segunda-feira, 12 de maio de 2014

Terapeuta argentina reflete sobre o vínculo entre mãe e filho

  
    Laura Gutman diz que não há como estabelecer vínculos saudáveis com nossos filhos sem revisitar a própria infância. 
Saiba mais!


Terapeuta especializada em temas de família, Laura Gutman graduou-se em Paris na década de 1980 sob a batuta da analista Françoise Dolto. Fundou o Instituto Crianza, na Argentina, onde funciona uma escola de capacitação para profissionais da saúde e educação e grupos de atendimento ligados a temas da maternidade e infância. Seu primeiro livro traduzido no Brasil, A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra (BestSeller), que já vendeu cerca de 15 mil exemplares, virou hit entre as mulheres que pensam a maternidade como um bom momento para saber mais sobre si mesma. Em 2013, Laura lançou o livro O Poder do Discurso Materno (Summus), em que trata mais detalhadamente de seu método de biografias humanas, processo que mapeia a infância de cada um de nós para concluir qual foi o personagem que nossas mães nos concederam — e que, evidentemente, não corresponde ao que somos hoje em dia. Em uma de suas palestras, emocionou a plateia ao dizer: "Conhece sua parte mais secreta, aquilo que você esconde até de você mesma, a fim de que ela não se projete sobre seus filhos", numa interpretação livre da célebre frase de Jesus Cristo: "Conhece-te a ti mesmo". Pois é isso. Para Laura, uma boa mãe não vem pronta. Ela se questiona e se avalia o tempo todo.

Em que medida tratar da própria infância tem a ver com a criação dos nossos filhos?
Tem tudo a ver. Nossa infância é a semente daquilo que somos. E também o que move os fios de nossa vida cotidiana e a forma como nos vinculamos com as crianças de hoje. Se fomos desamparados durante a infância, abusados ou abandonados de diferentes formas, logo reagimos, e essa reação está no adulto que nos tornamos. E usaremos essas mesmas estratégias de sobrevivência para nos vincularmos hoje. Por isso é tão importante recorrer primeiro ao verdadeiro cenário da nossa infância antes de pretendermos ser boas mães ou bons pais.

E o que significa ser uma boa mãe?
Uma boa mãe, um bom pai, uma boa pessoa é aquela que está disposta a olhar os aspectos de si mesma, aqueles que não admite nem reconhece como próprios. É aquela que está disposto a refletir, escutar e olhar a sua realidade com uma nova lente. É aquela que faz perguntas permanentemente.

Nós impomos aos nossos filhos os nossos desejos e necessidades. De que maneira isso acontece e por quê?
Isso é muito comum. É difícil observar claramente uma criança e aceitar que aquilo que ela necessita — ou reclama — é legítimo apenas para ela, ainda que não tenha importância nenhuma para nós. Em geral, os adultos têm um ponto de vista sobre cada coisa: o que é correto, incorreto, útil, bom, positivo. Pretendemos educar a criança segundo nossos parâmetros, em vez de observar primeiro e estar à disposição do desenvolvimento espontâneo de cada criança.

Você diz que quando nascemos somos nomeados por nossas mães. Esse personagem cuida de nós durante toda a vida. Por quê?
Lamentavelmente, quando a criança pequena nos pede algo (presença, colo, carinho, corpo materno, escuta, tempo, empatia ou nutrição) e nós, mães, não estamos em condições de satisfazê-la, nomeamos essa criança segundo nossas apreciações subjetivas: ela é caprichosa, é boa, é mal educada, é terrível, é exigente. Na verdade, ela "não é" tudo isso. Simplesmente pede aquilo de que necessita. E pede de maneira "audível" pelo adulto. Mas as interpretações que nós, adultos, fazemos muitas vezes estão distantes da realidade afetiva da criança. É o mesmo que aconteceu conosco, quando éramos crianças, mas não temos nenhum registro disso.

Você diz que um dos primeiros atos de violência contra uma criança é privá-la do "prazer físico-sensorial". Isso significa amamentação? Ou o contato físico com a mãe?
Os seres humanos são mamíferos. Nascemos do ventre de uma mãe e necessitamos desesperadamente ser protegidos pelo corpo materno. Privar as crianças do prazer de estar em contato permanente com a mãe é um desastre ecológico. Estamos reprimindo todo o prazer, todo o pulso vital e toda implantação sensorial da criança para o resto da vida. A amamentação é parte disso - mas, sem a permanência da criança sobre o corpo da mãe, a própria amamentação não pode prosperar.

O que significa ignorar o choro de um bebê?
Creio que é a violência mais atroz: a violência do desamparo. É a semente do sofrimento humano.

As mães deveriam, então, deixar de trabalhar para estar mais presentes e se vincular aos filhos?
É fantástico que nós, mulheres, trabalhemos. Eu trabalho desde os 15 anos. A autonomia e a liberdade são fundamentais e são direitos de cada adulto, homem ou mulher. Eu escrevi em vários livros que é frequente que as mães, incapacitadas de se vincular afetivamente com os filhos, usem o trabalho como lugar de refúgio para não enfrentar o desafio da intimidade emocional que uma criança pede. Eu sou feminista. E o trabalho não tem nada a ver com a capacidade de se vincular afetivamente.

O trabalho não rouba o tempo com as crianças?
Não, essa é uma desculpa. O trabalho não é um predador da relação afetiva entre a mãe e seu filho. A única coisa que fere a relação entre mãe e filho é a incapacidade afetiva. Podemos trabalhar, sim, se precisamos, se gostamos e se isso nos faz felizes. O problema é voltar para casa e ter o desejo de conectar-se novamente com a criança. Em geral, a volta para casa nos angustia e preferimos escapar via iPhone, internet ou qualquer outra atividade social que devolva nossa identidade.

Fonte: http://bebe.abril.com.br/materia/terapeuta-argentina-reflete-sobre-o-vinculo-entre-mae-e-filho

sexta-feira, 9 de maio de 2014

As mães/profissionais do Ninho Materno...


Pensamos em homenagear as mães falando da nossa vivência pessoal como mães.
E pra dizer que somos todas mães em busca de si mesmas!
Essa é a missão do Ninho Materno, reconhecer a maternidade possível e genuína, e acolhê-la com afetividade, compreensão e orientação.
Feliz Vida a todas nós... mães!



domingo, 20 de abril de 2014

"Limites" - Roda de Mães

Vamos conversar sobre a importância dos limites na educação dos filhos!
Bate-papo com troca de experiências e informação profissional.
Vagas limitadas.


quinta-feira, 10 de abril de 2014

Roda de Mães

"Introdução alimentar e alimentação para bebês"

Tema da próxima Roda de Mães do Ninho Materno


segunda-feira, 24 de março de 2014

"O instinto materno existe?"


Laura Gutman
Tradução: Marcia Ferraz    
                                  

"O instinto de proteger, cuidar, nutrir e amparar um filho só se pode manifestar a medida que esse filho exista e tenhamos uma relação amorosa com ele. Agora, nós necessitamos de instinto materno para engravidar? Não, definitivamente não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ficamos grávidas porque somos férteis, porque tivemos contato sexual com um homem e porque faz parte da natureza humana. O instinto aparece mais tarde, quando o bebê nasce. A partir desse momento há um bebê necessitando de cuidados maternos que desperta nossa capacidade de amar.
Mas, uma vez que o bebê tenha nascido, sempre aparecerá o instinto materno? Porque muitas mães não sentem “isso” em relação a seus filhos? Porque nossa capacidade de protegê-lo e ampará-lo depende da repressão sexual que temos vivido durante toda a nossa vida, do desamparo a que fomos submetidas durante a nossa infância e da moral, do autoritarismo afetivo e d a rigidez que ainda hoje persistem e fazem parte de nossa maneira de ser. É como dizer que uma vez que temos um bebê real em nossos braços nos encontraremos com nossa capacidade ou incapacidade de cuidar, baseando-se em nossa história emocional passada, da qual geralmente não temos uma memória clara. De toda maneira, a função materna é algo que se aprende buscando referências externas e sempre quando reconhecemos o quanto é difícil para nós atender as demandas de um bebê pequeno.
Em todos os zoológicos do mundo, se sabe que qualquer fêmea criada em cativeiro, terá poucas chances de conceber e dar a luz a sua cria. E se isso acontecer, dificilmente a reconhecerá como sua e possivelmente terá dificuldades para amamenta-la e protege-la. Mas os cuidadores do zoológico a ajudarão e a cria possivelmente sobreviverá. Lamento essas comparações, mas a nos mulheres acontece algo parecido : atravessamos nossas gestações totalmente despidas de nosso auto-conhecimento e em seguida parimos em cativeiro: amarradas, espetadas por agulhas, ameaçadas e apressadas. Então, logicamente, imediatamente depois do nascimento nos ocorre que desconhecemos nossa cria. Nós, mães temos que fazer um esforço intelectual para reconhecer a este filho como próprio, com a culpa e a vergonha de pensar internamente que não possuímos esse valioso “instinto materno”.
Uma mãe pode ter uma fluidez extraordinária para atender intuitivamente as necessidades do bebê? Sim, claro, mas precisa ter vivido uma infância ideal! Se tivermos recebido suficiente amparo, contato corporal, palavras carinhosas, olhares exclusivos, peitos, disponibilidade emocional e explicações ao longo de toda a nossa infância, é muito mais provável que possamos responder instintivamente as necessidades do bebê. Caso contrário, necessitaremos de apoios externos que nos guiem até o amor e nos libertem dos preconceitos."

Laura Gutman
Tradução: Marcia Ferraz em 23/03/14 para Ninho Materno - Maternidade, Família e Infância.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Adaptação Escolar e Volta ao trabalho

Roda de Mães de 29 de março de 2014

     O processo de adaptação escolar, quer seja pela entrada no berçário ou em fases posteriores, traz grandes mudanças nos vínculos afetivos do bebê.
     Se a mãe está voltando ao trabalho, e o bebê vai para o berçário ou vai ficar com outro cuidador, ela também passa por um processo de adaptação.
     Voltar ao trabalho depois de viver a experiência da fusão emocional com seu bebê, traz conflitos, angústias e sentimentos ambivalentes para a mãe.
     É possível se preparar para esse momento?
     O que é importante saber, do ponto de vista do desenvolvimento emocional do bebê acerca dessa transição?
     O que esperar da escola no favorecimento desse processo?
     Que tipo de apoio a mãe vai precisar nesta nova fase da maternidade? 
     Essas e outras questões serão abordadas nesta roda, para acolhimento, informação, troca e partilha entre  mães e profissionais.
     Bem-vindas!



domingo, 9 de março de 2014

Por que é importante cuidar de mães e bebês?


Entrevista : Bernard Golse


A mãe suficientemente boa é aquela que se permite ser imperfeita. A afirmação é do psiquiatra infantil e psicanalista francês Bernard Golse, pai de Veronique e Nicholas, um dos pediatras mais respeitados do mundo, que esteve no Brasil em maio para uma série de conferências, numa iniciativa do Instituto da Família, presidido pelo nosso colunista, o pediatra Leonardo Posternak, da Abebê (Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê) e do Infans (Unidade de Atendimento ao Bebê), ONG que atende gestantes, pais e bebês. Golse abriu espaço numa agenda recheada de compromissos para receber a Pais e Filhos. Entre outros assuntos, ele falou sobre depressão materna, do bebê e do pai. Nas ilhas japonesas de Goto, por exemplo, as mães que acabaram de dar à luz ficam um mês na cama, com seus bebês ao lado. Durante esse tempo, avós, tias e outros parentes vêm tomar conta delas. Não se espera que façam nada, só que alimentem seus filhos e se recuperem. São cuidadas como bebês. Ajudar mães e bebês é um investimento que as sociedades que chamamos de desenvolvidas precisam fazer para economizar mais tarde tratando de adultos violentos, infelizes... E é isso que Golse defende.

Os bebês são nossa última utopia. Depositamos neles toda a esperança de um mundo melhor, mas, ao mesmo tempo, somos muito exigentes com eles. Precisam ser no mínimo perfeitos. Das mães, não se exige menos. E, além de tudo, devem ser felizes. O nascimento é cercado de idealização. Temos a obrigação de ficar contentes, e qualquer sentimento diferente (tristeza, insegurança...) é mal-visto e, por isto, escondido.

O resultado é que a mãe pode ficar deprimida e ninguém perceber. Quer dizer, os adultos que a cercam são capazes de não reparar (ou não querer reparar), mas o bebê percebe sempre. E quanto mais discreta a depressão que a mãe apresenta, pior para o filho, já que os adultos não vêm ajudá-la. E aí aparecem os sintomas clássicos, como falta de sono, problemas de apetite, entre outros. É o filho tentando reanimar a mãe, como que dizendo: “Eu estou aqui”. Bernard Golse critica o fato de as mães serem liberadas da maternidade no segundo ou terceiro dia após o parto. “Esse é um meio que a sociedade se deu para não detectar o risco de uma depressão materna.” Ele defende que é preciso encontrar formas de acompanhar a mãe, com visitas a domicílio ou com pediatras treinados.

Rompendo o ciclo

De acordo com Golse, a questão não é saber quem se deprimiu primeiro, a mãe ou o bebê, mas romper o ciclo vicioso. “Culpar a mãe não vai ajudar o bebê. Dizendo que a depressão dele vem dos pais só conseguiremos acentuar a depressão do bebê que, depois, se recriminará por não ter sabido cuidar dos pais, torná-los suficientemente bons.” Além da mãe, o psicanalista acredita que é importante dar atenção ao pai. “Durante a gravidez toda a atenção materna se volta para o bebê. Para não ser abandonado, muitas vezes o pai abandona a mãe antes”, conta. E isso aumenta ainda mais os riscos de depressão materna. “A mãe espera que o pai seja maternal, mas alguns não têm a mínima vocação para avó”, brinca. O currículo desse especialista fala por si: é psicanalista, chefia em Paris o Serviço de Psiquiatria Infantil do Hospital Necker-Enfants Malades, leciona psiquiatria infantil da criança e do adolescente nas Universidades Paris V e Paris VII, é membro superior do Conselho Superior de Adoção, na França, e presidente do Grupo WAIMH (World Association for Infant Mental Health) da Língua Francesa.

Você diz que é possível perceber as qualidades do futuro psicanalista já no bebê. Como é isso? 

Certas qualidades inerentes ao psicanalista já estão presentes no bebê, principalmente a capacidade de observação, a atenção ao que está à sua volta. Mas não é nesse momento que ele define que vai ser psicanalista quando crescer (risos). Porém, no dia em que tomar essa decisão, essas qualidades vão ser úteis. Há bebês que conseguem ajudar os pais com algum sofrimento psíquico. Ao modo deles, claro. Mais tarde, essa vocação pode se enraizar.

O que o bebê faz exatamente tentando ajudar os pais?

Em crianças bem pequenas, é o corpo o principal vetor da comunicação. Há toda uma série de sintomas físicos possíveis de ser uma maneira de ajudar a mãe, como para dizer a ela: “Eu também existo”. Podem ser distúrbios do sono, dificuldades de alimentação, distúrbios digestivos. O importante é perceber que função eles desempenham. Às vezes, os adultos entendem a situação. Em certos casos de depressão materna, a mãe chega a dizer: “Ainda bem que o bebê estava comigo”. 

A maioria dos casos de depressão materna não é diagnosticada. Os sintomas que o bebê manifesta, nessas situações, poderiam ser um modo de perceber que a mãe está deprimida?

Muitas vezes, as depressões maternas passam despercebidas pelos outros adultos. Mas não pelo bebê. Ele sente a depressão da mãe durante muito tempo. Porque, nos casos em que a depressão não é notada, os outros adultos não vêm ajudá-la. Então, os sintomas do bebê podem ser justamente uma maneira de levar à pergunta: “Será que não é a mãe que está com problemas?”. A questão é que, por enquanto, esse é um raciocínio de especialistas, não está ainda suficientemente difundido entre o grande público. Nem mesmo entre os próprios pediatras. Esse é um grande problema de saúde pública. 

No Brasil, ainda não é tão comum que os pais procurem apoio psicológico. A mãe fala mesmo é com o pediatra. Dr. Leonardo Posternak, nosso colunista, criou o Instituto da Família, que defende que os médicos cuidem da família e não apenas da criança, por exemplo.

Sim, isso é uma razão a mais para formá-los corretamente. Em geral, nesse campo de estudos, falamos muito de depressão materna. Por um lado, isso é bom mas, por outro, não. É uma coisa positiva porque o problema é real. Aproximadamente 15% das mães vão ficar realmente deprimidas após o parto, e isto pode trazer dificuldades para o bebê a curto, médio e longo prazos, se não há terceiros capazes de intervir para protegê-lo. A situação no Brasil é essa que a gente conhece, mas, mesmo na França, ela não está boa. As pessoas têm muita dificuldade para admitir a realidade da depressão materna. Quando afirmei que poderia ser uma coisa ruim, quis dizer que é importante não falar só disso. Existem problemas que acontecem antes do nascimento. 

E, além da mãe, o pai enfrenta dificuldades. Depois do nascimento, não ocorrem apenas depressões, há toda uma série de situações psicopatológicas que trazem riscos à criança.

Quem são esses terceiros que você menciona e que poderiam ajudar a mãe? Além do pai, quem mais seria capaz de perceber o problema?

O pai (se estiver lá), a avó materna ou paterna e outras pessoas, dependendo do contexto cultural. O grupo familiar é importante em alguns países mais do que em outros. Em determinadas culturas há grupos de mulheres que apóiam a mãe, o grupo dos anciãos...

Nas grandes cidades, às vezes nem mesmo os avós estão presentes. 

Os pais estão cada vez mais isolados e, muitas vezes, a mãe cria o bebê sozinha, sem a presença do pai. Isso provocou um aumento nos índices de depressão materna?

O isolamento é fator de risco muito grande. Independentemente dos 

cuidados específicos, precisamos pensar a organização da vida nas cidades, quais são os recursos para uma mãe só. Quando a gente atende uma mãe em dificuldades durante esse período logo após o parto, muitas vezes o essencial da avaliação de risco é saber quais são as pessoas que podem apoiá-la. 

Você diz que hoje o tempo que as mães passam na maternidade após o parto é muito curto e isto dificulta ainda mais que as depressões pós-parto sejam identificadas, já que o baby blues (tristeza pós-parto), que poderia dar pistas dos riscos de desenvolver depressão, acontece depois deste período.

O baby blues [que acontece em torno do quarto ou quinto dia e atinge mais de 80% das mães] poderia ser a ocasião para detectar o risco de desenvolver a depressão, mas não a única. Uma sociedade deve criar os meios de não perder de vista as mulheres que deram à luz, não só após o quarto ou quinto dia, mas, também depois. As visitas ao pediatra são uma boa ocasião, porém aí a gente cai na questão da formação dos médicos. Considerando o problema do isolamento das mulheres nas cidades, visitas a domicílio seriam necessárias. Alguns países deslocam profissionais, que têm ao mesmo tempo formação psicológica e social, para esse tipo de trabalho. Cada país deve encontrar suas próprias soluções. Mas, quaisquer que sejam elas, há a questão financeira, que só pode ser resolvida se as instâncias políticas estiverem mobilizadas. Ajudar os bebês significa que a sociedade economizará quando eles forem adultos. Se os bebês estiverem bem, os adultos que eles serão também ficarão bem. Acontece que a economia que isso gera é para daqui a 30 anos, mas os políticos querem ver o resultado do investimento de suas verbas no prazo máximo de cinco anos...

A superidealização da figura da mãe, em países católicos como o Brasil, 
é um fator que dificulta o diagnóstico da depressão pós-parto?

Por que quando falamos da figura materna temos de nos referir sempre a Maria? Eu diria que existem muitas boas mães, mas as santas são exceção (risos). Podemos dizer que a mãe que chamamos de suficientemente boa é aquela que se permite ser imperfeita. A exigência de perfeição traz sofrimento a todos. Se a gente espera do bebê que ele seja perfeito, ele encontrará grandes dificuldades. Com todos os avanços do diagnóstico pré-natal, as pessoas sentem o direito de ter um bebê perfeito. Então, a decepção é enorme se ele apresenta anomalias, o que agrava ainda mais a situação. Do mesmo jeito que, se a gente espera da mãe que ela seja perfeita, acentuamos a sua vergonha, o seu sentimento de culpa quando ela acha que não corresponde a esta imagem. Ajudamos muito a mãe se mostrarmos que ela tem o direito de não ser perfeita. A gente não tem de ser perfeito todo dia, o tempo todo. O que nos permite dizer que uma mãe suficientemente boa é, às vezes, também uma mãe suficientemente má. 

E o pai? As depressões que o afetam começam a ser percebidas também agora. Como elas se manifestam?

As depressões do pai ainda são bem menos estudadas que as maternas. Quando acontecem, muitas vezes ele simplesmente vai embora. A gestação mexe demais com o corpo da mulher, as relações sexuais ficam mais conflituosas, a imagem da mulher grávida remete à imagem da mãe dele. Talvez isso aconteça principalmente no caso do primeiro filho, que capta todas as atenções da mãe. O pai vai se retraindo por causa dessa rivalidade com o filho. Uma outra manifestação da depressão paterna são sintomas físicos muito banais, como cansaço, o pai engorda, sente-se sozinho... No caso do ganho de peso, pode ser um sintoma depressivo mas, também, uma maneira de se identificar com a mãe.

A mãe ainda é atendida pelo obstetra durante a gravidez, vai com freqüência ao pediatra... Mas, e o pai?

O ideal seria que as visitas pré-natais e pós-natais incluíssem sempre o casal, mas isto é difícil porque os pais trabalham. Talvez as visitas médicas pudessem ocorrer aos sábados ou à noite. Em todos os países, o obstetra tem papel importante. Precisamos pensar que a criança é do casal, não apenas da mãe. A Finlândia é um país onde essa concepção está avançada. Há um sistema de atendimento no pré e no pós-parto que acompanha o casal. 

Com as técnicas de fertilização, hoje é possível selecionar embriões com menor possibilidade de ter problemas genéticos. Houve aumento no número de gêmeos e prematuros. O que mudou para o bebê e para os pais?

O nascimento de múltiplos aumenta o risco de depressão materna. É muito difícil se ocupar de gêmeos. E nem estou falando de trigêmeos ou quadrigêmeos. Eles exigem um trabalho físico muito grande. E a mãe sente enorme culpa quando cuida de um e deixa o outro na espera. Em sociedades consideradas mais primitivas que a nossa, nunca deixam a mãe sozinha com gêmeos ou trigêmeos. Nesse sentido, as sociedades urbanas são perigosas. No caso da prematuridade, o problema mais importante é que o início da relação mãe-bebê é dificultado pela separação no ambiente hospitalar. Quando o bebê vai para casa, a mãe precisa se ocupar dele não como enfermeira, mas como mãe de fato.


Por Larissa Purvinni, mãe de Carol, Duda e Babi

Por Redação Pais & Filhos

Fonte: http://revistapaisefilhos.uol.com.br/familia-e-tudo/entrevista-bernard-golse

sábado, 1 de março de 2014

Roda de Mães no Ninho Materno


O Ninho Materno - Maternidade, família e infância fará no dia 08/03 uma
 Roda de Mães com o tema:

"Sono do bebê: desafios, fusão emocional e a vida do casal"




domingo, 9 de fevereiro de 2014

"Quando a família começa: as intensas vivências após o nascimento".

 Ninho Materno no programa Versátil e Atual da Rede Família

          Nenhuma família pode afirmar que não há mudanças intensas após o nascimento de um filho!
          Desde a gestação, tanto no corpo físico da mãe, como no "corpo emocional" ocorrem muitas e importantes alterações, elas são necessárias para que o novo ser se acomode, se desenvolva e seja acolhido.
          Tais alterações ocorrem principalmente na mãe, mas o pai, e os filhos que ali já estão, também são implicados na preparação para a chegada do novo membro do sistema familiar.
          Se há um casal, eles passarão a integrar o papel de pai e mãe, e não serão mais apenas o marido e a esposa.
          Esta mudança agrega uma nova constituição familiar e a dinâmica do casal vivencia importantes e intensas experiências.
          A mãe é preparada, durante a gestação, para um processo de interiorização e fusão emocional com o bebê, condição necessária para a conexão com ele e importante para o seu desenvolvimento emocional e físico.
          Ao pai é colocado o papel de cuidador da mãe e também de protetor da relação/fusão entre a mãe e o bebê. A ele, é oferecida a responsabilidade de promover a segurança necessária para que a díade mãe-bebê possa viver toda a intensidade da fusão.
          Ocorre, às vezes, que nem sempre isso é sentido e compreendido pelo pai. E ele passa a pedir que a mãe volte ao seu "estado normal", que deixe o bebê chorar, que o deixe no berço, que dê leite artificial ("porque esse bebê mama demais", e a mãe não precisa atender rigorosamente), que não o coloque na cama com ela...
          E, mãe e bebê, querem e precisam estar juntos, o máximo possível! Afinal, eles se identificam como unidade, são sentidos, um pelo outro, como um só corpo físico e emocional. Talvez eles não tenham consciência disso, mas são, pelo menos neste primeiro instante da nova vida que se formou.
          Não é apenas o pai que olha para a mãe com dificuldades para entendê-la. A família, e é possível que outras pessoas próximas à mãe, também emitam opiniões "repletas de saberes", oferecendo pouca continência às suas inseguranças, angústias e necessidades. 
          É um período diferente, que pode promover o autodesenvolvimento, mas que também "enlouquece", tira dos padrões de normalidade e provoca os pragmatismos!
          "(...) ser mãe é se deixar inundar pela loucura de compartilhar um mesmo território emocional com a criança.", como refere a terapeuta argentina Laura Gutman em "Mulheres visíveis, mães invisíveis".
          Não é possível que mantenham-se os mesmos, homem e mulher, pai e mãe, após o nascimento de um filho. Acolher as mudanças favorece o processo de integração do novo. 
          Trata-se de um tempo de acomodação, de adaptação para todos do sistema familiar. 
          Há sombras e alegrias, angústias e realizações. 
          Este tempo-instante da vida recoloca possibilidades, mas cada um dos envolvidos vai viver as intensar mudanças no seu próprio ritmo-possibilidade, o caminho pede empatia e busca por um novo lugar e uma nova experiência.

Rosângele Monteiro
Psicóloga Perinatal e Terapeuta Sistêmica Familiar Integrativa
Coordenadora do "Ninho Materno - Maternidade, família e infância"

          

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Os primeiros mil dias das crianças

O pediatra Dr. José Martins Filho fala sobre a importância dos vínculos afetivos para o desenvolvimento, e sobre a separação precoce mãe-bebê postulada pela equivocada lei brasileira que rege a licença maternidade.






sábado, 28 de dezembro de 2013

Um novo ano está chegando!

O Ninho Materno está à espera do novo ano...
Que 2014 chegue repleto de caminhos amorosos, porque é o amor que dá significado à vida.
É com esse valor que estaremos cuidando da maternidade, da infância e das famílias!
Aguardem nossa agenda com propostas de cuidado em grupo, cursos, palestras e atendimentos clínicos.
Agradecemos à todos que confiaram em nosso trabalho!
Abraços afetuosos...





sábado, 21 de dezembro de 2013

Mobilização pelo fim da institucionalização de crianças menores de 3 ano...



Prevenção e proteção familiar, e à infância, para garantir o convívio familiar.
Saiba mais em:


http://www.unicef.org/brazil/pt/media_26486.htm







quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

1ª Roda de Mães do Ninho Materno

13/12/2013 das 15 às 16:30h
Local: "Espaço Ághata Terapias & Saúde"
Inscrições por e mail



Aguardem agenda de 2014 com muitas novidades de atividades em grupo para mães, pais, bebês e cuidadores!