domingo, 20 de abril de 2014

"Limites" - Roda de Mães

Vamos conversar sobre a importância dos limites na educação dos filhos!
Bate-papo com troca de experiências e informação profissional.
Vagas limitadas.


quinta-feira, 10 de abril de 2014

Roda de Mães

"Introdução alimentar e alimentação para bebês"

Tema da próxima Roda de Mães do Ninho Materno


segunda-feira, 24 de março de 2014

"O instinto materno existe?"


Laura Gutman
Tradução: Marcia Ferraz    
                                  

"O instinto de proteger, cuidar, nutrir e amparar um filho só se pode manifestar a medida que esse filho exista e tenhamos uma relação amorosa com ele. Agora, nós necessitamos de instinto materno para engravidar? Não, definitivamente não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ficamos grávidas porque somos férteis, porque tivemos contato sexual com um homem e porque faz parte da natureza humana. O instinto aparece mais tarde, quando o bebê nasce. A partir desse momento há um bebê necessitando de cuidados maternos que desperta nossa capacidade de amar.
Mas, uma vez que o bebê tenha nascido, sempre aparecerá o instinto materno? Porque muitas mães não sentem “isso” em relação a seus filhos? Porque nossa capacidade de protegê-lo e ampará-lo depende da repressão sexual que temos vivido durante toda a nossa vida, do desamparo a que fomos submetidas durante a nossa infância e da moral, do autoritarismo afetivo e d a rigidez que ainda hoje persistem e fazem parte de nossa maneira de ser. É como dizer que uma vez que temos um bebê real em nossos braços nos encontraremos com nossa capacidade ou incapacidade de cuidar, baseando-se em nossa história emocional passada, da qual geralmente não temos uma memória clara. De toda maneira, a função materna é algo que se aprende buscando referências externas e sempre quando reconhecemos o quanto é difícil para nós atender as demandas de um bebê pequeno.
Em todos os zoológicos do mundo, se sabe que qualquer fêmea criada em cativeiro, terá poucas chances de conceber e dar a luz a sua cria. E se isso acontecer, dificilmente a reconhecerá como sua e possivelmente terá dificuldades para amamenta-la e protege-la. Mas os cuidadores do zoológico a ajudarão e a cria possivelmente sobreviverá. Lamento essas comparações, mas a nos mulheres acontece algo parecido : atravessamos nossas gestações totalmente despidas de nosso auto-conhecimento e em seguida parimos em cativeiro: amarradas, espetadas por agulhas, ameaçadas e apressadas. Então, logicamente, imediatamente depois do nascimento nos ocorre que desconhecemos nossa cria. Nós, mães temos que fazer um esforço intelectual para reconhecer a este filho como próprio, com a culpa e a vergonha de pensar internamente que não possuímos esse valioso “instinto materno”.
Uma mãe pode ter uma fluidez extraordinária para atender intuitivamente as necessidades do bebê? Sim, claro, mas precisa ter vivido uma infância ideal! Se tivermos recebido suficiente amparo, contato corporal, palavras carinhosas, olhares exclusivos, peitos, disponibilidade emocional e explicações ao longo de toda a nossa infância, é muito mais provável que possamos responder instintivamente as necessidades do bebê. Caso contrário, necessitaremos de apoios externos que nos guiem até o amor e nos libertem dos preconceitos."

Laura Gutman
Tradução: Marcia Ferraz em 23/03/14 para Ninho Materno - Maternidade, Família e Infância.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Adaptação Escolar e Volta ao trabalho

Roda de Mães de 29 de março de 2014

     O processo de adaptação escolar, quer seja pela entrada no berçário ou em fases posteriores, traz grandes mudanças nos vínculos afetivos do bebê.
     Se a mãe está voltando ao trabalho, e o bebê vai para o berçário ou vai ficar com outro cuidador, ela também passa por um processo de adaptação.
     Voltar ao trabalho depois de viver a experiência da fusão emocional com seu bebê, traz conflitos, angústias e sentimentos ambivalentes para a mãe.
     É possível se preparar para esse momento?
     O que é importante saber, do ponto de vista do desenvolvimento emocional do bebê acerca dessa transição?
     O que esperar da escola no favorecimento desse processo?
     Que tipo de apoio a mãe vai precisar nesta nova fase da maternidade? 
     Essas e outras questões serão abordadas nesta roda, para acolhimento, informação, troca e partilha entre  mães e profissionais.
     Bem-vindas!



domingo, 9 de março de 2014

Por que é importante cuidar de mães e bebês?


Entrevista : Bernard Golse


A mãe suficientemente boa é aquela que se permite ser imperfeita. A afirmação é do psiquiatra infantil e psicanalista francês Bernard Golse, pai de Veronique e Nicholas, um dos pediatras mais respeitados do mundo, que esteve no Brasil em maio para uma série de conferências, numa iniciativa do Instituto da Família, presidido pelo nosso colunista, o pediatra Leonardo Posternak, da Abebê (Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê) e do Infans (Unidade de Atendimento ao Bebê), ONG que atende gestantes, pais e bebês. Golse abriu espaço numa agenda recheada de compromissos para receber a Pais e Filhos. Entre outros assuntos, ele falou sobre depressão materna, do bebê e do pai. Nas ilhas japonesas de Goto, por exemplo, as mães que acabaram de dar à luz ficam um mês na cama, com seus bebês ao lado. Durante esse tempo, avós, tias e outros parentes vêm tomar conta delas. Não se espera que façam nada, só que alimentem seus filhos e se recuperem. São cuidadas como bebês. Ajudar mães e bebês é um investimento que as sociedades que chamamos de desenvolvidas precisam fazer para economizar mais tarde tratando de adultos violentos, infelizes... E é isso que Golse defende.

Os bebês são nossa última utopia. Depositamos neles toda a esperança de um mundo melhor, mas, ao mesmo tempo, somos muito exigentes com eles. Precisam ser no mínimo perfeitos. Das mães, não se exige menos. E, além de tudo, devem ser felizes. O nascimento é cercado de idealização. Temos a obrigação de ficar contentes, e qualquer sentimento diferente (tristeza, insegurança...) é mal-visto e, por isto, escondido.

O resultado é que a mãe pode ficar deprimida e ninguém perceber. Quer dizer, os adultos que a cercam são capazes de não reparar (ou não querer reparar), mas o bebê percebe sempre. E quanto mais discreta a depressão que a mãe apresenta, pior para o filho, já que os adultos não vêm ajudá-la. E aí aparecem os sintomas clássicos, como falta de sono, problemas de apetite, entre outros. É o filho tentando reanimar a mãe, como que dizendo: “Eu estou aqui”. Bernard Golse critica o fato de as mães serem liberadas da maternidade no segundo ou terceiro dia após o parto. “Esse é um meio que a sociedade se deu para não detectar o risco de uma depressão materna.” Ele defende que é preciso encontrar formas de acompanhar a mãe, com visitas a domicílio ou com pediatras treinados.

Rompendo o ciclo

De acordo com Golse, a questão não é saber quem se deprimiu primeiro, a mãe ou o bebê, mas romper o ciclo vicioso. “Culpar a mãe não vai ajudar o bebê. Dizendo que a depressão dele vem dos pais só conseguiremos acentuar a depressão do bebê que, depois, se recriminará por não ter sabido cuidar dos pais, torná-los suficientemente bons.” Além da mãe, o psicanalista acredita que é importante dar atenção ao pai. “Durante a gravidez toda a atenção materna se volta para o bebê. Para não ser abandonado, muitas vezes o pai abandona a mãe antes”, conta. E isso aumenta ainda mais os riscos de depressão materna. “A mãe espera que o pai seja maternal, mas alguns não têm a mínima vocação para avó”, brinca. O currículo desse especialista fala por si: é psicanalista, chefia em Paris o Serviço de Psiquiatria Infantil do Hospital Necker-Enfants Malades, leciona psiquiatria infantil da criança e do adolescente nas Universidades Paris V e Paris VII, é membro superior do Conselho Superior de Adoção, na França, e presidente do Grupo WAIMH (World Association for Infant Mental Health) da Língua Francesa.

Você diz que é possível perceber as qualidades do futuro psicanalista já no bebê. Como é isso? 

Certas qualidades inerentes ao psicanalista já estão presentes no bebê, principalmente a capacidade de observação, a atenção ao que está à sua volta. Mas não é nesse momento que ele define que vai ser psicanalista quando crescer (risos). Porém, no dia em que tomar essa decisão, essas qualidades vão ser úteis. Há bebês que conseguem ajudar os pais com algum sofrimento psíquico. Ao modo deles, claro. Mais tarde, essa vocação pode se enraizar.

O que o bebê faz exatamente tentando ajudar os pais?

Em crianças bem pequenas, é o corpo o principal vetor da comunicação. Há toda uma série de sintomas físicos possíveis de ser uma maneira de ajudar a mãe, como para dizer a ela: “Eu também existo”. Podem ser distúrbios do sono, dificuldades de alimentação, distúrbios digestivos. O importante é perceber que função eles desempenham. Às vezes, os adultos entendem a situação. Em certos casos de depressão materna, a mãe chega a dizer: “Ainda bem que o bebê estava comigo”. 

A maioria dos casos de depressão materna não é diagnosticada. Os sintomas que o bebê manifesta, nessas situações, poderiam ser um modo de perceber que a mãe está deprimida?

Muitas vezes, as depressões maternas passam despercebidas pelos outros adultos. Mas não pelo bebê. Ele sente a depressão da mãe durante muito tempo. Porque, nos casos em que a depressão não é notada, os outros adultos não vêm ajudá-la. Então, os sintomas do bebê podem ser justamente uma maneira de levar à pergunta: “Será que não é a mãe que está com problemas?”. A questão é que, por enquanto, esse é um raciocínio de especialistas, não está ainda suficientemente difundido entre o grande público. Nem mesmo entre os próprios pediatras. Esse é um grande problema de saúde pública. 

No Brasil, ainda não é tão comum que os pais procurem apoio psicológico. A mãe fala mesmo é com o pediatra. Dr. Leonardo Posternak, nosso colunista, criou o Instituto da Família, que defende que os médicos cuidem da família e não apenas da criança, por exemplo.

Sim, isso é uma razão a mais para formá-los corretamente. Em geral, nesse campo de estudos, falamos muito de depressão materna. Por um lado, isso é bom mas, por outro, não. É uma coisa positiva porque o problema é real. Aproximadamente 15% das mães vão ficar realmente deprimidas após o parto, e isto pode trazer dificuldades para o bebê a curto, médio e longo prazos, se não há terceiros capazes de intervir para protegê-lo. A situação no Brasil é essa que a gente conhece, mas, mesmo na França, ela não está boa. As pessoas têm muita dificuldade para admitir a realidade da depressão materna. Quando afirmei que poderia ser uma coisa ruim, quis dizer que é importante não falar só disso. Existem problemas que acontecem antes do nascimento. 

E, além da mãe, o pai enfrenta dificuldades. Depois do nascimento, não ocorrem apenas depressões, há toda uma série de situações psicopatológicas que trazem riscos à criança.

Quem são esses terceiros que você menciona e que poderiam ajudar a mãe? Além do pai, quem mais seria capaz de perceber o problema?

O pai (se estiver lá), a avó materna ou paterna e outras pessoas, dependendo do contexto cultural. O grupo familiar é importante em alguns países mais do que em outros. Em determinadas culturas há grupos de mulheres que apóiam a mãe, o grupo dos anciãos...

Nas grandes cidades, às vezes nem mesmo os avós estão presentes. 

Os pais estão cada vez mais isolados e, muitas vezes, a mãe cria o bebê sozinha, sem a presença do pai. Isso provocou um aumento nos índices de depressão materna?

O isolamento é fator de risco muito grande. Independentemente dos 

cuidados específicos, precisamos pensar a organização da vida nas cidades, quais são os recursos para uma mãe só. Quando a gente atende uma mãe em dificuldades durante esse período logo após o parto, muitas vezes o essencial da avaliação de risco é saber quais são as pessoas que podem apoiá-la. 

Você diz que hoje o tempo que as mães passam na maternidade após o parto é muito curto e isto dificulta ainda mais que as depressões pós-parto sejam identificadas, já que o baby blues (tristeza pós-parto), que poderia dar pistas dos riscos de desenvolver depressão, acontece depois deste período.

O baby blues [que acontece em torno do quarto ou quinto dia e atinge mais de 80% das mães] poderia ser a ocasião para detectar o risco de desenvolver a depressão, mas não a única. Uma sociedade deve criar os meios de não perder de vista as mulheres que deram à luz, não só após o quarto ou quinto dia, mas, também depois. As visitas ao pediatra são uma boa ocasião, porém aí a gente cai na questão da formação dos médicos. Considerando o problema do isolamento das mulheres nas cidades, visitas a domicílio seriam necessárias. Alguns países deslocam profissionais, que têm ao mesmo tempo formação psicológica e social, para esse tipo de trabalho. Cada país deve encontrar suas próprias soluções. Mas, quaisquer que sejam elas, há a questão financeira, que só pode ser resolvida se as instâncias políticas estiverem mobilizadas. Ajudar os bebês significa que a sociedade economizará quando eles forem adultos. Se os bebês estiverem bem, os adultos que eles serão também ficarão bem. Acontece que a economia que isso gera é para daqui a 30 anos, mas os políticos querem ver o resultado do investimento de suas verbas no prazo máximo de cinco anos...

A superidealização da figura da mãe, em países católicos como o Brasil, 
é um fator que dificulta o diagnóstico da depressão pós-parto?

Por que quando falamos da figura materna temos de nos referir sempre a Maria? Eu diria que existem muitas boas mães, mas as santas são exceção (risos). Podemos dizer que a mãe que chamamos de suficientemente boa é aquela que se permite ser imperfeita. A exigência de perfeição traz sofrimento a todos. Se a gente espera do bebê que ele seja perfeito, ele encontrará grandes dificuldades. Com todos os avanços do diagnóstico pré-natal, as pessoas sentem o direito de ter um bebê perfeito. Então, a decepção é enorme se ele apresenta anomalias, o que agrava ainda mais a situação. Do mesmo jeito que, se a gente espera da mãe que ela seja perfeita, acentuamos a sua vergonha, o seu sentimento de culpa quando ela acha que não corresponde a esta imagem. Ajudamos muito a mãe se mostrarmos que ela tem o direito de não ser perfeita. A gente não tem de ser perfeito todo dia, o tempo todo. O que nos permite dizer que uma mãe suficientemente boa é, às vezes, também uma mãe suficientemente má. 

E o pai? As depressões que o afetam começam a ser percebidas também agora. Como elas se manifestam?

As depressões do pai ainda são bem menos estudadas que as maternas. Quando acontecem, muitas vezes ele simplesmente vai embora. A gestação mexe demais com o corpo da mulher, as relações sexuais ficam mais conflituosas, a imagem da mulher grávida remete à imagem da mãe dele. Talvez isso aconteça principalmente no caso do primeiro filho, que capta todas as atenções da mãe. O pai vai se retraindo por causa dessa rivalidade com o filho. Uma outra manifestação da depressão paterna são sintomas físicos muito banais, como cansaço, o pai engorda, sente-se sozinho... No caso do ganho de peso, pode ser um sintoma depressivo mas, também, uma maneira de se identificar com a mãe.

A mãe ainda é atendida pelo obstetra durante a gravidez, vai com freqüência ao pediatra... Mas, e o pai?

O ideal seria que as visitas pré-natais e pós-natais incluíssem sempre o casal, mas isto é difícil porque os pais trabalham. Talvez as visitas médicas pudessem ocorrer aos sábados ou à noite. Em todos os países, o obstetra tem papel importante. Precisamos pensar que a criança é do casal, não apenas da mãe. A Finlândia é um país onde essa concepção está avançada. Há um sistema de atendimento no pré e no pós-parto que acompanha o casal. 

Com as técnicas de fertilização, hoje é possível selecionar embriões com menor possibilidade de ter problemas genéticos. Houve aumento no número de gêmeos e prematuros. O que mudou para o bebê e para os pais?

O nascimento de múltiplos aumenta o risco de depressão materna. É muito difícil se ocupar de gêmeos. E nem estou falando de trigêmeos ou quadrigêmeos. Eles exigem um trabalho físico muito grande. E a mãe sente enorme culpa quando cuida de um e deixa o outro na espera. Em sociedades consideradas mais primitivas que a nossa, nunca deixam a mãe sozinha com gêmeos ou trigêmeos. Nesse sentido, as sociedades urbanas são perigosas. No caso da prematuridade, o problema mais importante é que o início da relação mãe-bebê é dificultado pela separação no ambiente hospitalar. Quando o bebê vai para casa, a mãe precisa se ocupar dele não como enfermeira, mas como mãe de fato.


Por Larissa Purvinni, mãe de Carol, Duda e Babi

Por Redação Pais & Filhos

Fonte: http://revistapaisefilhos.uol.com.br/familia-e-tudo/entrevista-bernard-golse

sábado, 1 de março de 2014

Roda de Mães no Ninho Materno


O Ninho Materno - Maternidade, família e infância fará no dia 08/03 uma
 Roda de Mães com o tema:

"Sono do bebê: desafios, fusão emocional e a vida do casal"




domingo, 9 de fevereiro de 2014

"Quando a família começa: as intensas vivências após o nascimento".

 Ninho Materno no programa Versátil e Atual da Rede Família

          Nenhuma família pode afirmar que não há mudanças intensas após o nascimento de um filho!
          Desde a gestação, tanto no corpo físico da mãe, como no "corpo emocional" ocorrem muitas e importantes alterações, elas são necessárias para que o novo ser se acomode, se desenvolva e seja acolhido.
          Tais alterações ocorrem principalmente na mãe, mas o pai, e os filhos que ali já estão, também são implicados na preparação para a chegada do novo membro do sistema familiar.
          Se há um casal, eles passarão a integrar o papel de pai e mãe, e não serão mais apenas o marido e a esposa.
          Esta mudança agrega uma nova constituição familiar e a dinâmica do casal vivencia importantes e intensas experiências.
          A mãe é preparada, durante a gestação, para um processo de interiorização e fusão emocional com o bebê, condição necessária para a conexão com ele e importante para o seu desenvolvimento emocional e físico.
          Ao pai é colocado o papel de cuidador da mãe e também de protetor da relação/fusão entre a mãe e o bebê. A ele, é oferecida a responsabilidade de promover a segurança necessária para que a díade mãe-bebê possa viver toda a intensidade da fusão.
          Ocorre, às vezes, que nem sempre isso é sentido e compreendido pelo pai. E ele passa a pedir que a mãe volte ao seu "estado normal", que deixe o bebê chorar, que o deixe no berço, que dê leite artificial ("porque esse bebê mama demais", e a mãe não precisa atender rigorosamente), que não o coloque na cama com ela...
          E, mãe e bebê, querem e precisam estar juntos, o máximo possível! Afinal, eles se identificam como unidade, são sentidos, um pelo outro, como um só corpo físico e emocional. Talvez eles não tenham consciência disso, mas são, pelo menos neste primeiro instante da nova vida que se formou.
          Não é apenas o pai que olha para a mãe com dificuldades para entendê-la. A família, e é possível que outras pessoas próximas à mãe, também emitam opiniões "repletas de saberes", oferecendo pouca continência às suas inseguranças, angústias e necessidades. 
          É um período diferente, que pode promover o autodesenvolvimento, mas que também "enlouquece", tira dos padrões de normalidade e provoca os pragmatismos!
          "(...) ser mãe é se deixar inundar pela loucura de compartilhar um mesmo território emocional com a criança.", como refere a terapeuta argentina Laura Gutman em "Mulheres visíveis, mães invisíveis".
          Não é possível que mantenham-se os mesmos, homem e mulher, pai e mãe, após o nascimento de um filho. Acolher as mudanças favorece o processo de integração do novo. 
          Trata-se de um tempo de acomodação, de adaptação para todos do sistema familiar. 
          Há sombras e alegrias, angústias e realizações. 
          Este tempo-instante da vida recoloca possibilidades, mas cada um dos envolvidos vai viver as intensar mudanças no seu próprio ritmo-possibilidade, o caminho pede empatia e busca por um novo lugar e uma nova experiência.

Rosângele Monteiro
Psicóloga Perinatal e Terapeuta Sistêmica Familiar Integrativa
Coordenadora do "Ninho Materno - Maternidade, família e infância"

          

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Os primeiros mil dias das crianças

O pediatra Dr. José Martins Filho fala sobre a importância dos vínculos afetivos para o desenvolvimento, e sobre a separação precoce mãe-bebê postulada pela equivocada lei brasileira que rege a licença maternidade.






sábado, 28 de dezembro de 2013

Um novo ano está chegando!

O Ninho Materno está à espera do novo ano...
Que 2014 chegue repleto de caminhos amorosos, porque é o amor que dá significado à vida.
É com esse valor que estaremos cuidando da maternidade, da infância e das famílias!
Aguardem nossa agenda com propostas de cuidado em grupo, cursos, palestras e atendimentos clínicos.
Agradecemos à todos que confiaram em nosso trabalho!
Abraços afetuosos...





sábado, 21 de dezembro de 2013

Mobilização pelo fim da institucionalização de crianças menores de 3 ano...



Prevenção e proteção familiar, e à infância, para garantir o convívio familiar.
Saiba mais em:


http://www.unicef.org/brazil/pt/media_26486.htm







quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

1ª Roda de Mães do Ninho Materno

13/12/2013 das 15 às 16:30h
Local: "Espaço Ághata Terapias & Saúde"
Inscrições por e mail



Aguardem agenda de 2014 com muitas novidades de atividades em grupo para mães, pais, bebês e cuidadores!


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Função materna vai além de aspectos da experiência corporal

Um estudo evidenciou que aspectos como condições sociais, corporais e subjetivas não são os únicos elementos construtores da maternidade. A pesquisa desenvolvida no Instituto de Psicologia (IP) da USP revelou que os laços sociais são um fator decisivo na formação da função materna, muito além da experiência corporal.


Um dos objetivos do estudo: ampliar reflexões sobre o tema para além da dupla mãe-bebê

A proposta da tese de doutorado da psicóloga Vera Iaconelli foi problematizar as condições e adversidades encontradas na parentalidade contemporânea. Segundo a pesquisadora, o estudo buscou “ampliar reflexões sobre o tema para além da dupla mãe-bebê, recolocando a mulher em um lugar protagonista, sem esquecer o lugar do pai”. A pesquisa teve início a partir do atendimento de um caso de tentativa de infanticídio no Instituto Brasileiro de Psicologia Perinatal_Gerar. “Buscou-se a partir de então discutir algumas das condições para a construção da função materna”, afirma Vera.

Foi realizado um levantamento qualitativo de base psicanalítica, com a construção de caso como forma de abordar o material. O intuito foi focar a problematização da teoria sobre a função materna em termos culturais e psicanalíticos. “Trabalhei com um único caso atendido na clínica social, embora tenha utilizado diversos outros durante o processo a título de ilustração”. Foi realizado um acompanhamento do tratamento da paciente, por meio de encontros com a equipe do hospital, o bebê internado e os familiares em momentos diferentes.

Foram privilegiados três grandes eixos, que são a experiência corporal, o lugar do sujeito e o laço social. Para tal, a pesquisadora trabalhou em cima do percurso histórico antecedente ao que se entende hoje por maternidade, os diferentes discursos sobre o corpo e as questões do laço social na constituição da função materna. “Dessa forma, pôde-se apontar como a função materna é atravessada pela lógica dessubjetivante do mundo contemporâneo”.

Os resultados apontaram que os laços sociais são os elementos que darão condições para que o bebê seja inserido numa linhagem que dará suporte para a mãe e o próprio bebê. “Vale ressaltar que a experiência corporal não pode ser negligenciada. Dessa forma, as condições sociais, corporais e subjetivas são necessárias embora não suficiente para a construção da maternidade”. Vera afirma ainda que “cabe à psicologia delimitar a potência e limite de cada campo revelando sempre que possível as inesgotáveis ideologias que atravessam os saberes”.

Tabus da maternidade

Afirmando que a quantidade de tabus que ainda vigoram quanto ao tema maternidade é muito alta, a pesquisadora aponta para a falta de interesse dos psicanalistas em geral quanto aos temas correlatos à perinalidade (gestação, parto e pós-parto). “Assuntos como violência obstétrica, medicalização e falta de apoio social a parentalidade são pontos relevantes para a psicanálise mas não têm sido enfrentados quando se pensa a função materna”.

Vera acredita que o projeto possa contribuir para a desidealização da maternidade ao mesmo tempo em que revela potencialidades igualmente negligenciadas. “A ideia é que uma mulher que largou um bebê recém nascido em situação de abandono e risco pode vir a se tornar uma mãe devotada comum, se assim o desejar e for escutada dignamente”. Ela alerta para os problemas que se potencializam com a falta de garantias na maternidade. “A falta de garantias pode ser assustadora, mas se explorarmos o lado da psicanálise nessa conjuntura, é possível que se abra novas perspectivas”.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

http://www.usp.br/agen/?p=156528

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A Mulher, a maternidade e a profissão





Viver esses três papéis concomitantemente é de uma complexidade capaz de levar a mulher às manifestações mais sombrias da sua alma e, ao mesmo tempo, potencializar as realizações mais valorosas da sua existência.

Como integrar tantas demandas e de ordens tão diversas?
Há um espaço de conciliação entre a maternidade e a carreira?

Podemos pensar que, de alguma maneira, estes papéis são complementares, e não necessariamente um papel exige algo da mulher que se contrapõe a outro. O conflito está a serviço da ordem, e assim é para que possamos nos conectar com as nossas possibilidades ilimitadas, infinitas. Quando olhamos para o conflito temos condições de resolvê-lo, mas muitas vezes não é assim que agimos, preferimos nos vitimizar e manter nossa estreita convivência com o conflito, mantendo-o ali, ao nosso lado. Tornar o conflito um aliado é o desafio que cabe nesse espaço em que coabita carreira e maternidade.
Uma mulher que desenvolveu suas potencialidades, expressando-se no mundo através da sua profissão, naturalmente terá dificuldades em subtrair da sua vida todo esse movimento, de uma dedicação e esforço ímpares, para estar na maternidade.
Cada fase do ciclo vital exige um tipo de investimento emocional específico, o desenvolvimento da carreira requer um movimento para fora, “externalizante”, e a maternidade convida para o movimento mais interno que uma mulher pode viver. É nesse espaço que vive o conflito experimentado por mulheres profissionais que desejam viver a maternidade.

É possível uma mulher realizar esses dois desejos?

Sim, porém sem deixar de viver o feminino. Sem deixar o seu papel de mulher no último lugar de importância.
Isso quer dizer que a mulher precisa identificar, ou criar, a sua rede de apoio, tendo prioritariamente o pai como ocupante do primeiro lugar nesta rede.
É o pai quem pode ser o apoiador número um na legitimação de todos os papéis experimentados pela mulher: a mulher, a mãe e a profissional. Ele está diretamente envolvido em cada um deles, pois escolheu a esposa (relacionamento), a mãe (filhos), e a profissional com quem divide as responsabilidades materiais da família. Isto também está presente nas famílias onde os pais são separados, pois essa ordem não precisa ser alterada nesta constituição familiar.
Quando a mulher escolhe, porque sempre há uma escolha, conciliar carreira e maternidade, ela precisa estar consciente dos desafios que isto traz e construir, junto da sua rede de apoio, formas de lidar com esse projeto; sim é um projeto de vida!
O início da maternidade, materializada com a chegada de um bebê na família (seja o primeiro filho ou não), promove mudanças muito importantes, traduzidas em uma crise vital, onde os papéis fundamentais se alteram; a mulher agora é mãe, também, e o homem agora é pai, também.
Ser mulher, ser mãe e ser profissional compõem aspectos da identidade de toda mulher. Para a maioria das mulheres estes aspectos coexistirão em um determinado momento da vida. Integrá-los de maneira a reconhecê-los é o movimento que torna possível uma maternidade consciente: criar os filhos com autonomia interior.
Os filhos reconhecem as necessidades da mãe quando ela as coloca em sua vida familiar de maneira autônoma. Os filhos também se realizam com a realização da mãe. A mãe pode colocar suas escolhas, como a de manter a sua profissão em conciliação com a maternidade, e ficar livre da culpa, pois a culpa é filha da maternidade sem consciência.
A maternidade é uma vivência que, pontualmente, exige dedicação e renúncia. Em suas fases iniciais, a maternidade impulsiona a mulher a estar fusionada com o bebê, e isso é o natural, o desejado. Esse momento é o tempo da licença maternidade, em que a mãe fica imersa nos cuidados com o bebê, construindo a maternagem. O tempo da licença no Brasil ainda é insuficiente para dar conta das demandas de um bebê, e o retorno ao trabalho representa tempos difíceis de renúncia, agora, ao convívio intenso com o bebê. É neste momento que a rede de apoio deve contribuir com a mãe-mulher-profissional, e a empresa está inserida nesta rede, na medida em que deve lançar recursos de continência às novas necessidades de suas colaboradoras.
A conciliação entre carreira e maternidade convida a uma nova forma de vida, onde a mulher não precisa estar sozinha com seus desejos e necessidades. É tempo de partilhar, é tempo de pedir integração a todos os sistemas envolvidos na maternidade exercida pela mulher.

Ser mulher, mãe e profissional:

“Retomar a condição de mãe em novas bases de ação e entendimento”