto, deveria deixar de representar uma atitude distante e passa a ser substituída pela palavra “participação”.

O pai suficientemente bom é aquele que deseja um desenvolvimento saudável para seu filho, dentro das potencialidades de cada um, ensinando.o a viver no mundo real, e no aconchego do seio familiar.

Finalmente, cabe ao pai ser um suporte emocional da mãe, proporcionando-lhe tranqüilidade necessária para que ela possa desempenhar seu papel. Para Winnicott, o pai precisa sustentar o estado materno de preocupação com o bebê, precisa proporcionar a mãe um suporte para que esta possa se ater a sua relação com o bebe.
Cabe a mãe, por seu lado, servir de “mãe-ambiente-continente” para o bebê Ela deve se identificar com o bebê e o ajudar na sua  “integração”, ou seja, a perceber-se no tempo e no espaço, reconhecendo-se no seu corpo e na realidade, permitindo uma vivencia de onipotência, que é muito importante no início da vida para combater a ameaça de falta de controle sobre o que se apresenta.

Aos pais, portanto, cabe a função de transmitir regras e normas morais e sociais servindo como referencia.

Cabe a eles a árdua tarefa de impor limites. A falta de limite impede que a criança, quando adolescente, exercite sua capacidade de pensar, de ser criativo e espontâneo e impede ainda que o jovem organize sua mente pois o limite ajuda nesta organização.
De acordo com Bal (2001), deveria haver um equilíbrio entre direitos e deveres dos pais. No divorcio, assegura-se o direito de que cada um deles possa atender as múltiplas demandas dos filhos, ora agindo um de cada vez, ora conjuntamente, e que são capazes de exercer os papeis do outro e os seus próprios, conservando seus domínios privilegiados de intervenção, de se fazer um novo contrato social, fundado não nos papeis sexuais, mas nas necessidades do filho ter pai e mãe.


Texto elaborado por Gabriela Jens de Mello

Fonte: http://espacoparadialogar.blogspot.com.br/2011/12/importancia-do-pai-na-educacao-dos.html 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

LAURA GUTMAN NO BRASIL - EU VOU!


          Pela primeira vez no Brasil, Laura Gutman estará em Florianópolis dia 01/09 e em São Paulo dia 02/09 para o seminário
"O poder do discurso materno".

É autora de livros como "A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra", "Crianza, violencias invisibles y adicciones" e "La revolución de las madres", que exploram o universo da maternidade, os vínculos familiares e as dinâmicas violentas aos quais os seres humanos estão submetidos.
Desde 1996, formou mais de 300 educadores, médicos e profissionais em geral, objetivando construir uma nova visão acerca do problema da violência social e oferecer ferramentas concretas para assumir, com maios consciência, o trabalho que compete a cada um de nós na criação de um mundo menos violento e mais humano.
O seminário terá duração de 4 horas e é dirigido a mães, pais, professores, educadores, psicólogos, psicopedagogos, assistentes sociais, profissionais da saúde, profissionais das ciências humanas e todos aqueles que desejam contribuir para um mundo mais amável.
Mais informações em